Austrália, a viticultura dinâmica

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A Austrália foi e continua sendo a região vitivinícola mais dinâmica, internacionalmente falando. Sua visão de uma viticultura e enologia modernas; afastando-se das regras preestabelecidas e dos dogmas que tradicionalmente regeram as leis da vitivinicultura mundial. Levou este país continente a liderar a inovação dentro do setor de vinhos graças, entre outras coisas; a uma boa dose de pragmatismo e ciência.

Certamente muitos não estarão de acordo com essa afirmação. Por isso, vamos aprofundar-nos em três pontos relevantes dentro da viticultura. Que são os varietais; o solo e as práticas agronômicas. Pontos que se destacam no seu desenvolvimento e nos quais embaso minha reflexão.

Durante décadas; a Austrália lançou-se à experimentação, cultivando varietais que poderiam ser propícios para a obtenção de vinhos de qualidade. Isso permitiu que seus vinhedos tivessem uma grande diversidade
de varietais em muitas regiões do país. Na Austrália, é possível encontrar todo tipo de varietais. Inclusive desconhecidas ou minoritárias nos países de origem. Este fato, unido à flexibilidade por parte dos enólogos na elaboração de vinhos, gerou um oceano de possibilidades enológicas disposto a surpreender continuamente.

A inquietude por experimentações com varietais e a interpretação da viticultura como ciência precisa, transformaram-lhes em líderes na realização de mapas de solos; permitiram-lhes conhecer, com precisão, qual pode chegar a ser o potencial enológico destes terrenos antes da plantação de vinhedos e, assim, poderem tomar decisões estratégicas para as novas plantações.

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Seus mapas vão além de uma simples análise, como é habitual em outras regiões, porque trazem aspectos relevantes, como o conhecimento agronômico do futuro vinhedo. Isso coloca os australianos em vantagem, porque realizam estudos profundos das qualidades físicas, químicas e biológicas dos solos, bem como seu potencial vitícola, o que lhes permite não somente decidir o que plantar, mas também prever o resultado de suas futuras uvas.

As condições climáticas da Austrália, assim como a forte degradação de seus solos e o aumento da salinidade de suas águas, condicionaram os produtores a otimizar a utilização da água, desenhando as instalações de irrigação de maneira a adaptá-las a essas condições. O objetivo não é somente a produção de uva para a elaboração de vinhos, mas também a sustentabilidade de seus recursos.

Os viticultores australianos não se esquecem de que a viticultura deve, antes de mais nada, ser um negócio, e que as boas práticas ambientais ou agronômicas otimizam seus cultivos, possibilitando a obtenção de vinhedos equilibrados e, portanto, mais rentáveis. Outro aspecto inovador no manejo do cultivo é a aplicação de técnicas sem poda, ou com poda mínima e mecânica do vinhedo, que, junto a um alto nível de mecanização, permitem uma significativa redução no custo de produção.

A Austrália está na vanguarda no que se refere à viticultura. E isso é uma grande vantagem para se adaptar à demanda do mercado internacional. Que se modifica constantemente. Não digo que seja um modelo a seguir; ou de novas regras globais. Simplesmente é uma excelente guia base para buscar melhorias. Sem esquecer que o modelo vitivinícola australiano também tem seus excessos.

Leia mais sobre os vinhos australiano da nossa Seleção Mensal de Outubro de 2015. Caravan 2013 e Shot in the Dark 2013.

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