Se ignorarmos o fato de que o tomate é uma fruta, a banana é a mais pronunciada e requisitada em feiras, quitandas, mercados, exportações e consultórios pediátricos. Banana que é consumida há milhares de anos, que é mencionada em textos budistas de 600 a.C., mas que só encontrou sua atual identidade etimológica na língua árabe: “banan” quer dizer “dedo”. Uma alusão à sua forma alongada. Depois, ela ganhou a vogal “a” no final, após desembarcar na África Ocidental.

E não é que o mundo todo degustou e gostou da palavra? Assim, a banana é conhecida como banana em praticamente todos os idiomas, com poucas exceções. Em alemão e francês é “banane”, em holandês é “banaan”. Comercialmente falando, o termo banana diz respeito às frutas de polpa macia e doce que podem ser consumidas cruas, o tipo que é mais corrente em nosso dia a dia. Há outras variedades de cultivo, de miolo mais rijo, casca mais dura e verde, mais palatáveis quando assadas, cozidas ou fritas. São as “platains” inglesas, ou as bananas-pão portuguesas, ou os plátanos espanhóis.

No Norte e Nordeste do Brasil, não é raro ouvir os sinônimos indígenas “pacoba”, “pacova”, “paková” e afins. Vêm do tupi-guarani “pakóua” ou “pa’kowa”, o mesmo que banana. Cabe uma distinção, porém: na região amazônica, pacovã é a locução específica para indicar a banana- da-terra nativa, geralmente apreciada em mingaus e tapiocas, dourada na manteiga com mel ou farinha, assada na brasa ou cozida no vapor. Patrimônio culinário. Quanto ao seu nome científico, “Musa sapientum”, diz respeito ao hábito ancestral dos pensadores da Índia, que saboreavam a fruta no sarau. Quer dizer “árvore dos sábios”.

Já o termo “República das Bananas” foi cunhado pelo escritor americano William Sydney Porter, no conto “O Almirante”, de 1904. Ele o inventou para designar a Anchuria, lugar fictício possivelmente inspirado em Honduras, onde o autor morava à época em que criou a obra. A expressão acabou assumindo uma dimensão maior, política e jocosa, em referência a países marcados pela monocultura, corrupção governamental e dependência de empresas estrangeiras. Seguindo a mesma cartilha, está aquele indivíduo taxado como “banana”. Alguém muito mole, sem atitude, sem coragem. Um tremendo pacova, um moleirão.

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RADIOATIVA, EU?
O Alcorão diz que a bananeira é a “árvore do paraíso”, sem entrar em detalhes botânicos. Afinal, há quase mil tipos, que variam em sabor, cor, aroma e aspecto. Banana-prata, a mais indicada para preparar a banana-passa; a banana-ouro, menor das espécies plantadas por aqui, mais calórica, docinha e gostosa para o consumo in natura; a digestiva e macia banana-maçã, preferida das mamães e seus bebês; a banana-nanica, campeã nacional de vendas, cuja consistência permite que substitua os ovos numa receita de bolo. De nanica, na verdade, ela não tem nada. Costuma ser grandinha. O apelido existe por causa do porte diminuto da sua respectiva bananeira.

Falando em tamanho, a “Musa ingens” cresce nas florestas da Nova Guiné, até alcançar meio metro de comprimento e um quilo. Um banana boat, dos bons, acomoda até 10 passageiros e flutua que é uma beleza. E a banana-azul, ouviu falar? A “Decaisnea fargesii” é realmente diferente: casca no tom índigo, polpa gelatinosa e sabor semelhante ao da melancia. Peculiar também é o jeito do americano indicar frações de bananas: uma unidade é “one finger”; entre 15 e 20 unidades, é “one hand”.

Palavra inspiradora essa. Nome de série de televisão infantil (Bananas de Pijamas), de grupo musical inglês (Bananarama) e de sobremesa, claro (banana split). E a banana, que é naturalmente radioativa (possui o isótopo potássio-40), virou até unidade de medida de radiação: BED, “banana equivalent dose”. Corresponde à quantidade de radiação a que uma pessoa se expõe quando come uma banana. Forma popular que os cientistas encontraram para facilitar o entendimento do que é, em escala de radioatividade, nocivo ou não.

Mas não se preocupe. Seriam necessárias toneladas de pencas de bananas para o seu organismo soar o alarme. Se você encarnasse o insaciável personagem do game Banana Kong, aí já seria outro papo.

Texto: Fábio Angelini

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