O boom do turismo enológico

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Cada vez mais turistas deslocam-se em torno de vinícolas com o propósito de conhecer; desfrutar e compartilhar experiências em torno da cultura do vinho.

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É curioso ver como o mundo do vinho nos fascina a tal ponto, que somos capazes de englobá-lo como uma atividade dentro das nossas férias. Acontece que, por trás de uma taça de vinho, não há somente vinho. Há também paisagens; pessoas; gastronomia e, principalmente, muita história e paixão. Isso é o que faz atrativo o setor do enoturismo: a possibilidade de desfrutar da nossa bebida favorita em um entorno icônico e relaxante.

Podemos dizer que o enoturismo é uma atividade relativamente recente, tanto que algumas regiões vitivinícolas apoiam o setor de maneira muito tímida, o que poderia ser considerado uma irresponsabilidade, porque esta ferramenta, hoje em dia, é imprescindível para a comunicação e divulgação dos vinhos, potencializando a riqueza vitivinícola da região, que por sua vez, interage de modo direto com outros tipos de turismo, como o gastronômico, o cultural, o de “wellness”, gerando potentes sinergias.

Em Napa, no final de década de 1950, enquanto a maioria das bodegas continuavam sendo unicamente instalações destinadas à elaboração do vinho, um reduzido número de bodegas deu as boas-vindas ao público, ampliando suas instalações e serviços para além das áreas de produção. As bodegas começaram com tours pelos vinhedos; eventos de harmonização entre comida e vinho e, é claro, catas dirigidas por profissionais especificamente treinados para aquela atividade, os quais expunham, com vocabulário acessível, as características e particularidades dos vinhos degustados. Tudo isso foi potencializando o progressivo interesse que o neófito consumidor norte-americano de classe média mostrava pela cultura do vinho.

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Mas o grande impulso chegaria pelas mãos da Bodega Robert Mondavi; que transformou o desenho das bodegas. Ele fez isso através de uma arquitetura que procurava ir além das capacidades produtivas da bodega. Dando início não apenas ao enoturismo, mas também ao turismo industrial em geral. Mondavi dotou a sua nova bodega de salas de degustação; espaços para eventos e salões para seminários; cozinhas profissionais; galerias de arte e algo ainda mais chamativo: um amplo espaço para estacionamento de carros e ônibus de visitantes. Foram muitas as bodegas no vale que seguiram o seu exemplo e se abriram para o público.

São muitas as propostas atualmente para fazer enoturismo. O que faz deste um modelo rico e dinâmico, que permite ser adaptado por diferentes regiões vitivinícolas onde, ocasionalmente, a gastronomia é uma ferramenta potente, ou mesmo em outras atividades na natureza, proporcionando simplesmente uma desconexão com nossa rotina do século XXI.

Não podemos esquecer que, na origem, os principais atrativos do enoturismo são, fundamentalmente, o vinho e seus caminhos. Um passeio entre os vinhedos para descobrir as condições e características de cada “terroir”, para terminar com uma visita à bodega, onde se desfruta da arquitetura e se aprende sobre o processo de elaboração do vinho, desde a vindima até o engarrafamento.

O enoturismo é uma oportunidade para que o aficionado aproxime-se da cultura e conhecimento do vinho. Mas se existe algo que as bodegas devem entender, é que se trata de uma ferramenta de marketing que brinda a possibilidade da bodega se fazer conhecer; de ressaltar os valores e atributos; tanto os seus quanto os da região. Ajudando no seu posicionamento e influindo na percepção dos consumidores, para incrementar a venda direta, o comércio local e também outros produtos e regiões vitivinícolas, por um custo baixo.

Assim, o enoturismo é uma ferramenta que promete muito, e deve ser cada vez mais explorado como atitude positiva para incrementar a visibilidade das bodegas.

Texto: Alberto Pedrajo
Tradução: Paula Taibo

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