Toro, vinhedos pré-filoxéricos

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Existe uma clara tendência, nos últimos anos, de se exaltar vinhedos pré-filoxéricos. Alguns vinhos procedentes desses vinhedos têm se mostrado excepcionais. Em outras ocasiões, explicamos brevemente este conceito.

Agora vamos apresentar um vinho exclusivamente elaborado com uvas pré-filoxéricas. É o momento ideal para nos aprofundarmos neste conceito e podermos degustar um excelente vinho, cujas uvas procedem de vinhedos com mais de 100 anos.

Os vinhedos pré-filoxéricos são aqueles cujo início da cultura é anterior ao ataque da filoxera. Que aconteceu no final do Século XIX e devastou os vinhedos europeus. A filoxera (Dactylosphaera vitifoliae), é um inseto de origem americana e tamanho reduzido, que apareceu pela primeira vez na Europa em 1853. Sua voracidade fez com que, em poucas décadas, todo o vinhedo europeu fosse afetado, com exceção de alguns poucos locais protegidos por condições especiais.

A videira produtora de uvas, conhecida como Vitis vinífera – é uma planta trepadora que se reproduz normalmente mediante o plantio de estacas colocadas diretamente sobre o terreno. Após um tempo, essas estacas começam a produzir suas próprias raízes. E, quando chega a primavera, com o aumento de temperatura, originam-se os primeiros brotos e folhas. Este método de plantio denomina-se pé-franco. Dado que é uma planta europeia desde a raiz, sem enxerto e por plantio direto no campo.

Era assim que os viticultores reproduziam a videira até o início do Século XIX, antes da invasão da filoxera. Esse método tradicional de plantio sofreu um revés quando a praga apareceu. Em poucas décadas, os vinhedos da Europa foram destruídos, exceto uns poucos localizados em terrenos que tinham condições especiais, como solos arenosos, de fácil inundação ou até por estarem isolados. Destacam-se o Chile e as Ilhas Canárias, onde não houve a praga.

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Por sorte, a origem do problema também foi a solução para poder continuar cultivando as variedades europeias. As espécies americanas que existiam e cresciam espontaneamente nos bosques dos Estados Unidos eram também naturalmente resistentes ao ataque do inseto. A solução para este desastre foi um enxerto da Vitis vinifera sobre um pé de videira de origem americana. Atualmente, a maioria das cepas são compostas, portanto; de um pé ou raiz de origem americana, o qual aporta resistência à filoxera, e uma estaca de videira europeia enxertada sobre ele.

Desse modo, as plantas pré-filoxéricas são aquelas que superaram o ataque da praga e estão cultivadas sobre pé-franco que, como comentamos; é uma videira não enxertada, sem pé-americano. Ou seja, são vinhos de pé-franco em estado puro. Sua principal vantagem está em seu sistema vascular, único desde a raiz principal e capaz de penetrar em uma grande profundidade e extrair a mineralidade; para logo aportar singularidade aos vinhos e obter altas qualidades em suas baias. Esta excelência e exclusividade fizeram que estes tipos de vinhos se convertessem em verdadeiras joias do panorama enológico.

Agora, só falta desfrutar da Seleção Obras-Primas deste mês, com o Fariña 75 Aniversario 2014. Uma grande homenagem a Toro e seus vinhedos pré-filoxéricos. Onde se encontra uma das maiores extensões destas cepas em pé-franco da Espanha.

Texto: Alberto Pedrajo
Tradução: Paula Taibo

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