O ser humano suporta dias e dias sem comida, não sem água. E uma casa, e a cozinha de uma casa, se não são inteiramente dependentes do precioso líquido, são quase. Água de beber, de ferver, de lavar, de nutrir, de banhar, de cozinhar, de hidratar, de regar. Apesar do planeta ser coberto por 70% de água, sendo 2,5% dela, água doce, saber que a escassez não tarda faz a humanidade suar frio.

Engenheira de materiais, a carioca Nadia Ayad tinha o assunto inundando seus pensamentos, quando inventou um sistema de dessalinização de água que lança mão do grafeno, derivado emergente do carbono. Com o dispositivo de Nadia, seria possível reduzir a ameaça sobre as fontes hídricas, economizar energia e expandir o acesso à água potável.

Desde a Antiguidade que o homem adota vários métodos de purificação da água. A fervura, que dizima a maioria dos micro-organismos; a filtragem com carvão de lenha, que absorve diversos compostos tóxicos; a destilação, que deixa a água quase que absolutamente limpa. Porém, muita água passou por baixo da ponte para se chegar a um filtro apoiado em energia magnética.

Em 9 mil a.c., potes comuns de barro apenas estocavam água, e após quatro milênios, os egípcios construíram a primeira represa. Eles próprios introduziriam técnicas de clarificação da água, aproveitando sulfato de alumínio, areia e cascalho para filtrá-la. Aristóteles deu a receita para se coletar, por destilação, água doce a partir da água salgada, mas somente após 1400 anos, a ideia ganhou força na Europa Ocidental com os mouros. O uso do cloro como agente desinfetante acontece em 1896, em uma cidade italiana. São Paulo, Rio e Minas iniciaram o processo de fluoretação de águas para abastecimento em 1951. E em 1998, uma conferência ambiental de Paris relatou: 25% dos terráqueos ainda não tinham acesso à água bebível.

Antes do fluido vital chegar às torneiras dos lares favorecidos, ele é captado, transportado, tratado, armazenado e enfim distribuído. Teoricamente, a chamada “água da rua” já vem pronta e adequada para o consumo. No entanto, apesar de toda a tecnologia empregada e dos atuais sistemas de desinfecção, não há garantias de que ela seja absolutamente isenta de substâncias nocivas. Pois é um longo caminho a percorrer, até alcançar as extremidades das tubulações domésticas. É aí que entram em ação os filtros de água.

Quando os egípcios fizeram as tentativas iniciais de gerar água pura por meio da ebulição, ou da colocação de instrumentos de metal quente na água, ou da filtragem com areia e carvão, a intenção era apenas melhorar seu sabor. Nunca ninguém relacionara água impura com doenças. O “pai da medicina”, pelo contrário, acreditava que a água dos aquedutos gregos estava longe de ser límpida. Então, projetou seu próprio filtro de saco de pano, a “luva de Hipócrates”.

Depois, surgiram filtros de lã e esponja, e durante toda a Idade Média, quase nada se avançou.

sociedade-da-mesa

EM BUSCA DA PUREZA
Com o Renascimento, veio a maravilhosa invenção do microscópio, escancarando a vida complexa – e em boa parte malfazeja – existente em uma única gota d’água. Em Londres, filtros de areia foram instalados e reduziram os casos de cólera. Em 1774, o cientista sueco Carl W. Scheele descobriu e formulou o cloro, germicida padrão que ajudou a derrubar a febre tifoide e a disenteria, disseminadas através de encanamentos públicos. Sabemos, hoje, que o cloro tem seu lado obscuro: se for demais, talvez cause câncer, doenças de pele e respiratórias.

Outros elementos contaminantes podem transitar incólumes. Daí a origem, a função e a necessidade de utilizar um bom filtro doméstico, principalmente em nossas cozinhas, para suprimir o máximo de impurezas e excessos. Do ponto de vista culinário, é fundamental usar sempre água filtrada em tudo o que se prepara, água incolor, inodora e livre (ou quase livre) do cloro, que também traz um prejuízo enorme de sabor a qualquer prato que se preze.

O velho filtro da vovó, o filtro de barro com câmara de cerâmica, é uma criação brasileira do início do século XX, e ainda considerado por muitos o mais eficiente de todos. Com índice de retenção em torno de 95% para cloro, pesticidas e outros minerais, e de 99% para os parasitas unicelulares causadores da criptosporidiose. O sistema é baseado na gravidade: a água percorre lentamente o filtro de carvão ativado e cai, gota a gota, no reservatório. Quando novo, o utensílio costuma passar aquele gostinho de argila, mas a água que fornece está sempre fresca. Apesar de reter grandes parcelas de sedimentos indesejáveis, e retirar sabores, odores e colorações, o filtro de barro não possui efeito bacteriológico. Já os mais modernos purificadores de água se comprometem a matar os bichinhos.

Quanto aos filtros de parede acoplados nas saídas dos encanamentos, são muito parecidos com os modelos de barro. Têm carvão ativado também, só que funcionam com alta pressão e seu elemento filtrante é menos poroso. O que pode ser bom para deter um número maior de partículas compactas. Tudo isso parece que vai ficar para trás, logo, logo. Certos reservatórios de primeiro mundo já trocaram o cloro pela tecnologia UV. Que protege a água de micro-organismos e adiciona sais minerais de forma natural. Os japoneses conceberam uma técnica com infravermelho longo, capaz de quebrar os “clusters” (as macromoléculas de água). E, assim, aumentar a eficiência do nosso organismo para absorver água e eliminar toxinas. Mesmo resultado se alcança quando a água é exposta a um campo magnético.

Na hora de escolher o filtro da sua cozinha, absorva o mais importante: procure por um selo oficial confiável, como o do Inmetro. E sirva-se de água potável de boa qualidade para beber, cozinhar ou preparar drinks. Claro que sempre se pode comprar uma Evian; San Pellegrino; Perrier ou uma cristalina Voss, dos desertos gelados da Noruega. Neste caso, o filtro é o seu bolso.

Texto: Fábio Angelini

Faça parte do nosso clube: vinhos selecionados por uma rede mundial de especialistas, entregues na porta de sua casa, por preços até 40% abaixo dos praticados no mercado! Associe-se!