Barossa, a importância do conhecimento

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A Austrália, país continente, é, por sua dimensão, um país de contrastes. Seus vinhedos provavelmente estão expostos ao clima mais quente de todas as regiões vinícolas do Novo Mundo. Mas ao mesmo tempo o país oferece-nos uma das viticulturas mais frias e extremas na região da Tasmânia.

Como o principal clima é bastante quente e seco, seus vinhedos são geralmente irrigados, o que faz com que o desenvolvimento das uvas seja geralmente muito estável e, consequentemente, seus vinhos tenham a tendência a manter uma homogeneidade a cada colheita. Mas como em outras regiões do Novo Mundo, os viticultores e enólogos australianos levam anos trabalhando na diferenciação de seus vinhos, procurando, a cada passo, uma diferenciação que lhes permita chegar a romper esses padrões.

Barossa, na Austrália Meridional, é uma das regiões produtoras de vinho mais antigas do país e se encontra entre as melhores do mundo. Conhecida mundialmente por sua Shiraz e por algumas bodegas de grande prestígio, foi povoada originalmente em 1842 por imigrantes europeus, conservando ainda, em seus povoados e cidades, essa lembrança do Velho Mundo.

O vinho tem sido um meio de vida em Barossa desde que os primeiros vinhedos, em meados do Século XIX começaram a transformar a paisagem da região. Durante décadas, a expansão vitícola da região foi constante e uniforme, mesmo que nem sempre com sucesso.

Mas o povo de Barossa tem sido fiel à sua tradição vitivinícola. E isso permite que, atualmente, muitas famílias mantenham seus vinhedos desde o princípio. Hoje em dia, Barossa é formada por mais de 550 famílias dedicadas ao cultivo do vinhedo, a maioria delas descendentes dos pioneiros viticultores da região, abastecendo mais de 170 bodegas.

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Barossa é uma referência na Austrália. E soube encontrar o caminho para se conhecer melhor e buscar a diferenciação de seus vinhos desde o vinhedo. Aqui, os enólogos e viticultores procuram dotar seus vinhos com o caráter que a terra onde são cultivados imprime. São vinhos com uma personalidade que, sem dúvida, está em seu “terroir”. Em um país onde a qualidade não é discutível, mas a personalidade ocasionalmente cansa pela mesmice.

Há algo muito especial em Barossa. Uma força que une seu povo com a terra, na procura pela essência e pela origem. Lá eles se sentem mais do que viticultores. Mais do que bodegueiros. E esse é o caminho para alcançar a conexão com o terreno; com a natureza. Nada melhor que o cultivo do vinhedo e do vinho como interpretação do “terroir”, para manifestar essa aliança entre o homem e a natureza em uma região de viticultura tão extrema.

Nessa busca por identidade, em 2008 Barossa iniciou um projeto para avaliar as variações de estilo de vinho por suas diferentes sub-regiões. Com a junção de diferentes entidades, importantes cientistas, viticultores e críticos de vinhos, além dos enólogos mais importantes de Barossa. Foi possível realizar um estudo mais aprofundado dos solos e das particularidades dos microclimas, aproximando-se dos vinhedos, e de sua classificação e forma de cultivo.

Este trabalho possibilitou que os vinhos da região continuassem escalando novas posições. E, ao mesmo tempo, reforçassem uma identidade própria que já existia; de forma a se diferenciarem.

Texto: Alberto Pedrajo
Tradução: Paula Taibo

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