Fascínio pelo rio Douro

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Este rio, que cruza a Península Ibérica desde seu nascimento na província de Sória, na Espanha, até sua desembocadura na vertente atlântica pela cidade do Porto, Portugal, é um rio de vinho: Ribera del Duero, Porto, Cigales, Rueda, Arribes del Duero, Douro, Toro.

Todas estas regiões vitivinícolas acompanham, entre outras, o rio que passa em ambos os lados da fronteira entre Espanha e Portugal. Talvez seja um dos mais originais mosaicos do vinho, o Douro. Que não só nos surpreende com seus vinhos, mas também seduz com a sua paisagem.

Se o caminho do Douro na Espanha é surpreendente, ao chegar em Portugal, o rio transforma a paisagem com tal intensidade, que se torna absolutamente prodigioso. O rio aproxima-se de Portugal pelos Arribes de Duero.
Está inserido em materiais de granito, estreitando seu canal e de repente descendo 400 metros de desnível. Até pouco mais dos 200 metros de altitude, o rio chega a Portugal e atravessa a fronteira por Miranda de Douro.

Milhares e milhares de videiras sobem as encostas íngremes e altas em torno do rio imponente e seus afluentes. Formando uma paisagem única, excepcional, em esplanadas cuidadosamente trabalhadas e protegidas. Algumas videiras parecem deslizar pelos baixos declives. Mas, graças à mão do homem, são ancoradas e fixadas ao solo por pequenos muros de pedras. Um trabalho de séculos, que combina com a paisagem original.

Aqui começa nossa fascinação pelo Douro. E o reconhecimento de seu potencial como Denominação de Origem. Isso, sem esquecermos da jornada anterior por algumas das mais famosas regiões vitivinícolas da Espanha, para chegar aos admirados vinhos do Porto, em sua desembocadura.

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A Denominação de Origem Qualificada Douro
A D.O.Q. Douro localiza-se na mesma zona de produção que a dos Vinhos do Porto.
Divide-se em três subzonas. (Baixo Corgo, Cima Corgo e Douro Superior).
O número de variedades admitidas pela D.O. é simplesmente espetacular. Mais de 100, a maioria delas nativas. Somente com isso, podemos perceber a enorme riqueza vinícola que existe nestas terras.

Os vinhedos implantados na região estão distribuídos em esplanadas. Com quadros muito estreitos nas plantações mais tradicionais, aproveitando o relevo do terreno de um modo que dificulta muito o funcionamento dos mesmos. Assim como a safra, que é realizada no período de setembro a meados de outubro, em pequenas caixas que são transportadas ladeira acima e ladeira abaixo.

Antigamente, o cultivo do vinhedo era praticado unicamente no Alto Douro.
Este era o nome que os autores usavam para se referir à zona vitivinícola que hoje é conhecida como o Baixo e o Cima Corgo. O limite que separava o Alto Douro do Douro Superior, na zona do “Cachão da Valeira”, devia-se a um acidente geológico (um grande monólito de granito existente no canal do rio, que impedia a navegação do rio Douro água acima). Posteriormente, com a eliminação do bloco de granito durante o Reinado de Dona Maria II de Portugal, o cultivo do vinhedo estendeu-se até o leste, ainda que continuasse sendo menos importante no Douro Superior, do que no Alto Douro.

Em 1936, aconteceu uma reforma administrativa, na qual a região do Alto Douro foi renomeada Baixo Corgo e Alto Corgo, para assim diferenciar os vinhos produzidos em ambas as regiões. A área do vinhedo tem maior importância no Baixo Corgo, onde ocupa cerca de 29,90% da área desta sub-região, que se estende de Barqueiros, na margem norte, e Borrô, na margem sul, até a confluência dos rios Corgo e Ribeiro de Temilobos com o Duero. O Cima Corgo estendese do leste até Cachão da Valeira, sendo aqui a área de cultivo menor. O Douro Superior prossegue até a fronteira com a Espanha.

