Yecla, viticultura de pé-franco

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A região vitivinícola de Yecla está situada ao sudeste da Espanha, na região de Murcia, limitada pelas províncias de Albacete e Alicante. Sua localização geográfica fez dela, ao longo do tempo, uma encruzilhada de caminhos. Limite entre reinos a partir dos quais seus vinhos percorreram o país e o Mediterrâneo, desde que os primeiros vinhos foram elaborados pelos fenícios na região.

A viticultura de Yecla está situada entre 400 e 800 metros acima do nível do mar. Com um clima continental e solos profundos, pobres em material orgânica e permeáveis, formados principalmente por pedras calcárias, embora também seja possível encontrar-se terrenos arenosos e argila calcária. Foram essas características de solo que protegeram esses vinhedos da temida filoxera, no final do Século XIX.

A praga da filoxera marcou o antes e o depois da história vitivinícola do planeta. Esta praga provocou uma grave crise vitícola na Europa a partir de 1869. O inseto foi descoberto em estufas perto de Londres e cinco anos depois atacou o primeiro vinhedo em Bordeaux. Começaria então o maior desastre vitivinícola da história. Depois da França, sua propagação foi a galope: Portugal, Alemanha, Itália, Espanha… até alcançar todas as regiões vitivinícolas. Não foi possível erradicar nem controlar o parasita. Foram necessários 30 anos para superar a praga, graças ao uso da técnica que consistia em enxertar uma videira europeia em raízes americanas resistentes ao inseto. Esta técnica, que se chama “pé de vide americana”, estendeu-se pelas diferentes regiões afetadas. Essas vides foram chamadas de “pé-americano” e seu uso espalhou-se para todas as regiões, como alternativa de luta contra a praga. Hoje em dia, o cultivo do vinhedo sobre o porta-enxerto é majoritário no mundo, mas ainda existem vinhedos livres do enxerto “pé-americano”. Eles são denominados “pé-franco”.

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O “pé-franco” ou “pé-direto” é um vinhedo não enxertado, no qual não há variedade e tudo é uma mesma cepa. Essas cepas saudáveis também são conhecidas como “prefiloxéricas”. Mesmo que não seja sempre assim. É fácil confundir vinhedos de “pé-franco” e dizer que são “prefiloxéricos”. Nem todos o são. Existem regiões onde a filoxera não devastou o vinhedo e os viticultores da época se aventuraram, plantando suas melhores cepas como haviam aprendido com seus ancestrais. O replantio dos vinhedos europeus com vides de “pé-americano” é a razão pela qual hoje em dia a maior parte da produção vinícola europeia procede de cepas de origem americana.

Mas a região de Murcia, graças às suas condições edáficas, foi afetada em menor grau pela praga, que chegou em 1911 aos municípios de Jumilla e Yecla. Enquanto em toda Europa a doença destruía os vinhedos, os solos de Yecla frearam o desenvolvimento do inseto, com danos menores em comparação a outras regiões devastadas. Esta situação permitiu uma importante massa vitícola sobre pé-franco nos vinhedos da região de Yecla.

O que nos oferece um vinhedo de “pé-franco”?
O “pé-franco” é, como já explicamos, uma vide não enxertada. É uma única planta – uma mesma cepa. Isso faz com que o vinho de “pé-franco” apresente sua variedade em estado puro. A principal vantage está no sistema vascular único. A raiz principal é capaz de penetrar a uma grande profundidade e extrair os minerais. A portando singularidade e obtendo vinhos de alta qualidade de suas bagas. Esta excelência e exclusividade fizeram que estes vinhos fossem convertidos em verdadeiras joias do panorama enológico.

Texto: Alberto Pedrajo
Tradução: Paula Taibo

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