Pense em uma cidade saborosa, rica em cores, texturas e aromas. Florianópolis tem muito para se ver e experimentar. Para quem está a passeio, a recomendação é não perder tempo e aproveitar cada minuto da viagem. Sugestões simples como andar pela orla tornam-se grandes atrações quando se contempla o azul do mar, que compõe um lindo cenário. A região da Praça da Luz, que fica próxima de um dos ícones de Floripa, a ponte Hercílio Luz, também é um passeio bem interessante, principalmente para os fins de tarde, onde a visão da ponte e do mar realmente deixa a gente em transe, manifestando a essência da cidade.

Para curtir momentos assim, vale sentar num dos muitos bares da orla e observar a noite que cai. Uma das boas opções é o Boteco da Ilha. Com uma decoração que transita entre o despojado e o elegante, o bar geralmente tem bastante gente, mas o atendimento é ótimo. Assim como os bolinhos de bacalhau, excelente pedida para acompanhar um bom balde de cervejas e observar o movimento de turistas e locais no fim do dia.

E VAMOS AO MERCADO
O que se prepara e se come em Florianópolis tem muita influência açoriana. A cidade guarda técnicas herdadas dos portugueses e nativos, como a pesca de peixes e frutos do mar, e a farinha de mandioca usada para fazer o pirão, deliciosa guarnição que acompanha peixes, linguiças e camarão. A farinha de mandioca, aliás, é um acompanhamento indispensável nas refeições.

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Para vivenciar bem de perto esta essência gastronômica, é interessante separar um tempinho para conhecer o Mercado Público da cidade, ponto de encontro de turistas e nativos, também chamados de “manezinhos da ilha”. A alcunha vem da ascendência dos portugueses das Ilhas dos Açores, que chegaram à ilha em meados do Século XVIII.

O mercado, limpo e agradável, tem sua arquitetura preservada e é valorizado como patrimônio artístico da cidade. Além disso, existe uma curiosidade em sua história, pois nasceu bem antes de ser construído. Conta-se que os Ilhéus, que eram donos de barraquinhas, vendiam seus produtos na praia em frente à atual Praça XV de Novembro, na entrada da cidade. Estes comerciantes eram oleiros, mascates, pescadores e colonos que abasteciam os navios que seguiam em direção ao Rio da Prata e ao Oceano Pacífico.

Porém, em 1845 veio a notícia de que D. Pedro II visitaria a cidade. Como as condições de higiene das barraquinhas não eram lá essas coisas, elas foram retiradas do local para que sua majestade não ficasse impressionada negativamente, com a promessa de que seria discutida uma nova localização, com melhores condições de infraestrutura. Da promessa à concretização, no entanto, passaram-se alguns anos. Entre idas e vindas, e dificuldades com a arrecadação de verbas, a obra chegou a ficar parada, sendo inaugurada apenas em 1851.

Hoje, o Mercado Público é um dos ícones do turismo local, e nele são encontrados os peixes, os frutos do mar e as guarnições que marcam a gastronomia da região. Entre as “estrelas” vindas das águas, vale citar a tainha, que simboliza os manezinhos da ilha; as ostras, das quais Florianópolis orgulha-se de ter a maior produção do país, e o camarão, crustáceo predileto dos moradores que é preparado de várias formas, principalmente nos restaurantes da orla, onde é servida a chamada “sequência de camarões”, espécie de rodízio onde ele vem servido frito, à milanesa, em molhos, no bafo e de outras maneiras que atestam a versatilidade da iguaria.

Dentro do Mercado Público, um ótimo lugar para comer é o Boteco VaiQuemQuer. Por trás do divertido nome, inspirado em uma praia que existia ao lado do mercado, esconde-se uma verdadeira experiência local, com os pratos, bebidas e petiscos de fornecedores do próprio mercado. No VaiQuemQuer, uma excelente pedida de comida é o pirão d’água com linguiça, que pode ser substituída por camarão ou peixe. De sabor leve e textura ímpar, o pirão combina deliciosamente com a linguiça de origem alemã, muito usada na região como petisco. O prato é uma verdadeira refeição, servida em louças de barro produzidas na Ponta de São José, e merece destaque pela simplicidade e sabor. O VaiQuemQuer foi considerado o primeiro bar especializado em petiscos e cervejas catarinenses. Vale ainda destacar o chopp artesanal produzido por alemães em Santo Amaro da Imperatriz.

Outro boteco imperdível no Mercado Público é o famoso Box 32, que recebe gente de todas as camadas sociais, incluindo artistas e celebridades. Daí o carinhoso apelido de “balcão mais democrático do país”. Nele, entre outras delícias, você encontra os populares pastéis de camarão, que levam até 100 gramas de recheio, até caviar, lagostas, patinhas de caranguejo, escargot e outros. Recomendamos as ostras gratinadas com 4 queijos, acompanhadas por um choppinho (ou mais). Elas são feitas com queijos cremosos, parmesão, especiarias e, em seguida, gratinadas. Um momento sensorial inesquecível, onde você desfruta da delicadeza do molusco. Simplesmente apetitoso, irresistível e com o aroma de Florianópolis.

