Parasitas do vinhedo. A terceira grande praga o mildiu

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O mildiu – ou míldio – (Plasmopora vitícola) é outra das grandes pragas do vinhedo. Trata-se de uma doença criptogâmica da videira, ainda que seja habitual em muitos outros cultivos. Recebe o seu nome da adaptação fonética “mildew” – palavra de origem inglesa que significa mofo. Assim como o oídio e a filoxera, o mildiu teve sua origem no continente americano.

Essa doença foi detectada pela primeira vez na França por Planchon, em 1878. Ao final do século XVIII, surgiram focos de mildiu muito importantes, que resultaram em graves danos aos vinhedos europeus.

O desenvolvimento do fungo é favorecido pela umidade e temperaturas superiores aos 12ºC. Essas condições facilitam o crescimento rápido, atacando todos os órgãos verdes da videira. O ciclo de vida deste fungo é muito complexo. Durante o inverno, sobrevive em uma estrutura conhecida por oospora ou, se o inverno for suave, em forma de micélio dentro das gemas ou nas folhas persistentes da videira. Na temperatura de 12ºC, a oospora germina e forma um esporângio, que pode espalhar esporos pelo vento.

Para que um esporângio germine é necessária a presença de terra molhada. Assim se inicia seu desenvolvimento e invasão na planta. Por isso, seu surgimento está sempre vinculado a condições de umidade alta e temperatura média. Sem dúvida, o cultivo de vinhedos em um país como o Brasil, com uma temperatura média superior a 12ºC durante todo o ano, e altas umidades, restringe as áreas de cultivo no País.

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Sintomas na folha
Reconhecer o aparecimento do mildiu no vinhedo é fácil. Basta que se observe uma espécie de mancha de azeite na parte superior da folha. Já na parte de baixo, encontraremos um pó esbranquiçado. Com o tempo, essas manchas necrosam e deixam a cepa sem folhas, caso não sejam tomadas atitudes rápidas.

Sintomas nos talos
Acontece uma necrose nos talos, principalmente quando são tenros. Produz-se uma dessecação parcial ou total no talo. Para isso, as condições ambientais e a intensidade do ataque devem ser fortes.

Sintomas no cacho
Os problemas ocasionados pelo mildiu no cacho são, sem dúvida, os piores. Os cachos, antes da floração, são muito sensíveis aos ataques do fungo. Por isso, um controle tardio da doença pode terminar com a perda da produção.

Se os cachos são atacados na parte do raque, eles curvam e secam parcial ou totalmente. Se a doença se estende ao pedúnculo, pode afetar a totalidade do cacho. Estando os bagos em formação (do tamanho de uma ervilha), a doença manifesta-se por um enrugamento e dessecação do mesmo, ainda quando não há a presença de micélio sobre elas. Isso é chamado de mildiu larvado.

Seu controle exige tratamentos periódicos, que dependerão da climatologia do ano e da região em que está situado o vinhedo. Quanto mais úmida a região, maior será o número de tratamentos. A vegetação densa e baixa, e a irrigação, favorecem o desenvolvimento da doença. Tradicionalmente a doença era combatida com a famosa calda bordalesa, à base de sulfato e de cobre.

Hoje em dia existem produtos muito mais eficientes, que se aplicados de maneira adequada, permitem controlar a doença de maneira preventiva. Das antigas sulfatadoras de mochila que se levava às costas, passamos a modernos pulverizadores suspensos e puxados por tratores, reduzindo notavelmente as horas de trabalho, facilitando muito o tratamento e melhorando sua eficácia.

Texto: Alberto Pedrajo

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