Chile, o vinhedo isolado


Seu clima mediterrâneo quente e suas particulares características geográficas, fazem do Chile um lugar ideal para desenvolver uma viticultura de qualidade. O país tornou-se um grande produtor e exportador de vinhos.

Com 10,4 milhões de hectolitros na safra anterior, classifica-se como o sétimo produtor mundial. Crescendo sua produção a um ritmo acelerado nos últimos anos., Principalmente devido aos bons números de vendas registrados nos mercados internacionais.
Seu sucesso está numa ótima relação qualidadepreço.
A qual faz com que os vinhos chilenos não tenham nada a provar.
Por direito, estão no topo do cenário internacional de vinhos.

Já faz alguns anos que fizemos nossa primeira viagem ao Chile. E não queríamos perder este poder de produzir vinhos no país que, por anos, surpreendeu com seus vinhos de corte novo. A variedade carmenére, como anfitriã principal, colocou os holofotes sobre este país. Algo que sempre nos chamou a atenção antes desta viagem. O Chile era o carmenére, como a Argentina era malbec ou o Uruguai, tannat.

Era curioso como estas variedades tinham atingido seu auge nestes países do Cone Sul. E como os viticultores destas regiões tinham apostado tanto por tais variedades. Mas sem deixar de experimentar, testar e arriscar com outras, tanto tintas quanto brancas, que contribuíram para a popularidade de seus vinhos.

Mas o desenvolvimento vinícola do Chile evoluiu e, entre as quatro primeiras variedades, já não se encontra a carmenére, que tem perdido terreno nas novas plantações para a cabernet sauvignon, sauvignon blanc, chardonnay e merlot, que concentram mais de 50% da superfície cultivada, enquanto o rápido desenvolvimento do cultivo do vinhedo do país andino faz com que as cifras dancem continuamente quanto às quantidades e proporções dos varietais.

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A indústria vitivinícola não é nova no Chile. A produção de vinho coincide com a chegada dos conquistadores espanhóis. Há claras razões históricas que determinaram esta precocidade ao Chile, como um país de tradição vitivinícola. A colonização espanhola, após o descobrimento, foi marcada por um claro sentido de evangelização, e não se pode entender este processo sem o aspecto religioso que o guiava.

As necessidades da liturgia católica, o vinho da consagração, tornaram imprescindível, desde o princípio, o cultivo da videira, num primeiro momento por mosteiros e abadias.
É curioso como a religião católica tem sido o veículo colonizador para a implementação do vinhedo não somente fora, mas também na própria expansão pela Europa.

Existe documentação que credita que foi o sacerdote Francisco de Carabantes que, em 1.548,
desembarcou em Concepción, a 500 quilômetros ao sul de Santiago, plantando as primeiras videiras para fornecer vinho às cerimônias religiosas. Ao norte de Santiago, Francisco Aguirre fez o mesmo em Copiapó e La Serena, em 1.550. Os espanhóis plantaram a videira em todas as colônias, mas foi nos vice-reinados do Cone Sul e especialmente no Chile, que a colheita foi próspera.

Por isso, já no século XVIII, o Chile era o principal exportador de vinhos para o resto das colônias espanholas e o maior produtor da América Latina. As boas condições climáticas permitiram que o cultivo se espalhasse na parte central do país. Mas três séculos se passaram antes que se produzisse uma mudança na vitivinicultura chilena. Os hábitos sociais do país durante o século XIX foram fortemente marcados pelo espírito francês, portanto, a ideia de produzir vinhos com variedades e tecnologia francesa hospedou-se e se desenvolveu rapidamente no país, desde meados deste século.

Em 1.851, Silvestre Ochagavía introduziu videiras francesas em sua propriedade de Talagante. E, assim, começou a substituição das antigas linhagens espanholas pelas que existem hoje em dia: cabernet sauvignon, merlot, malbec, pinot noir, petit verdot e as variedades brancas, chardonnay, sauvignon blanc, semillon, riesling e outras. Mas se algo é destaque da viticultura chilena, é a ausência da praga da filoxera, que em 1.863 apareceu na França e destruiu quase todas as videiras da Europa, espalhando-se depois por quase todo o mundo, com exceção do Chile, que, graças a seu isolamento geográfico, escapa até hoje desta praga.

Isto significa que, no Chile, ao contrário da maioria das regiões vitivinícolas, a videira pode ser plantada diretamente sem a necessidade de recorrer ao uso de enxertos. Em 1.994, foi encontrada no país a variedade de Bordeaux carmenére, que estava escondida nos vinhedos de merlot.
Pensou-se que esta estirpe havia se perdido com o ataque da filoxera, mas como ela tinha chegado ao Chile antes de brotar, manteve-se sã e salva, confundida com parreiras de merlot.

