Lodi, uma região em contínuo crescimento

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A Califórnia, sem dúvida, lidera a produção de vinhos nos Estados Unidos lodi
da América.Durante muito tempo, somente um par de zonas dentro desta vasta região pareciam ter destaque sobre o resto do território, na elaboração de vinhos premium.

Seriam elas Napa Valley e Sonoma.Porém, nos últimos anos, não paramos de descobrir outras regiões com incrível valor enológico. São autênticos edens da viticultura, como Mendocino, Paso Robles ou Lodi.

Acontece que os velhos vinhedos destas regiões demostraram aos viticultores que, controlando as produções, seria possível elaborar vinhos de grande identidade, de uvas não tão conhecidas, dando uma oportunidade para variedades como a Zinfandel, a La Petite Sirah ou a Tempranillo, procedentes de velhos vinhedos.

Mesmo que em outros artigos tenhamos falado um pouco sobre os vinhos de Lodi AVA (American Viticultural Area), neste vamos nos aprofundar um pouco mais. Assim, conheceremos, a partir deste Boneshaker Zinfandel, o potencial desta mais do que destacada AVA californiana.

Lodi é uma das principais regiões vitivinícolas da Califórnia, situada 160 quilômetros a leste de São Francisco, sul de Sacramento e oeste da cordilheira da Serra Nevada. Sua proximidade com o enorme delta do rio Sacramento a beneficia com contínuas brisas, que refrescam os vinhedos na época estival. Lodi, além de região vitivinícola, é o maior povoado no qual se respira um ambiente rural.

Nele, bodegas e vinhedos, cujos proprietários são famílias rancheiras que levaram gerações cultivando seus campos, souberam unir-se aos novos viticultores e enólogos procedentes de outras áreas para desenvolver, juntos, uma nova viticultura, que está levando Lodi ao reconhecimento.

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A produção de vinho em Lodi leva-nos para a década de 1850, na ocasião da febre do ouro na Califórnia, quando os primeiros colonizadores ali chegaram. Graças às condições de seus terrenos, iniciou-se uma grande variedade de cultivos, entre eles o do vinhedo. De todas as variedades ali plantadas, já na década de 1880 a Zinfandel era claramente a uva tinta mais cultivada na região, graças ao clima mediterrâneo seco e seus solos férteis e aluviais.

O crescimento de Lodi foi constante e praticamente ininterrupto durante os últimos 150 anos. Curiosamente, inclusive durante a proibição de álcool nos Estados Unidos (Lei Seca 1919-1933), ao contrário de muitas regiões vinícolas dos Estados Unidos, Lodi prosperou. A produção de vinho no país reduziu dramaticamente, de início com o abandono do cultivo da vinha e, mais tarde, com a substituição por outros cultivos. Mas muitos viticultores em Lodi decidiram não arrancar os velhos vinhedos, ao contrário do que aconteceu em outras regiões da Califórnia. É por esse motivo que hoje é possível desfrutar desses vinhedos, entre os quais estão os mais antigos da variedade Zinfandel, com a qual se elabora o vinho que estamos apresentando neste mês.

Na década de 1980, Lodi começou a ser prestigiado

Graças aos velhos vinhedos de Zinfandel que se destacavam pela qualidade, Lodi converteu-se em um dos principais fornecedores desta variedade da Califórnia até que, em 1986, foi finalmente criada a AVA Lodi, o que permitiu reforçar sua identidade. Lodi é, na atualidade, o maior produtor dessa varietal: com mais de 40 mil hectares de vinhedos, produz mais de 40% da melhor uva Zinfandel da Califórnia.

Tudo isso favorece o amadurecimento das uvas. A chuva é outro fator de qualidade: a precipitação anual é de 480 mm, porém, chove somente 60 mm de maio a outubro, o que reduz o risco de doenças de origem fúngica e permite que nesta AVA exista uma significativa superfície de vinhedo biológico.

Seu clima mediterrâneo é propício para o desenvolvimento do vinhedo. Durante a temporada de crescimento; Lodi desfruta de um contínuo tempo ensolarado. Com temperaturas cálidas durante o dia e moderadas quedas na temperatura à tarde, graças às brisas do delta. E com um importante salto térmico durante a noite; por conta da influência da cordilheira. Seus solos são de grande diversidade e ricos em minerais. Lá se encontram presentes desde os mais pesados em argilas até os mais pedregosos e melhor drenados. E isso permite grande diversidade de “terroirs” dentro da região.

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As variedades tintas representam aproximadamente dois terços do vinhedo de Lodi. Atualmente, cultivam-se mais de 75 varietais. Portanto, a diversidade e potencial de seus vinhos são gigantescos. Lodi é considerada a capital mundial da Zinfandel. E lá existem vinhedos deste varietal que datam da década de 1880.

Hoje em dia, existem ao menos 2 mil hectares anteriores à proibição (1919-1933). Junto com a Zinfandel, também têm fama por aquelas terras a Cabernet Sauvignon. Cultivada ao longo do limite oriental da denominação. E a Chardonnay, cultivada extensamente ao longo do extremo ocidental mais fresco.

A Petite Sirah e a Syrah também estão em destaque. Além dessas, recentemente uma ampla gama de variedades originárias da Europa e procedentes de regiões climáticas de características similares chegaram a Lodi. São varietais da Espanha; Itália; Portugal e do sul da França. Como Albariño; Tempranillo; Verdejo; Sangiovese; Viognier; Mazuelo e Touriga Nacional. Que esperam sua vez para ser as novas sensações de Lodi.

Texto: Alberto Pedrajo Pérez

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