Albert Einstein

Vegetariano? É relativoeinstein

Por que refeição cozida no micro-ondas esfria mais rápido do que a cozida no forno convencional?
Como se descafeína o café? Qual é a melhor maneira de descongelar alimentos? Estas e outras questões culinárias são exploradas de forma bem humorada pelo professor de química Robert L. Wolke, no livro “O que Einstein disse a seu cozinheiro”.
Tal abordagem, em forma de perguntas e respostas, tem paralelo com
a personalidade do cientista mais popular de todos os tempos.

A não-conformidade e a curiosidade do físico alemão (depois suíço naturalizado e cidadão americano) marcaram a sua trajetória desde que ele indagou-se, aos 5 anos de idade, que fenômeno era aquele que impelia a agulha da bússola sempre na mesma direção. Persistente, estudioso e disciplinado, seria também de finos tratos gastronômicos o ícone da genialidade?

De fato, não. Mesmo tendo lá suas idiossincrasias, gostava de fumar, ser fotografado e manter os cabelos desgrenhados, tocava violino e jamais usava meias, Albert Einstein foi essencialmente um homem de costumes simples, apaixonado pela mesa de trabalho, não pela mesa da cozinha.

Embora apreciasse pão, espaguete e pastel de fígado de spätzle (massa alemã), ele tinha outro tipo de massa em mente, a massa inercial. Aquela que entrou como ingrediente na mais famosa equação científica do século XX: E = mc2. Energia é igual à massa vezes a velocidade da luz, ao quadrado. Estabelece a equivalência quantitativa da transformação da matéria em energia, e vice versa.

O conceito base para o desenvolvimento da energia atômica e para a explicação do Big Bang. No entanto, o que lhe rendeu o Nobel de Física em 1921 foi a descoberta do efeito fotoelétrico, o mesmo que permite a abertura de portas automáticas com a aproximação de uma pessoa. Como judeu, Einstein chegou a adotar a comida kosher, ao contrário da família não dogmática.

Mas conforme mergulhou nos estudos e livros, foi largando a fé judaica, ainda na adolescência. O que não impediria que ele fosse convidado, décadas depois e famoso, para ser o segundo presidente de Israel. Como universitário, tinha jantares frugais. Ovos, salsicha, queijo gruyère, frutas e chá. Chegou a ser apresentado pelos companheiros ao caviar, e disse que não saberia valorizar devidamente a iguaria por causa da sua origem camponesa. Mais tarde, casou-se.

sociedade-da-mesa

Duas vezes. Teve períodos de ermitão e alimentação irregular. Perdeu peso, adoeceu. Tudo parece que melhorou a partir da união com a prima Elsa Lowenthal, a segunda cônjuge, que cuidava dele como mãe. Em dada ocasião, Einstein falou: “Vivo tão mergulhado no trabalho que às vezes me esqueço de almoçar”.

Bem, Elsa não esquecia. Evitava importuná-lo enquanto ele estava entre cálculos e papéis; contudo, não deixava de tentar agradá-lo preparando seu prato predileto: sopa de lentilhas e salsichas. Muito provável que o gênio com cara de louco, e QI 160, curtisse a receita porque poderia convertê-la em energia rapidamente, no estúdio mesmo, para logo devorar limites, derivadas e integrais de sobremesa.

A sopa de lentilhas, típica da culinária do Oriente Médio, admite infinitas variações em infinitos recantos do planeta. Muitas vezes leva vegetais ou carnes. Na Alemanha, é bastante comum o “Lisen, Spätzle & Saitenwürstle” – a sopa de massinha com lentilhas agridoces e salsichas de Frankfurt. Sim, Einstein comia carne, apesar de simpatizar com a filosofia vegetariana. Só entregou-se a ela no fim da vida, para tentar aliviar os problemas estomacais que o afligiam desde a década de 1920. “Então, eu estou vivendo, sem gorduras, sem carne, sem peixe, mas estou me sentindo muito bem desta maneira. Sempre me pareceu que o homem não nasceu para ser um carnívoro”.

A 18 de abril de 1955, virou poeira cósmica, falecendo em Princeton. Um ser de inteligência extraordinária, que também saboreava morangos e visitou o Brasil em 1925. Elogiou a goiaba que experimentou no café da manhã do Hotel Glória. Apesar das advertências, dizem que não mediu a mão com o tempero de pimenta ao comer vatapá. Queimou a língua, começou a suar, e engoliu uma refrescante salada de folhas o mais próximo que conseguiu da velocidade da luz.

Conheça as vantagens de fazer parte da Sociedade da Mesa, clube de vinhos! Associe-se!

Receita de Sopa Alemã de Lentilhas

Rendimento: 6 porções ou 11 xícaras.

Ingredientes:
• 4 fatias de bacon
• 2 cebolas médias, cortadas em fatias
• 2 cenouras médias, cortadas em fatias
• 1 xícara (chá) de salsão, cortado em fatias
• 1 osso de paleta defumada ou pernil
• ½ kg de lentilhas
• Sal e pimenta-do-reino a gosto
• ½ colher (chá) de tomilho seco
• 2 folhas de louro
• 8 xícaras (chá) de água quente
• 2 colheres (sopa) de suco de limão

Modo de Preparo:

Em uma panela com capacidade para 5 litros, frite o bacon até que fique ligeiramente dourado, em fogo  médio, e puxe-o em um lado da panela. Adicione as cenouras, as cebolas e o salsão, e cozinhe até que fiquem macios em fogo médio, por cerca de 5 minutos. Junte o osso de paleta ou pernil, as lentilhas, sal e pimenta a gosto, o tomilho, o louro e a água. Tampe e cozinhe em fogo brando por cerca de 1 hora, ou até que as lentilhas estejam macias. Elimine as duas folhas de louro. Retire o osso, coloque-o em uma tábua e corte toda a carne que estiver grudada nele, em pedacinhos. Coloque a carne de volta na panela, junte o suco de limão, verifique o sal e sirva.

Texto: Fábio Angelini

Faça parte do nosso clube: vinhos selecionados por uma rede mundial de especialistas, entregues na porta de sua casa, por preços até 40% abaixo dos praticados no mercado! Associe-se!

 

Deixe uma resposta