Em 1.900, a superfície de vinhedo alcançou 40.000 hectares, aumentando até chegar a 108.000
hectares em 1.938. Mas as legislações restritivas ao álcool e as dificuldades comerciais geradas na Segunda Guerra Mundial fizeram com que a produção fosse reduzida gradualmente, até que, em 1.974, foi revogada a lei que restringia os vinhedos.

A partir de 1.980, a política de liberalização e a abertura econômica do país modernizaram completamente o setor vitivinícola, até que, nos anos 1.990, os vinhos chilenos consolidaram definitivamente sua presença no mercado internacional com excelentes resultados e uma reputação crescente.

Um vinhedo de norte a sul, um terroir de leste a oeste
O Chile tem características únicas. Seu clima e sua geografia criam um quadro exclusivo para o
desenvolvimento da viticultura de qualidade.

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Seu clima
O vinhedo chileno está situado, principalmente, em regiões com um clima mediterrâneo.
Otimizando as condições de cultivo. Os verões quentes e secos, e os invernos frios e chuvosos fazem com que o cultivo do vinhedo seja equilibrado. Durante o período de crescimento, a planta está com dias ensolarados. Temperaturas amenas durante o dia e uma diminuição significativa à noite. O que facilita sua maturação.

Esta variação de temperatura diária é a chave para o cultivo de uvas com boa intensidade de cor, taninos maduros, aromas de frutas e altos níveis de anti-oxidantes, uvas das quais são elaborados vinhos redondos, maduros e complexos.

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Os vinhedos são fortemente influenciados pelo Oceano Pacífico e pela Corrente de Humboldt, que começa nas águas geladas da Antártica e flui até o norte, ao longo da costa ocidental da América do Sul.
Curiosamente, o efeito do choque da corrente fria de Humboldt com a linha costeira do norte do Chile produz nuvens e neblina, mas  pouca ou nenhuma precipitação (contribuindo, aliás, para fazer do Deserto do Atacama o mais seco da Terra).

 

No Chile, praticamente não ocorrem chuvas durante a colheita, por isso não há risco de doenças nesta época. Assim, a data da colheita pode ser programada com muita precisão, tornando mais fácil conseguir um fruto de qualidade superior.

Sua geografia
Tratando-se de vinhos, o Chile é mais largo do que longo. Ao contrário do que os mapas podem
sugerir, não é a distância do Equador que desempenha o papel predominante na definição de terroir do Chile; ele se diferencia mais em relação à proximidade com o Oceano Pacífico ou com a  Cordilheira dos Andes. A maior diversidade de solos e climas do Chile situa-se mais de leste a oeste, do que de norte a sul.

Suas barreiras naturais – o Deserto do Atacama ao norte, a Cordilheira dos Andes a leste, os Campos de Gelo da Patagônia e a Antártica ao sul, e o Oceano Pacífico e a Cordilheira da Costa a oeste protegem os vinhedos chilenos de doenças e pragas, e dão origem a uma ampla gama de tipos de solos. Este vasto mosaico torna possível o desenvolvimento de uma grande variedade de vinhos.

Graças à natureza isolada de seu território, o Chile é o único país no mundo livre da filoxera, praga que, como mencionamos anteriormente, devastou a Europa em meados do século XIX. Por esta razão, é possível encontrar no Chile videiras originais com mais de 100 anos, que produzem um fruto concentrado de cor intensa.

Os vinhos do Chile
Os vinhos chilenos são classificados em três categorias. Os vinhos com Denominação de Origem, os sem Denominação de Origem e os de Mesa. O zoneamento estabelece cinco principais regiões vinícolas. Atacama, Coquimbo, Aconcagua, Valle Central e Sul, que por sua vez são divididas em sub-regiões. Zonas e áreas menores, onde os vinhos podem exibir a denominação relevante. Desde que pelo menos 75% da uva utilizada na sua preparação proceda do lugar indicado.

A área cultivada no Chile está classificada em uvas para vinificação, para mesa e para pisco.
Nas variedades para vinificação, o Chile distingue as uvas em tintas e brancas. As primeiras representam aproximadamente 70% da superfície plantada. A uva com maior superfície cultivada no Chile é a cabernet sauvignon (33% da participação no total das uvas para vinificação e 45% da participação no total das uvas tintas).

O “carrochefe” do Chile, a carmenére, é de aproximadamente 10.000 hectares no total de uvas para vinificação.
O Chile destina aproximadamente 65% de suas uvas para produzir vinhos e mostos, e o restante para uvas de mesa e produção de pisco. Os vinhos chilenos são suaves, agradáveis e pouco agressivos ao paladar, portanto seu consumo pode ser feito mais rapidamente.

Os tintos chilenos tendem a ser frutados e adocicados. Dominados por frutas vermelhas e taninos redondos. Por outro lado, sua baixa acidez geralmente permite um desenvolvimento mais rápido do vinho. Assim, com 5 ou 6 meses, o vinho atinge a maturidade necessária para conseguir notas de complexidade sem perder corpo.  Aspecto que, em contrapartida, reduz a longevidade nos vinhos jovens.

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