O Fuet não se foi

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shutterstock_455801617Quando a batedeira planetária aterrissou nas cozinhas, na aurora do século XX, causou o maior fuá no mundo do fuê. Ou fouet, como defendem os puristas. Estaria o famoso batedor de arame condenado à extinção? Bem, apesar do impacto profundo, ele sobreviveu. Mas começou a cair em desuso. Muita gente preferiu trocar o jeito manual de misturar ingredientes pela inovação motorizada. No entanto, o fouet ainda habita os ambientes doméstico, profissional e comercial.

Conhecido como batedor de claras, batedor de ovos e chicote de cozinha, ninguém sabe ao certo em que momento ele foi inventado. Existiu algo parecido na China, para bater chá. As primeiras pistas palpáveis sobre a sua origem vêm do século XVIII, quando não era incomum utilizarem maços feitos de galhos de árvores como batedores. Uma das receitas dizia assim: “Corte um punhado de ramos de pessegueiro, que são cheios de seiva nesta época do ano. Amarre as pontas e bata a massa de bolo com ele. Isto vai dar um sabor delicado de pêssego para o bolo”.

Outras fontes anunciam que o batedor de arame é uma criação do século XIX, bolada pela física Arianna Kalkandis. Diz-se, até, que a engenhoca teria nascido juntamente com a confeitaria fundamental da França. O termo francês “fouet” significa “chicote, açoite”, em alusão ao impulso forte e veloz exigido para misturar líquidos, cremes, molhos e massas. Por lá, encontramos em qualquer esquina o “fouet à blancs”, que bate claras de ovos, e o “fouet à sauce”, mais comprido e duro, para molhos.

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O auge deste simples, porém versátil utensílio, aconteceu em 1963. Teve os 15 minutos de fama durante o programa de TV de Julia Child, escritora, cozinheira e apresentadora que o usou para promover seu novo livro, “Dominando a Arte da Culinária Francesa”. Já popular na Europa, o fouet conquistou os lares americanos e foi batizado de “whisk”. Na tradução, “movimento rápido e repentino”.

Rápida foi a maneira como as diversas funcionalidades do fouet assumiram novas versões, fazendo a alegria de profissionais, chefs e amadores que curtem cozinhar:

Fouet clássico: serve para bater líquidos e misturas secas.
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Fouet de molho: tem o corpo mais alongado e não agrega tanto ar. Mais indicado para molhos e cremes.

Fouet plano: especialista em pequenos volumes e preparos que incluem produtos delicados, como ervas. Ótimo para omeletes e ovos mexidos.

Fouet bola: exige menos esforço para aerar misturas, pois tem uma pequena bola de cerâmica entre os fios de metal, que ajuda a dissolver pelotas. Excelente para bater claras em neve e mousses com rapidez.

Fouet de emulsão: usado para agregar volume rapidamente, quando a preparação já está pronta. Próprio para vinagretes, massas de crepe, maionese.

Mini fouet: preparo de coquetéis e bebidas, como o chocolate quente. Pelo seu tamanho reduzido, entra em copos e xícaras.

Antes desse coringa, como é que se fazia mesmo para obter claras em neve na consistência ideal? No garfo? E como se salvava aquele molho bechamel magnífico, que teimou em empelotar?

Mais do que misturar e homogeneizar, o fouet incorpora o ar que a mistura necessita para crescer, ficar mais leve e com textura. Do chantilly ao suflê, da panqueca ao brigadeiro. Dá mais trabalho do que uma batedeira? Claro que dá. Mas dá mais prazer também, sentir que o controle está em suas mãos. E no final do processo, com os músculos do antebraço em brasa, lamber as sobras agarradas nos fios espiralados de inox ou silicone.

Inconveniente é limpar, sempre. Fouet ou batedeira.

Texto: Fábio Angelini

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