Imagine colocar a pizza no forno, com embalagem plástica e tudo, e depois traçá-la despreocupadamente. Após duas décadas de pesquisas, a Embrapa Instrumentação anunciou o desenvolvimento de biofilmes comestíveis.

A película é feita de alimento desidratado combinado a um nanomaterial inerte, que dá liga ao conjunto. Tomate, espinafre, mamão, goiaba e fécula de mandioca são matérias-primas já testadas.

Além de possuir características físicas semelhantes aos filmes plásticos convencionais (resistência, textura e proteção), o produto abre um imenso campo, e em breve poderá nos fornecer desde sachês de sopas que se dissolvem em água quente, até sacos para aves já temperados.

Enquanto a inovação não desembarca nas prateleiras, o costumeiro filme de PVC transparente, papel-filme ou filme plástico, continua a prestar seus bons serviços de embrulhar, armazenar e conservar. É difícil topar com uma cozinha que não use e abuse do acessório, mas nem sempre foi assim.

A origem do rolinho de plástico remonta ao surgimento do PVC – o versátil policloreto de polivinila – e vem da evolução dos materiais poliméricos. Da mistura da resina base de PVC com outros inúmeros aditivos, obtemos uma gama infinita de compostos vinílicos, do mais rígido artigo de PVC ao mais flexível.

Em 1933, Ralph Wiley, que trabalhava na Dow Chemical Co., descobriu um composto que foi chamado de Saran, sintetizado pela polimerização das moléculas de cloreto vinílico. De início, a película foi utilizada como verniz para proteger aviões militares. Mais tarde, perceberam que a sua missão mesmo era ser uma gigante entre as embalagens. Afinal, apegava-se a praticamente qualquer material: tigelas, pratos, panelas e até a si própria. A Dow a introduziu no mercado em 1953. Logo virou a solução perfeita para manter o frescor das comidas.

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Prático e higiênico, o filme plástico tem múltiplos usos na cozinha. Envolve frutas, evitando seu escurecimento e a contaminação com outros odores, além de repelir possíveis agentes bacterianos infiltrados na geladeira; no freezer, congela as carnes e as conserva muito bem, desde que esteja por baixo do papel-alumínio; acelera os processos de marinagem e protege melhor itens ácidos, como o tomate e o morango; cozinha ou aquece a comida no micro-ondas de maneira uniforme, e serve para abrir massas, selar empadões e toda sorte de potinhos e sobras.

DICAS QUE GRUDAM
O plástico transparente guarda outras cartas na manga. Se você possui uma fruta já quase no ponto, isole-a com a película para impedir que ela apresse o amadurecimento das suas vizinhas. Para acelerar o processo, faça o contrário: vede a fruteira toda com o filme; assim, o gás etileno liberado pelas frutas fica ali capturado (ele é o responsável pela maturação). Precisa sair às pressas ainda com o suco ou iogurte na mão? É só abraçar o copo inteiro com o plástico e usar um canudo no caminho. Para evitar que o pote de sorvete cristalize no congelador, cubra-o com o filme e coloque a tampa por cima.

Agora, anote a receita do ovo poché ideal, com clara cozida e gema mole: forre uma tigela com a película de PVC, untando-a com um pingo de óleo ou azeite; depois, quebre o ovo dentro, sem explodir a gema; junte as pontas do filme como uma trouxinha, para cima, dê um nó e leve à água fervente por 3 a 5 minutos; ao final, retire o embrulho da panela e corte o plástico.

Curioso é que a principal qualidade do filme plástico – simular o vácuo protetor e permitir ver o estado dos produtos por transparência – é ao mesmo tempo fonte de irritação, já que ele adere sobre si mesmo e fica camuflado no rolo, transformando a busca pelas pontas em uma guerra de paciência. Eletrostática é a causa da aderência. Só que é muito fácil melhorar o manuseio: é só guardar na geladeira. A umidade impede que o filme embole.

Paira uma importante dúvida, no entanto. Estudos sugerem que o plástico (derivado do petróleo) libera toxinas, sob certas condições. Ao que parece, quando o alimento envolvido é muito gorduroso ou é aquecido, há uma maior taxa de migração de plastificantes para a comida, que seriam potencialmente prejudiciais à saúde. Embora não exista uma classificação oficial definitiva em relação ao assunto, a Anvisa estabelece que o material de PVC usando tais aditivos (como o adipato DEHA e o ftalato DEHP) não podem ultrapassar os 3% em massa, na composição da matéria plástica. Uma famosa marca nacional já foi pega em 2014, excedendo o limite.

A recomendação é grudar os olhos nos rótulos dos fabricantes, antes de escolher. Não custa nada se precaver.

Texto: Fábio Angelini

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