Pinhão, o sabor do frio do sul

pinhao

O pinhão (semente da Araucaria angustifolia) é um tanto esquecido, mas não deveria ser. Esta árvore conífera brasileira, aqui há mais de 200 milhões de anos, já matou a fome de muita gente, desde o Paleolítico.

Os índios consumiam-no em forma de paçoca, socado no pilão; os imigrantes eslavos assavam-no na própria folha do pinheiro; e os colonos italianos transformaram-no em farinha para pães e massas.

Já os paranaenses, transformaram-no em símbolo. “Curitiba” vem do tupi-guarani “curi”, que significa “muito pinhão”. Existem outras cidades no Estado que o homenageiam: Pinhão, Araucária, Pinhais.

O entrevero (pinhões com frango, linguiça, pimentão, cebola e cenoura) é comida típica de Santa Catarina. Infelizmente, a espécie foi reduzida a uma fração, está em risco de extinção. Claro que ainda temos o pinhão como base de várias comidas. Sopas, pratos com frango, carne vermelha ou arroz, suflês, rocamboles, pudins, broas, tortas, bolos e biscoitos.

No sul do país, o alimento é bastante tradicional e enseja a realização de animados festivais. Nas festas juninas, ele também bate o ponto. Realmente, é melhor consumir o pinhão entre o outono e o inverno, quando está mais fresco, nutritivo e barato. Cozido na panela de pressão ou sob novos métodos de preparo. Pelas suas propriedades funcionais e versatilidade, vale um lugar à mesa.

ENTRE OS MAIS RICOS E PODEROSOS
Pinhão é a designação genérica de numerosos tipos de araucariaceaes e pinaceaes. Os pinoli mediterrâneos (do Pinus pinea) pertencem à elite gastronômica (ah, o inesquecível pesto genovês), com valor proteico comparável ao de um bife. Mas a semente do pinheiro do paraná tem o seu encanto e sabor característicos.
A polpa substancial com um pouco de sal, que vira aperitivo ou lanche. Acompanhando batatas, farofas, saladas, chocolate ou camarão. Assado ou em cubos, protagonista da receita ou não. E na forma de
farinha, que substitui a de trigo.

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Hoje em dia, estão chips e barras de cereais suas qualidades nutricionais, que não são poucas. Zero de glúten, baixo índice glicêmico, alto teor de fibras, proteínas e energia. Mesmo sendo rico em gorduras, possui o ácido linoleico, um eficiente agente de supressão do apetite. Neste sentido, o pinhão é estratégico para combater os assaltos noturnos à geladeira. Outro destaque é a presença do antioxidante luteína, que reduz o risco de doenças oculares, entre elas a catarata. Sem mencionar as vitaminas e minerais que entram na composição da semente.

• POTÁSSIO: ação diurética que auxilia na redução da pressão arterial e no controle da frequência cardíaca.
• FÓSFORO: ajuda a preservar a saúde dos ossos, a regenerar os tecidos e regular o pH sanguíneo.
• MAGNÉSIO:
contribui para a formação óssea, o alívio da fadiga e da tensão muscular.
favorecem o bom funcionamento intestinal e a sensação de saciedade.
• VITAMINA C: tem propriedades antioxidantes, imunológicas e aumenta a absorção de ferro.

As restrições de consumo limitam-se às crianças menores de dois anos e pessoas com algum tipo de alergia ou intolerância ao produto. Anote aí: em 100g de pinhão (cerca de 10 unidades) há 174 calorias, energia geralmente sufi ciente para as atividades diárias rotineiras. Recomenda-se não ingerir mais do que isso. Pode ser cozido e servido de maneira isolada, em um cordeiro ao molho de pinhão, assado na fogueira (sapecada de pinhão), ou vindo de outra receita doce ou salgada que salte aos seus olhos.

Texto: Fábio Angelini

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