Não há qualquer problema em batizar pessoas e coisas com denominações em inglês. Afinal, o idioma anglo-saxão ainda é o mais influente, universal e exigido em praticamente todos os pontos do planeta.

Tudo bem se o epíteto da empresa ou de um objeto tecnológico tem mais a ver com o hortifrúti da esquina. Apricot Computers. Blackberry. Strawberry Global Technologies. Apple. Se a garota bonita é chamada de Cherry, ou o casal de gêmeos atende pelas designações inspiradoras de Lândia e Disnei. Com o tempo, as pessoas acabam se acostumando. Inclusive seus donos.

Criar um bom nome de negócio, entretanto, é tarefa das mais complicadas e traiçoeiras. Aquele termo curto e cool que comunique algo relevante para o público, seja fácil de memorizar e pronunciar, sem gaguejar ou tropeçar na língua. Antes de dar os nomes aos bois, é imprescindível fazer uma pesquisa séria sobre significados literais, simbologias de termos e contextos culturais, tanto em seus destinos quanto no restante do globo.

Felizmente, há consultorias de branding (chegam a cobrar mais de 100 mil dólares para desenvolver uma marca vencedora, diga-se). Infelizmente, nem todo mundo teve recursos e cuidados, ou se os teve, não recebeu um serviço digno e minimamente eficiente. Fato que acabou gerando algumas das piores traduções para o inglês. As sentenças de embalagens mais constrangedoras e risíveis de todos os tempos. E uma boa parcela delas vem do universo comestível.

ERRO DE CÁLCULO
Mesmo ali no calor dos infernos de Gana, algum turista se atreveria a tomar uma autêntica e geladinha “Pee Cola”? Bem, para a população local não tem nada dessa coisa de “refrigerante de xixi”, em absoluto; em ganês, a popular soda quer dizer “cola muito boa”. Mas de repente, a temperatura cai abaixo de zero na Romênia, e tudo que você deseja é um bom chá, esquentando os pés congelados na calefação do hotel. Aceitaria então um “Urinal” fresco e quentinho? Foi assim que certo marketeiro transilvânico resolveu intitular o drink diurético.

sociedade-da-mesa

Não diurética, e sim dietética, era a marca de doces “Ayds”, comum e bem conhecida entre os diabéticos norte-americanos antes de 1981, quando, por azar, a doença Aids foi descoberta e gritada aos quatro cantos. Bem que o fabricante tentou seguir adiante, alterando o nome para “Diet Ayds”. Não teve jeito, o doce sem açúcar se desfez nas prateleiras.

Porém, nem tudo é amargo, o contrário pode acontecer. Inglesa de nascença, a barra de chocolate KitKat passou a ser pronunciada pelos japoneses como “kitto katsu”, cuja tradução é “eu acredito que vou ser bem-sucedido”. Virou amuleto da sorte em dias de exames escolares e universitários, e ganhou versões que misturam chocolate com ingredientes ecléticos: feijão-vermelho, milho, soja, batata, vinagre de maçã e o picante wasabi.

Contamos também com ótimos exemplos nacionais. Dariam para encher páginas. Um deles, é o da bebida láctea fermentada “Batmilk”, “leite de morcego”. O animal é mamífero, até faz sentido, certo? Só que em pouco tempo, o iogurte bateu asas e foi extinto. Outro caso famoso é o da cachaça mineira que parodiou a marca de uísque mais vendida no mundo: em seu rótulo, estampava-se “João Andante”. A cachaça, que foi obrigada a mudar, tornou-se “O Andante”.

Texto: Fábio Angelini

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