A Barbera, adaptada ao relevo de Piemonte

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Neste mês, selecionamos um Piemonte com letra maiúscula, uma seleção imbatível, um vinho elaborado a partir de uma das variedades tradicionais e de maior destaque da região, a Barbera. Podemos garantir que em poucas ocasiões poderemos degustar um vinho como este, e com esta relação de qualidade e preço. Para começar, estamos falando de um vinho de uma região que é referência – o Piemonte é o berço de alguns dos vinhos mais importantes da Itália e do mundo. E para completar, a Barbera é sua variedade-estrela.

Piemonte fica ao nordeste da Itália. É uma região subalpina que faz fronteira com a França e com a Suíça. E com seus 25.402 km2, é a segunda região mais extensa da Itália, depois da Sicília. O nome Piemonte vem de sua situação geográfica – ao pé dos Alpes. Sua localização faz com que o clima seja moldado por dois protagonistas: os frios e escarpados Alpes e o cálido e úmido Mediterrâneo, marcando com precisão as quatro estações e criando ótimas condições para a obtenção de uvas de qualidade e, portanto, para a elaboração de grandes vinhos. Os verões na região costumam ser quentes, mas se algo se destaca são os invernos frios e longos, mesmo sendo regulados pela influência dos rios que correm seus vales e provocam as características névoas, as quais limitam a visibilidade a poucos metros durante esta estação.

A orografia é caprichosa e quase a metade da região é montanhosa. Isso fez com que seus cultivos fossem modelados pelo homem com o passar dos séculos, em pronunciadas ladeiras que otimizam o espaço de cultivo e a exposição ao sol. Por tudo isso, seus vinhedos parecem esculpidos na terra, adaptando-se ao relevo deste paraíso vitivinícola como se fossem sua pele.

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O Piemonte tem um importante patrimônio de variedades autóctones em suas colinas, vales e povoados. A Nebbiolo; a Barbera; a Dolcetto; a Brachetto e a Cortese são cultivadas junto a variedades de fora, como a Moscatel – base do famoso “Moscato d´Asti” -. A Sangiovese ou a internacional Merlot, entre outras. Mas vamos falar da Barbera – a protagonista desta seleção. Mesmo nativa das colinas de Monferrato, em Piemonte, é uma variedade que se estende por outras regiões da Itália. É uma uva versátil, capaz de se adaptar às diferentes condições de solo e clima, o que permite a elaboração de uma grande diversidade de vinhos e faz com que seja considerada uma variedade “todo terreno”.

Trata-se de uma dessas uvas com personalidade e atitude para a elaboração de grandes vinhos. Mas com espaço para manifestar o “terroir” onde se cultiva. Os vinhos elaborados a partir da Barbera são muito diferentes em função de sua localização. Portanto, estamos falando do tipo de varietais que expressam o território de cultivo. Capaz de grandes rendimentos, a adaptabilidade da Barbera a todos os tipos de terreno é a chave para ser atualmente reconhecida por viticultores e enólogos. Depois de um período de desprestígio dos vinhos de mesa e de baixa qualidade, o qual fez com que, até os anos 1980 a Barbera fosse considerada uma uva de segunda categoria. Graças a estes viticultores e enólogos, a uva encontrou seu espaço produzindo, hoje, vinhos com corpo médio, bom nível de álcool, boa cor e acidez.

Texto: Alberto Pedrajo
Tradução: Paula Taibo

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