De volta às viagens do Chef Mochileiro, desta vez convidamos você a visitar a capital do estado de Alagoas, a bela e sedutora Maceió. A cidade encanta a gente logo de saída, com suas belas praias, onde, todos os dias, vemos gente passeando com a família e com os pets, dando uma volta de bike, praticando esportes na areia, papeando, exercitando a descontração, enfim.

A orla de praias como Ponta Verde, Jatiúca e Pajuçara é pontuada por coqueiros, quiosques, quadras recreativas, pistas de caminhada, ciclovias e até, em Pajuçara, uma tradicional feira de artesanato. Tudo isso emoldurado por um mar que parece variar entre os tons de verde-esmeralda e azul-turquesa. Um presente eterno para os olhos de quem tem a sorte de viver do lado oposto, nos reluzentes prédios com sacadas enormes.

Se dormir e acordar com vista de cartão postal é bom, o povo de Maceió tem também o privilégio de viver num cartão postal gastronômico. A culinária da região é marcada pela diversidade de ingredientes e pela profusão de frutos do mar, com variações para todos os gostos. Da tradicional galinha ao molho pardo à carne-de-sol com nata ou feijão verde; da picanha grelhada ou na chapa até o frango assado, passando pela moqueca de marisco, pela bisteca e uma infinidade de outras iguarias.

As dicas são muitas e extremamente saborosas: maçunim (que a gente conhece como vôngole) ao coco, cuscuz, caldeirada, sururuzada, guaiamum e patinha de uça (espécie de caranguejo), fritada de siri, polvo, camarão, lagosta, peixes como a carapeba ou a pilombeta (que fritos são de revirar os olhos e toda a riqueza aquática de uma região privilegiada, banhada não apenas pelo mar, mas também por rios e lagoas.

MERCADO DE PRODUÇÃO: DAS FRUTAS À RELIGIÃO
Um passeio interessante em Maceió é a visita ao bairro da Levada, para conhecer o Mercado da Produção. Embora a região seja considerada perigosa, trata-se de um dos mais tradicionais e antigos da cidade, com grande parcela de contribuição para o desenvolvimento econômico local, o que explica uma certa concentração de empresas no entorno.

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Dirigido aos mais diversos gostos e bolsos, o mercado de corredores estreitíssimos e vendedores simpáticos e acessíveis tem mais de 1.400 boxes e seu maior foco na atividade hortifrúti, com um detalhe curioso: apesar de estarem bem longe da paulista Itu, cidade conhecida por tamanhos exagerados, as frutas, verduras e legumes do Mercado de Produção são bem maiores do que estamos acostumados a ver nos mercados e sacolões da vida. O cará e o inhame, por exemplo, parecem superdesenvolvidos.

E além da semelhança física, guardam particularidades que nem todo mundo conhece. O inhame, preferência local, absorve mais os temperos e especiarias durante o cozimento, embora também seja um hábito consumi-lo cru e em lascas, sobre as saladas. As mães locais inclusive recomendam esta forma de consumo às crianças e garantem que faz muito bem, dada a riqueza de nutrientes.

Pelos corredores do mercado ainda se encontra as famosas farinhas de mandioca especiais para fazer tapioca – aliás, prepare-se para passar vontade no quadro em que falamos da tapioca da Edileusa – e também a massa puba, que é extraída da macaxeira, substitui a farinha de trigo em diversas receitas de bolo e é usada também no preparo do cuscuz.

Outra curiosidade interessante é o alto consumo do feijão verde, que, além de muito saboroso, é de cozimento rápido: fica pronto após uma média de 5 minutos na pressão. Vale a pena trazer uns quilinhos na bagagem e preparar em casa para matar a saudade.

Já entre as frutas, apesar de tudo ser muito globalizado hoje em dia, e a gente encontrá-las até em polpa nos mais diversos lugares, a compra e consumo no Mercado de Produção têm uma magia diferente.

Além do tamanho ituano já citado, a seriguela (ou siriguela, ou ainda ciriguela, segundo as brigas de dicionários), umbu, mangaba, graviola, jaca, pinha e sapoti, entre outras, parecem ter um sabor especial em Maceió. O sapoti, inclusive, chega a lembrar açúcar mascavo e melaço de cana. Uma delícia.

Embora em menor concentração, os peixes e frutos do mar também marcam presença no mercado. O sururu, molusco-estrela e orgulho alagoano, encontrado nas lagoas e no litoral, é encontrado em profusão, assim como o camarão e outros peixes secos e salgados, encontrados aos montes por lá.

Além disso, o local também apresenta barracas de roupas, artigos medicinais e outras especializadas em magia e crenças religiosas, com muitos símbolos e estátuas. Sem dúvida alguma, o Mercado de Produção é uma experiência única em cores, odores, sabores e novidades.

