Perguntas Frequentes: Rótulo – o jogo das diferenças

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Texto: Joaquín Hidalgo

No mundo existem muitos rótulos e várias formas de organizá-los. Nesta matéria, mostramos o básico para saber decodificá-los.

“O mundo do vinho é grande e estranho”, parafraseando um velho ditado. É mais ainda em matéria de rótulos, na qual a formalidade dos castelos e da linhagem que reinava em outro tempo, agora se soma a uma nova gama, com bichos raros desenhados, cores brilhantes e conceitos tipográficos de desenho contemporâneo. Porém, há várias coisas que convêm ter em mente na hora de lê-los.

Como no jogo das diferenças, os rótulos do Velho e Novo Mundo vitivinícola devem ser lidos de forma distinta. É verdade que ambos registram quase os mesmos dados (região, bodega, graduação alcoólica, colheita), mas a ordem e a importância que cada um tem faz com que sejam muito distintos entre si.

O Velho Mundo

Por esse nome, reconhecem-se os vinhos dos países europeus que têm legislações construídas em torno dos últimos 300 anos, de modo que muitos dos critérios de classsificação e de rotulagem não respondem a uma lógica contemporânea. No entanto, são úteis e precisos, uma vez que são compreendidos. O melhor exemplo é o francês, e Bordeaux é o caso paradigmático. Uma das regiões mais constantes no tempo, seus vinhos são rotulados seguindo uma lógica de importância: primeiro, a região e a classificação do vinhedo, em seguida, o produtor e colheita e, como um detalhe menor, o teor alcoólico.

A razão para esta ordem é complexa. Os vinhedos de Bordeaux foram classificados em 1855, seguindo um padrão de preço e qualidade. Assim, a origem das uvas é ainda mais importante, inclusive que o produtor. E para conhecer o gosto de um vinho é preciso saber que classe produz cada região. Não é fácil em princípio, mas os franceses partem da ideia de que aprender sobre vinhos é algo que leva toda a vida.

Depois, a categoria do produtor, que se classifica, segundo a escala do século XIX, em cinco níveis, desde os Premier Crus Classé até os Cinquièmes Crus. Todos eles são considerados Grands Crus. Quanto mais perto estão da ponta da pirâmide, os Premier tornam-se mais caros. É só nesta cúspide que o produtor é quase tão importante quanto à região e seus nomes são conhecidos: Latour, Margaux, Haut Brions, para citar alguns.

Todos eles levam, por sua vez, o esclarecimento de Mis en bouteille au château, ou au domaine, ou à la propriété: indica que foram engarrafados pelo produtor em sua bodega, o que certifica a qualidade dessa origem. Há 14 principais regiões na Françae para todas vigora esta ordem. Com uma segunda condição: é possível que o vinho não tenha sido engarrafado pela bodega, mas por um négociant, ou seja, um comprador de vinho que produz sua própria marca. Neste caso, a região será mais destacável ainda e levará o esclarecimento pertinente: “mis en bouteille par”, quando for engarrafado por alguém. Com variações, Itália, Espanha e Alemanha rotulam com o mesmo sentido de região, produtor e colheita. Ainda que no momento haja produtores mais próximos ao Novo Mundo, pelo estilo de produto engarrafado.

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O Novo Mundo

Por esse nome são conhecidos os países produtores de vinho que não estão dentro da tradição europeia, como por exemplo, Austrália, Nova Zelândia, Chile, África do Sul e Brasil. A Argentina, um pouco mais rebelde, enquadra-se no meio dos dois grupos. No entanto, em matéria de rótulo, cumpre com os critérios do Novo Mundo, fáceis de interpretar: primeiro, a marca comercial. Pode ou não ser um nome fantasia, sobrenome do produtor ou o que for. A ideia é simples: em um lugar do mundo onde as regiões produtoras não têm história, torna-se mais importante aqueles que produzem do que um acervo vazio. Daí a marca e o produtor estabelecerem a lógica dominante.

Na falta de guia de estilo na região, detalha-se a composição varietal do vinho, isto é, se foi feito com Malbec, Carménère ou Cabernet Sauvignon, para citar algumas, e se é um vinho elaborado com mais de uma uva – um blend, corte ou assemblage -, podendo ou não estarem mencionadas as variedades, ainda que a tendência atual seja mencioná-las. E em terceiro lugar, a região, cujo critério geralmente é da menor para a maior, seguindo a origem da uva, isto é, se o vinho anuncia Argentina, é porque contém uvas de mais de uma região (por exemplo, Mendoza e San Juan), ou quando menciona uma indicação geográfica em particular, como La Consulta (no departamento de San Carlos, Vale de Uco, Mendoza), significa que a uva provém de uma só região.

Seria o caso equivalente ao francês; apesar de as regiões do Novo Mundo ainda estarem engatinhando um pouco. Salvo o caso de Napa Valley, Califórnia. Onde Mendoncino County não é o mesmo que Carneros County ou, no Chile, onde Casablanca ou Maipo ostentam prestígio.

A colheita e a graduação alcoólica

No que diz respeito ao ano da colheita; essa é uma informação importante tanto para os vinhos do Novo quanto do Velho Mundo. Embora tal dado funcione de maneira muito diferente para ambos. De volta à França, onde as vinhas não são irrigadas, é um dado que aponta qualidade e justifica o alto preço de alguns vinhos; a colheita de 2002 é mais cara que as de 2001 e 2000. No Novo Mundo, por outro lado, são poucas as regiões de cultivo que não são irrigadas. Para elas, a importância da colheita é mais relativa. Embora seja um índice da juventude do vinho.

Quanto à graduação alcoólica; sua menção destacada e escala dependem, sobretudo, do país de destino do vinho. Não tanto do produtor, já que as legislações de consumo de cada país mudam significativamente. O que é constante é sua menção. Porque; além de ser um valor indicativo da qualidade e de sua salubridade, é um índice natural do poder embriagador desta bebida.

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2 Comentários

  1. jose alves quinta em

    muito boa essa materia, podemos conhecer mais sobre vinhos e enriquecer nosso conhecimento sobre a cultura dessa bebida espetacular. Parabens.

  2. Neusa de Oliveira em

    Excelente matéria. Gosto de vinho, mas daqueles adocicados pois ainda não encontrei um tinto que satisfaça meu paladar,São tantos os nomes e rótulos para chamar a atenção e vc compra e tem que botar água e açucar para não jogar o produto fora. Como reconhecer um vinho tinto gostoso. Obrigada.

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