Vinho de Toro, talvez o primeiro vinho bebido no continente americano

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ToroToro é uma das regiões vitivinícolas da Espanha, que retornou com força nos últimos quinze anos, com um vinho tinto gostoso e potente baseado na uva autóctone Tinta de Toro, sinônimo local da Tempranillo. Os vinhos começaram a mostrar seu potencial depois que uma nova geração de enólogos qualificados começou a trabalhar na região. Além de um investimento na renovação de bodegas, que até então elaboravam vinhos de maneira rudimentar e com equipamento obsoleto.

Situada ao sudeste da província de Zamora e sudo­este da província de Valladolid; a Denominação de Origem Toro engloba parte dos distritos de Tierra del Vino, Valle del Guareña e Tierra de Toro, além de Tierra del Pan e Tierra de Campos, no extremo ocidental da região de Castilla y León.

Terra tradi­cional de vinhedos com história. Séculos de cultura vitivinícola fazem que a vida nesses povoados gire em torno da cultura enológica. São povoados e aldeias onde as bodegas tradicionais emergem da terra nas colinas e ladeiras. E onde se elaboram vi­nhos que, até há pouco tempo, eram produzidos de maneira artesanal, com uma opulência e rusticidade que deram fama a estas terras.

Desde a época romana e ao longo dos séculos XII e XIII, os vinhos de Toro foram objeto precioso de mercado, gozando inclusive de privilégios reais. Assim, durante o reinado de Alfonso IX, o vinho de Toro era o único estrangeiro que tinha entrada permitida na cidade de Sevilla. Ao longo da história, o valor do vinho de Toro surgiu principalmente por sua graduação e corpulência. Características que faziam dele um vinho duradouro, que permitia ser transportado para o exterior. Isso explica que esse tenha sido o vinho que acompanhou Cristóvão Colombo às américas, tanto que “La Pinta”, uma das caravelas, foi batizada desse modo pelo Frei Diego de Deza, confessor da rainha Isabel, em referência a uma medida de capacidade que se utilizava em Toro. E que, ainda hoje, utiliza-se como expressão coloquial para se referir a um trago de vinho.

Já no século XIX, com a chegada da filoxera na Europa, Toro converteu-se em uma região exportadora de vinhos, principalmente para a França. A invasão da praga afetou somente uma pequena porção do vinhedo da região. O que a converteu em uma referência na exportação de vinhos, já no princípio do século XX.

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Os vinhos de Toro, então, sofreram um grande retrocesso. Suas qualidades nobres, sua graduação e corpulência não se encaixavam mais no merca­do, que foi demandando vinhos mais finos e mais elegantes, comprometendo seu futuro. Observando essa realidade; já na década de 1970, e convencidos de que a alta graduação daquela Tinta de Toro não era intrínseca à variedade, mas sim à sua captação tardia. Alguns viticultores começaram a adiantar a vindima em quase um mês, fazendo a colheita da uva em um momento ótimo de maturação, e redu­zindo a sua graduação de 16-17ºC para os 13-14ºC. Fato que a tradição da região demorou a entender. Mas a verdadeira revolução e impulso de Toro deu­-se em 1987. Com a aprovação da Denominação de Origem que engloba 16 termos municipais da região, pertencentes às províncias de Zamora e Valladolid.

O reconhecimento mundial dos novos vinhos de Toro converteu a Denominação de Origem em ponto de mira, não somente de compradores, mas também de um grande número de investidores no setor vinícola. Alguns dos mais prestigiosos analis­tas desse mercado no mundo não hesitam em situar Toro entre as dez regiões vitivinícolas mais interes­santes dos próximos anos.

A viticultura de Toro, como não poderia ser diferente, tem nos solos o fator mais importante – estão formados pela desintegração de arenito, argila e calcário, resultando em solos pardos e pedregosos. Os rios que moldaram estes solos são: Duero; Guareña; Talada e Hornija, responsáveis pela configuração geológica da região. Estes solos da D.O. Toro, graças à sua formação, majoritariamente, não apresentam problemas com a filoxera, tal como acontece em outras regiões, como Yecla (no Levante Espanhol) ou algumas regiões do Chile.

uvasO Clima da D.O. Toro é também responsável por marcar o seu caráter. Um clima continental com alguma influência do Atlântico, onde os invernos são frios e com fortes geadas. E os verões são de temperaturas muito altas, com mudanças bruscas entre o dia e a noite. As precipitações médias na denominação situam-se entre 370 e 410mm.

Esta combinação singular de clima e solo proporciona uma maturação da uva antecipada. E isso permite uma concentração maior das qualidades, além de uma extensa gama de aromas frutais e florais; que vem trazendo mais reconhecimento aos vinhos e recuperando o prestígio de outras épocas.

Falar da Denominação de Origem Toro é falar das Bodegas Fariña. Uma bodega pioneira no ressurgi­mento desta região vitivinícola, que vem alcançando nos últimos anos o espaço que merece. O que torna a D.O. Toro interessante são três fatos indiscutíveis: a alta qualidade e personalidade de seus vinhos; o cará­ter inconfundível de sua varietal – a Tinta de Toro. E a idade média de seus vinhedos, que supera 50 anos. Trata-se do mix perfeito para elaborar grandes vinhos, como este que estamos apresentando neste mês: Gran Colegiata Lágrima 2013.

Texto: Alberto Pedrajo

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