Sablet. O encanto das pequenas coisas

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Viajamos para o sul da França até Sablet. Um pequeno povoado que se encontra a uns nove quilômetros ao sul de Vaison la Romaine, no coração de “Côtes du Rhône“, em meados de março.

Ainda não havia começado a primavera, o vinhedo permanecia em repouso e a luz da manhã de inverno iluminava a paisagem com muita força e magia, permitindo que apreciássemos o melhor dos vinhedos privilegiados. A localização na encosta da montanha de areia é a origem do seu nome. Sablet vem de “sable”, que em francês significa areia. Os solos deste povoado, em sua maioria, são de argila e arenosos.

O lugar convida a ter calma para percorrer suas ruas estreitas ou tomar um café na pequena praça, pois a impressão que se tem é que, por lá, o tempo para. Em Sablet respira-se tranquilidade. E esta sensação prolonga-se quando visitamos os vinhedos de subidas leves e prolongadas sobre seus solos arenosos, desfrutando das majestosas Dentelles de Montmirail, ao pé das quais situa-se o povoado.

Sablet é uma das 20 localidades que atualmente pertencem à Denominação AOP “Côtes du Rhône Villages”. Os vinhos desta denominação são um passo a mais em qualidade além dos genéricos de “Côtes du Rhône”, porém, abaixo dos Crus, como Cornas ou Hermitage.

Sablet é administrativamente uma Denominação de Origem recente, já que obteve seu reconhecimento “Côtes du Rhône Villages” em 1974. Mas a origem da região esteve fortemente ligada, em primeiro lugar, aos Condes de Toulouse. E posteriormente, no Século XIV, aos papas de Avignon, que potencializaram a região.

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Em 1308 o Papa Clemente V, que havia sido Arcebispo de Bordeaux e tinha muito conhecimento e paixão por vinhos, transferiu a sede do papado para Avignon. Ele e os papas posteriores eram verdadeiros aficionados pelos vinhos de Borgonha, e fizeram muito marketing durante os 70 anos de duração do papado na região.

Não promoveram apenas os vinhos, mas também a melhoria da viticultura no sul do vale. Tanto é que os vinhos da região ficaram conhecidos pelo nome de “Vin du Pape”. Podemos considerá-los os artífices da boa fama que os vinhos do lugar gozam até hoje.

Trezentos e quarenta hectares de vinhedo compõem Sablet. Produzindo 9.922 hl de vinho, dos quais 90% são tintos elaborados com Garnacha, Syrah, Monastrell e Cinsault. Os melhores vinhedos encontram-se nas proximidades das Dentelles de Montmirail, que se elevam subitamente ao leste de Sablet e oferecem uma pequena área de ladeiras orientadas para o Sul, onde os solos e a exposição ao sol colaboram para a obtenção das melhores uvas.

Suas condições edafológicas, graças aos solos profundos de areia e rocha, possuem excelentes qualidades de drenagem, o que ajuda as cepas a desenvolverem raízes profundas, que procuram água e nutrientes para dotar a planta com excelentes condições de desenvolvimento.

Seu clima é estritamente mediterrâneo. Com verões longos e calorosos onde o vento dominante, o mistral, tem uma influência determinante sobre o desenvolvimento do vinhedo.

Isso aporta um excelente potencial de amadurecimento das variedades Garnacha, Syrah e Monastrell; as principais uvas utilizadas na elaboração dos vinhos tintos e rosados da denominação. E as uvas Garnacha Branca; Clairette; Marsanne; Roussanne; Bourboulenc e Viognier, como base dos brancos.

Os vinhos de Sablet, em sua maioria, são elaborados em pequenas bodegas familiares. São uma verdadeira descoberta pelo seu caráter, estrutura e marcada elegância, tal como nossos associados poderão apreciar nesta Seleção Grandes Vinhos.

Texto: Alberto Pedrajo
Tradução: Paula Taibo

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