A MAGIA DE MASSAGUEIRA
Apesar de não ficar propriamente em Maceió – fica no município de Marechal Deodoro, a 15km de distância -, a Massagueira é um pólo gastronômico localizado às margens da lagoa Manguaba, excelente para quem busca um passeio interessante e saboroso. Com vários bares e botecos de propriedade das próprias famílias locais, a região é perfeita para quem quer provar a típica culinária alagoana.

São pratos maravilhosos, preparados com os mais variados e deliciosos peixes e frutos do mar, por preços mais do que justos, inacreditavelmente baixos, ideais para mochileiros e para qualquer um que aprecie comer bem e pagar pouco. Sem falar que comer à beira da lagoa é uma experiência inesquecível, um verdadeiro presente da natureza para quem vive lá e para os viajantes.

A Massagueira conta ainda com mais uma atração: a Praia do Francês, que fica ali do lado, é uma excelente pedida para relaxar, se refrescar e abrir o apetite antes do almoço. No entanto, apesar disso ser muito divulgado, vale ressaltar que as belezas naturais desta praia são muito conhecidas. A água transparente, a areia de cor clara e a barreira de corais que transforma o mar esverdeado numa verdadeira piscina natural de águas mornas e peixinhos coloridos no fundo, são conhecidos mundialmente. E isso faz com que o lugar seja bastante movimentado. Para quem gosta de agito, vários bares e quiosques pontuam a orla do Francês. O Beleza Tropical, no número 162, tem uma excelente porção de camarão para acompanhar aquela gelada, enquanto você aprecia o clima e se prepara para almoçar.

E já que tocamos em nosso assunto preferido, vale dizer que, embora todos os bares tenham a mesma proposta, a sururuzada do Bar do Pato é uma indicação e tanto para o almoço. Há quem diga que ir a Maceió, não visitar este bar e não encarar uma sururuzada é pecado.

Então, cumprindo esta “obrigação turística”, há que se degustar esta deliciosa moqueca de sururu, um dos peixes mais associados à “alagoanidade”. A base do prato é um ingrediente da terra marcante em toda a costa nordestina: o coco. Cozida com água e sal ou leite de coco e especiarias, a sururuzada pode ser apreciada com pirão, arroz, com ou sem casca e até mesmo com o peixe ainda vivo, com mel de engenho, limão e sal.

Para fechar o passeio com chave de ouro, uma boa caminhada pelo local, molhando os pés na lagoa, vai recobrar as energias e preparar você para muito mais. Afinal, Maceió e região prometem (e cumprem) isso.

Dica: se você pretende almoçar em Massagueira, vá cedo. Por lá, tudo fecha às 17h e domingo é dia de descanso.

ELITE E QUIOSQUES NA BARRA DE SÃO MIGUEL
Outra sugestão para você fazer um belo passeio é a Barra de São Miguel, bem próxima à Praia do Francês. Permeada pelo Rio Niquim, onde muita gente pratica canoagem, a Barra de São Miguel é “o” lugar para quem se importa em ver e ser visto em um bom bate-papo na areia. Pontuado por quiosques na orla e frequentado pela elite de Maceió, o local é bastante badalado também entre os turistas, que formam fila pelo passeio de barco à Praia do Gunga, também ali pertinho.

Além disso, o Complexo de Lazer Villa Niquin oferece as mais variadas opções em gastronomia, serviços, compras e diversão, com opções para vários dias, incluindo shows, passeios e muito mais. A Barra de São Miguel, enfim, é perfeita para quem está (ou é) abonado. Mas não dispense passeios mais típicos e rústicos para conhecer Maceió a fundo.

ESPECIALIZAÇÃO: CUSCUZ
Como se chama um lugar que faz cuscuz de todos os tipos? Cuscuzeria, é claro. E num bom roteiro gastronômico de Maceió não pode faltar a Cuscuzeria Café. Criada em 2010, a aconchegante casa, que conta com decoração típica alagoana, e garçonetes que são uma simpatia, diz ter reinventado o tradicional cuscuz, ainda que preserve o preparo com as tradicionais massas de milho, trigo ou massa puba. E deve ter reinventado, mesmo. Para entender a fama do lugar, basta abrir o menu. Digamos que, para degustá-lointeiramente, você teria de passar duas semanas em Maceió, indo todos os dias à cuscuzeria.

Vale a pena experimentar qualquer sabor, pois a qualidade realmente é incrível. Mas caso queira sugestões, recomendamos o seguinte: como entrada, você pode escolher o delicioso caldinho de jerimum da casa, que tem uma deliciosa textura aveludada e é servido numa charmosa xícara. Vai dar um calorzinho, mas não se incomode.