PARA QUEM GOSTA DE SIMPLICIDADE
Outra atração para quem vai a Florianópolis é visitar a praia Pântano do Sul, que fica a aproximadamente uma hora de viagem (25 km do centro). Apesar de não ser um destino muito comum, o lugar é surpreendente, principalmente pelo Bar do Arante, um restaurante “pé na areia”, com entrada pela praia. Não espere um três estrelas Michelin, pois o lugar é realmente muito simples. Mas espere comida caseira deliciosa, à la carte ou à vontade no buffet, com grande variedade de pratos à base de frutos do mar e camarão, moquecas, ensopados e muito mais.

Ao chegar ao local, você ganha uma simpática cachaça como cortesia, e já começa se aclimatando ao local, preparando-se para deixar um bilhete registrando sua passagem. Sim, a casa é forrada com mais de 70 mil papeizinhos no teto e nas paredes, com mensagens dos frequentadores que por lá já passaram. Para comer, avalie seu apetite. À la carte é bem servido, mas no buffet livre você se serve quantas vezes desejar. Imperdível, o Arante está aberto “quase todos os dias” até a meia-noite, segundo os garçons, sempre munidos de papel e caneta, pra que ninguém saia sem deixar seu bilhetinho.

A COSTA DA LAGOA E O CHEF JAJÁ
Lá no início falamos da tainha, que é o peixe mais manezinho da Ilha. Por isso, você não pode deixar de experimentá-lo. E pra fazer isso de forma inesquecível, vale uma viagem dentro da viagem. Um passeio de uma hora e meia até O Sabor da Costa, um dos melhores restaurantes da Ilha, situado na Costa da Lagoa, a oeste da Lagoa de Fora. O passeio, que tem belezas de cair o queixo, culmina na localização do restaurante, que parece ter sido escolhida a dedo, de frente para um píer e para a lagoa.

E, é claro, também leva você até uma tainha inesquecível, talvez a mais saborosa que já provou, preparada pelo carismático chef Jajá, que faz questão de servir o peixe pessoalmente na sua mesa, contando, com muito orgulho, que foi ele mesmo que o pescou. O manezinho (tainha) tem sabor bastante pronunciado e vem acompanhado de arroz, fritas e pirão, mas conta com variados preparos à escolha do freguês: no forno, na brasa, recheada, frito… Se preferir, peça uma dica ao simpático chef antes de escolher. O importante mesmo é não sair de Floripa sem comer ao menos uma tainha. Ela vale cada pedacinho saboreado e suas ovas também são uma iguaria muito apreciada. Embora haja quem torça o nariz ao vê-las nos menus, são consideradas o “caviar da nossa terra”.

UM LUGAR PARA DEIXAR JÁ COM SAUDADE
Além de tudo o que foi mostrado aqui, a Ilha da Magia, como é chamada por muitos, ainda tem muito mais a oferecer. São diversos cartões postais, como as praias Mole, da Joaquina, Matadeiro, a famosa Jurerê Internacional, e a linda Ilha do Campeche, que possui uma das praias mais bonitas de Santa Catarina, com águas cristalinas, limpas e calmas, onde, dependendo da época do ano, é possível até mesmo avistar baleias.

Decididamente, Florianópolis é um lugar para visitar e voltar e voltar, sempre que possível. Só não vale ficar indeciso na frente de um nativo, para ele não lascar o famoso bordão barriga-verde: “se quex; quex; se não quex; dix” (se quer; tudo bem; se não quer; diga logo).

Até a próxima.

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VIAJANDO NA RECEITA
Pirão d’água com linguiça

INGREDIENTES:
• 1 xícara de farinha de mandioca
• 250ml de água fervente
• 1 tablete de caldo de carne
• Salsinha e cebolinha a gosto (1 colher de sopa)
• 30g de manteiga com sal (1 colher de sopa)
• 100g de linguiça defumada
• 1 pitadinha de noz-moscada

PREPARO:
Corte a linguiça em rodelas finas e frite com a manteiga. Retire e reserve. Na mesma panela que fritou a linguiça, e com o fogo desligado, acrescente a farinha, com a salsinha, a cebolinha, o tablete de carne e a noz-moscada. Adicione a água fervente aos poucos até adquirir o ponto desejado. Remova para uma travessa ou bowl. Disponha a linguiça sobre o pirão e sirva bem quente.

LOCAIS
e endereços interessantes

Hotel Castel Mar Rua Felipe Schmidt, 1.260 – Centro
Mercado Público Municipal Rua Jerônimo Coelho, 60, Centro.
Dica: as cozinhas começam a encerrar o atendimento às 22h
Boteco VaiQuemQuer Rua Jerônimo Coelho, 60, Mercado Público, Box 2, Ala Norte – Centro
Box 32 Rua Jerônimo Coelho, 60, Mercado Público, Centro
Bar do Arante Rua Abelardo Otacílio Gomes, 254, Pântano do Sul
Restaurante Sabor da Costa Rua Geral Costa da Lagoa, s/nº, Ponto 16, Lagoa da Conceição
Ponte Hercílio Luz Centro, Florianópolis
Praias Praia Mole, Praia da Joaquina, Praia Matadeiro, Jurerê, Ilha do Campeche

Texto: Eugenio Lorainev

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