O vinhedo geralmente encontra-se nas mãos de pequenos produtores, que possuem uma média de 1 hectare de vinhedo, porém, é cada vez mais habitual encontrar Quintas de extensão maior, que destinam sua produção a pequenas bodegas de alta qualidade.

A particularidade do Douro devese à sua localização: nesta região, exercem grande influência as serras de Marão e de Montemuro, servindo como barreira contra os ventos úmidos do oeste, provenientes do oceano Atlântico. Localizada em vales profundos e protegidos por montanhas, a região é caracterizada por invernos muito frios e verões muito quentes e secos, distribuindose a precipitação de forma muito irregular ao longo do ano. Os índices maiores são em dezembro, janeiro e março, e os menores em julho e agosto, antes das colheitas.

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A exposição ao sol é um fator importante na caracterização climática de qualquer região, e no Douro cobra duplo interesse, pois nos permite compreender o comportamento do vinhedo nas diferentes situações. A margem norte do rio está sob influência de ventos secos do sul, e a margem sul encontra-se exposta aos ventos do norte, mais frios e úmidos, e também a uma maior insolação.

A temperatura do ar é mais alta nos lugares orientados ao sul, que nos orientados ao norte, variando as temperaturas médias anuais entre 11,8 e 16,5˚C. Os valores máximos das temperaturas médias anuais distribuem-se ao longo do rio Duero e de seus afluentes, especialmente os da margem direita (especificamente o rio Tua e o ribeiro de Vilariça). A respeito das amplitudes térmicas diurnas e anuais, nota-se que são mais elevadas em Barca d’Alva e menores em Fontelo, fato que é explicado pela distância do mar. A temperatura aumenta à medida que nos aproximamos da fronteira espanhola, assim como há diminuição das chuvas.

Os solos são quase todos derivados da ardósia. Com afloramentos de granitos, e são divididos em dois grupos principais. O primeiro traz os solos onde a influência da ação do homem é muito visível durante o trabalho do arado e da terraplanagem anteriores à plantação do vinhedo. Particularmente por manifestações profundas com desagregação da rocha e consequente aprofundamento do perfil. Além de modificações na constituição original do terreno. Em segundo, vêm os solos compostos por unidades onde a ação humana foi mais suave. O que fez com o terreno conservasse seu perfil original, com modificações apenas na camada da superfície.

Portugal é um país com uma grande riqueza ampelográfica.8
Onde existem catalogadas atualmente cerca de 323 diferentes variedades. O Douro é, portanto, uma região com múltiplas cepas. Que são intercaladas na própria vinha, dando lugar a “blends” no próprio vinhedo. As cepas mais famosas que os compõem são a Tinta Roriz, nome local da conhecida Tempranillo. Com seus taninos firmes, mas elegantes. A Touriga Franca denominada localmente Flor de Douro. Considerada como uma das três melhores cepas do Douro. Proporcionando cor e complexidade aromática. E a Touriga Nacional. Cepa mais apreciada no Douro. Que dá pequenos rendimentos ricos em taninos. Cor e potência aromática, a rainha da concentração.

Todas possuem grande capacidade e adequação ao envelhecimento dos vinhos produzidos com elas. As variedades tintas preferidas cultivadas na zona são a Bastardo, Mourisco Tinto, Tinta Amarela, Tinta Barroca, Tinta Cão, Tinta Roriz, Touriga Franca e Touriga Nacional. As variedades brancas preferidas são a Donzelinho Branco, Gouveio, Malvasia Fina, Rabigato e Viosinho.

Novamente são situações distintas. Que, em mãos de viticultores e enólogos especialistas, fazem com que cada vinho seja único, distinto. São vinhos com personalidade. Mesmo prato, mesma receita, ingredientes diferentes, distinto sabor. Douro Superior. Sempre original.

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