Variação do mesmo prato: variação do feijão no Brasil

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Texto: Priscila Urbano

Sabe-se que nenhum país do mundo supera o Brasil em produção e consumo de feijão. Chegando até a 3,5 milhões de toneladas por ano. A combinação arroz com feijão é considerado para os brasileiros uma confort food. Expressão que designa a comida e ao mesmo tempo é ligada a história cotidiana pessoal. Ou seja, emocional, capaz de evocar o prazer e bem estar.

No nordeste, umas das destinações do feijão é o tradicional baião de dois. Ele e o arroz são cozidos juntamente. Depois é acrescentado o toicinho, a linguiça defumada, a carne seca e o queijo coalho. Segundo o escritor e cearense Gustavo Barroso, em seu livro Liceu do Ceará (Editora Getúlio Costa, RJ, 1940), essa receita foi criada em seu próprio Estado.

Já no Rio de Janeiro, entre 1884 a 1905, no restaurante G. Lobo, no centro velho, do  feijão derivou-se a Feijoada.  Servido como uma refeição completa era acompanhado de arroz, couve, laranja fatiada, carnes diversas, farofa e farinha crocante. Tal tradição ganhou popularidade mundial até os dias atuais. Afinal o prato de notoriedade internacional é irresistível.

Com influencia dos negros africanos escravizados na Bahia. Do feijão originou-se o famoso bolino de Acarajé. Cuja receita leva feijão branco, cebola, sal e, por fim, é fritado no azeite de dendê. Curiosamente, segundo o próprio significado da palavra “acarajé” – bola de fogo – em iorubá, essa é uma guarnição servida picante e quem já teve essa experiência sabe o porquê do nome.

No Vale do Paraíba, divisa entre São Paulo e Rio de Janeiro. Como forma de aproveitar as sobras de comida, surge o Virado Paulista. Uma inspiração da comida rural, o Virado à Paulista ficou conhecido como comida simples. Mas com quantidade e variedade o suficiente para dar força durante todo o dia de trabalho. Ou seja, feijão refogado e amassado na gordura de porco. Aos poucos, adiciona-se água e farinha de mandioca ou milho para engrossar o caldo. Na hora de servir é, tradicionalmente, acompanhado de couve refogada, fatiada finamente, ovos fritos, banana frita e bisteca de porco ou lombo.

Em Minas Gerais, por influencia da experiência gustativa de Dom Pedro, o virado paulista recebeu o nome de Tutu, e, ao mesmo tempo, é servido com pedaço de linguiças fritas. O que distingue de seu ancestral é que no tutu costuma-se a ser servido com grãos inteiros de feijão e no virado paulista não.

Enfim, no Brasil encontramos uma diversidade imensa de Phaseolus Vulgaris L. Nome científico do feijão que comemos. Preto (feijoada carioca), mulatinho (feijoada nordestina), de corda (baião de dois), fradinho (acarajé), fradão, branco, vermelho, roxinho, verde, rajado, manteiguinha, bolinha, palhacinho, jalo, etc. No entanto, o feijão que mais consumimos no Brasil inteiro é o carioca, com grãos de cor creme por fora e rajado de cor marrom claro. Domina 85% do mercado interno, com exceção dos estados do Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, que preferem o feijão preto.

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