O Jardim de Baco

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Portugal possui uma das maiores coleções de variedades de uvas nativas do mundo. O que é uma vantagem para elaborar uma maior diversidade de vinhos. Alguns especialistas afirmam que podem existir cerca de 500 tipos de variedades autóctones diferentes. São muitas as razões que fazem do país luso um autêntico Jardim de Baco.

A diversidade de climas, solos e uma orografia complexa são os principais responsáveis por essa riqueza ampelográfica. Mas outro fator determinante na hora de explicar a diversidade, são as denominações de origem. Durante as últimas décadas, Portugal, assim como outros países próximos como Espanha e França, manteve uma classificação de regiões vitivinícolas muito controladas sob o rigor das denominações de origem. O que fomentou que os varietais fossem, no fundo, o ponto de partida para a singularidade enológica de cada região.

São regiões vitivinícolas que têm pouco ou nada comum entre si, e que ao longo da história permaneceram fiéis às suas tradições no cultivo das variedades que melhor se adaptaram ao seu território. E que, assim, trataram de continuar cultivando com zelo as que poderiam se adaptar melhor às condições de cultivo ou aportar caráter a seus vinhos.

A primeira região que nos vem à cabeça quando pensamos em vinhos portugueses é, sem dúvida, o Douro. Um perfeito exemplo do que foi dito nas linhas anteriores, já que seus vinhos têm sido tradicionalmente fruto da “assemblage” de diferentes variedades de uvas de castas tradicionais – e este é um de seus principais atributos. Esta riqueza deve-se em parte a questões históricas e, em parte, à topografia montanhosa da região.

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São uvas que se desenvolveram de um modo todo particular nas montanhas, ficando ilhadas e, assim, acabaram resistindo à filoxera. Esta adaptação das uvas a seu habitat tem sido a chave para sua sobrevivência. Por exemplo, a Touriga Nacional desenvolve-se bem em solos pedregosos e pouco profundos, onde há boa exposição solar; a Touriga Franca prefere lugares férteis e protegidos contra ventos fortes, já que suas gavinhas são frágeis; a Tinta Barroca obtém melhores resultados nas ladeiras mais frescas com orientação Norte e Oeste – lugares com menor exposição à luz solar porque, caso contrário, adquire açúcar.

Estas variáveis são as que permitiram manter a personalidade das regiões vitivinícolas. Uma riqueza varietal que, muitas vezes, está correndo riscos, já que muitas bodegas preferem trabalhar normalmente com uma seleção de 5 ou 6 variedades reconhecidas, com prestígio internacional e com uma suposta alta qualidade. Em geral, essas uvas são consideradas variedades capazes de produzir os melhores vinhos.

É possível encontrar muitas outras em proporções menores, quando as condições específicas de cultivo exigem ou quando o viticultor procura manter o fator diferenciador. Atualmente, esta viticultura de recuperação de variedades autóctones esquecidas vem crescendo, em contraposição ao abuso das variedades de maior reconhecimento, como a Merlot; Cabernet Sauvignon; Chardonnay…

É uma clara tendência que nos permite desfrutar de vinhos de raiz e com personalidade, fora da curva da estandardização. Assim é o vinho deste mês, o The WineHouse 2015. Um “coupage” com algumas das variedades autóctones mais interessantes desta região: Touriga Franca; Touriga Nacional; Tinta Barroca e Tinta Roriz.

Texto: Alberto Pedrajo

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