Parta para o principal, escolhendo o cuscuz de carne-seca e queijo coalho. É dos deuses! Traz muito recheio de carne-seca e queijo coalho, numa receita deliciosamente úmida. Como sobremesa, o de goiabada vai muito bem para levar você ao céu novamente, embora haja muitas outras opções. Combinação de sabores perfeita e muito bem pensada pela chef Manuela Magalhães. O preço é justo e vale cada centavo.

UMA BODEGA NO SERTÃO?
Mais do que um restaurante, um passeio repleto de charme e beleza. O Bodega do Sertão é cultuado com igual amor pelos nativos e também pelos turistas, inclusive as celebridades. O ambiente rústico e convidativo tem decoração típica do sertão. Na entrada, a quantidade de artesanato exposto já faz a alegria dos olhos. Lá dentro, tudo que a comida típica pode oferecer e mais um pouco: buchada de bode, sarapatel, rubacão (espécie de baião-de-dois), escondidinhos, arrozes condimentados, carne-seca com nata e muito mais.

Uma dica? Tudo. Sim, tudo. O restaurante oferece um tipo de menu-degustação com valor fixo, onde você pode experimentar todos os pratos e também as sobremesas. Aliás, deixe um espacinho para elas, porque os doces são imperdíveis. Para comer de joelhos e cometer o pecado da gula com muito afinco.

TAPIOCA, UM CLÁSSICO LOCAL
Quem ama tapioca se sente em casa em Maceió. Existe um verdadeiro “point da tapioca”, com diversas opções e uma variedade incrível de sabores, que vão dos tradicionais até os mais esdrúxulos.

Como destaque, podemos citar o Lopana, quiosque superconfortável situado na Ponta Verde, com cadeiras e sofás com vista para o mar; e a “Barraca da Edileusa” famosíssima nos quatros cantos da cidade, e quiçá do país. Via de regra, lotada, a barraquinha surpreende pela rapidez no atendimento – a tapioca demora, em média, 15 minutos para sair -, e pela higiene, capricho e cuidado do local, onde o produto vem embalado dentro de um saquinho descartável e com guardanapos. Quanto à tapioca em si, o que dizer? Faz jus à fama. Uma ótima pedida é a de carne- seca com queijo coalho e coco: grande, recheada e deliciosa, vale por uma refeição completa.

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VIAJANDO NA RECEITA
Sururu ao leite de Coco.

INGREDIENTES:
1kg de sururu despinicado
3 cebolas pequenas
4 dentes de alho
6 tomates bem maduros
4 pimentas-de-cheiro
1 pimenta malagueta
1 maço de coentro
1 maço de cebolinha
2 folhas de louro
Cheiro-verde
600ml de leite de coco
Sal
Azeite

PREPARO:
Pique bem a cebola, o coentro e a cebolinha. Amasse as cabeças de alho, corte os tomates e reserve.
Aqueça uma panela funda, acrescente azeite suficiente para cobrir o fundo da panela. Comece dourando a cebola e, por último, o alho. Pegue uma pimenta malagueta, tire as sementes, lave e pique. Pique bem duas ou três pimentas-de-cheiro. Refogue-as na mesma panela.

Acrescente o sururu despinicado e refogue até ele começar a soltar líquido. Depois disso, acrescente 2/3 dos tomates em cubinhos e 2/3 do cheiro-verde picadinho. O sururu vai começar a tomar gosto da refoga, do tomate, do cheiro-verde, das pimentas. Adicione o sal aos poucos, até realçar o sabor do refogado. Deixe uns 15 minutos em fogo baixo, acrescente os demais ingredientes e acerte novamente o sal.

SUGESTÕES:
Coma com farinha de mandioca e arroz. Um molhinho de pimenta também vai muito bem.
Obs: Despinicar = remover o molusco das conchas

LOCAIS
e endereços interessantes

• Mercado da Produção: Bairro da Levada, na região do Parque Rio Branco
• Pólo Gastronômico da Massagueira: município de Marechal Deodoro
• Bar do Pato: Av. Nossa Sra. da Conceição, 1.308, Pólo Gastronômico da Massagueira
• Bar Beleza Tropical: Av. Verdes Mares, 55, Praia do Francês
• Restaurante Bodega do Sertão: Av. Dr. Júlio Marques Luz, 62, Jatiúca
• Cuscuzeria Café: Av. Dr. Antônio Gomes de Barros, 1.076, Jatiúca
• Quiosque Lopana: final da praia da Ponta Verde e início da praia de Pajuçara
• Barraca da Edileusa: Av. Álvaro Otacílio, Jatiúca
• Pousada Mourada do Sol: Paulina Maria de Mendonça, 140, Jatiúca
• Complexo de Lazer Villa Niquin: Barra de São Miguel
• Praias: vale conhecer todas, mas destacamos estas: Francês; Gunga; São Miguel; Pajuçara; Jatiúca e Ponta Verde

Texto: Eugenio Lorainvev

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