Jabuticaba, a pequena da dupla grafia

Jaboticaba ou jabuticaba? A dupla grafia faz as vezes do voto de Minerva e diz que as duas estão corretas. Ela e os dicionários mais confiáveis do nosso português: Aurélio, Houaiss e Michaelis. Nós, no entanto, achamos até incômodo falar jabuticaba com “o”. Fica uma sonoridade esquisita, redonda de um jeito que não desce redondo como aquela famosa cerveja. Portanto, nossa jabuticaba tem “u”.

Decidido isso, é bom avisar que, não bastasse a dupla grafia, a jabuticaba também atende por mais de um nome científico: há divergências entre os especialistas que a definem como Plinia cauliflora e os que preferem chamá-la de Myrciaria cauliflora. Além disso, ô frutinha pra ter espécie… São várias: jabuticaba-sabará (de Sabará, em Minas Gerais, cidade tão tradicional na produção da fruta, que tem até festival anual); jabuticaba-precoco, com frutos de casca mais fina; jabuticaba-vermelha, de árvores mais baixas; jabuticaba-ponhema, ótima pra produzir geleia, e jabuticaba-açu-paulista, que tem frutos maiores.

Nomes e letras à parte, é surpreendente conhecer as peculiaridades e benefícios deste fruto tipicamente brasileiro. Originário da jabuticabeira, árvore nativa da Mata Atlântica, pertencente à família das mirtáceas. Trata-se de uma planta que cresce devagar e demora muito a pegar. Mas quando pega… não para mais, chegando à produtividade de até 200kg por jabuticabeira e à longevidade de até mais de 30 anos de frutificação. Saber disso já seria suficiente para a garotada de antigamente ter pulado muito mais vezes o muro da vizinha pra roubar as frutinhas.

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E era rara a vizinhança que não tinha ao menos uma jabuticabeira, uma vez que desde os tempos em que éramos colônia portuguesa, a árvore era cultivada nos chamados pomares domésticos. Mas a jabuticaba surpreende ainda mais. Pelo lado do consumo, além de ser deliciosa in natura, ela é apreciada de diversas formas, como licores, geleias, doces, vinagre e até aguardentes. No quesito saúde, aproveita-se até a casca e a entrecasca da jabuticaba. A primeira, em chás que servem para tratar males como erisipela, disenteria e angina. Já a entrecasca se usa num chá que dizem ser tiro e queda contra a asma.

Além disso, a fruta é magrinha, tem poucas calorias e carboidratos. Pode ser indicada para gestantes, pois tem boa quantidade de ácido fólico e ferro, que ajudam no desenvolvimento do feto. Falando em nutrientes, a jabuticaba tem uma composição pra lá de poderosa, como vemos aqui:

Vitamina B3 (niacina): colabora no metabolismo de carboidratos e na produção de energia.
Vitamina B9 (ácido fólico): ajuda na produção de glóbulos vermelhos, combate a anemia e é indispensável para futuras mamães, como dito acima.
Vitamina C (ácido ascórbico): previne contra resfriados, ajuda a regular os níveis de colesterol e dos radicais livres, combate a hipertensão e faz muito bem para a saúde de um modo geral.
Vitamina R (antocianidina): uma das maiores riquezas da jabuticaba, cotada como 20 vezes mais potente que a vitamina C e 50 vezes mais potente que a vitamina E. Ajuda no combate aos radicais livres e é antioxidante.
Pectina: colabora com o equilíbrio da glicose no sangue e reduz o colesterol, formando um gel que ajuda a controlar os níveis de gordura.
Ferro: colabora para controlar a anemia e fortalece a gente.
Cálcio: ajuda a preservar os ossos e dentes.
Potássio: excelente no controle da pressão arterial, além de fazer muito bem para o coração.
Fósforo: perfeito para a memória, também colabora para melhorar o metabolismo de energia.

Animou? Aproveite que setembro é época de jabuticaba e dê um pulinho no mercado. Afinal, já estamos bem grandinhos pra dar um pulinho no muro da vizinha.

Texto: Renato Soares

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