Está na mesa!

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“A toalha é um dos objetos mais úteis para um mochileiro interestelar. Em parte devido a seu valor prático: você pode usar a toalha como agasalho quando atravessar as frias luas de Beta de Jagla; pode deitar-se sobre ela nas reluzentes praias de areia marmórea de Santragino V,…”
O guia do Mochileiro das Galáxias – 1979

A maioria dos fãs do britânico Douglas Adams, autor do referido livro acima, sabe quando é o Dia da Toalha: 25 de maio. Foi nessa data, em 2001, que a comunidade virtual h2g2 fez a primeira homenagem póstuma ao romancista. A toalha é uma ferramenta essencial para os dois personagens que se aventuram na bizarra saga sideral.

Voltando dois mil anos no tempo, temos a verdadeira estreia de uma toalha aqui na Terra, uma toalha de mesa. As “mantele” romanas pareciam tapetes grossos e pesados, cuja função era decorar a mesa, absorver líquidos e ruídos.

De lá pra cá, seu papel não mudou grande coisa. Mas após a época de Augusto, ela foi esquecida e só reapareceu, com força e superfície alva, por volta do Século XII, nos endereços de reis e príncipes. A simbologia de importância social pegou. Na França, virou costume rasgá-las ao meio em frente da pessoa que se desejava desafiar, ou acusar de covardia.

As versões medievais incorporaram flores, pássaros pintados, bordados requintados e banhos de perfume. Nos banquetes dos séculos XV e XVI, três toalhas eram sobrepostas; a primeira dava as boas-vindas aos convidados, a segunda fazia o pano de fundo das refeições, e a terceira recebia as sobremesas. Cada troca de camada tornou-se um ritual de encantamento durante o evento. Pena que ninguém ainda explorasse a lei da inércia newtoniana: puxar a toalha com tudo, sem derrubar nadica sobre ela. Os panos lisos e escorregadios são a chave do truque.

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As tendências desfilaram pelo tempo. Brancas e lisas no XVII, coloridas e rendadas no XVIII, adamascadas no XIX. Mas a elegante toalha branca, simples e caindo até o chão, jamais saiu de moda. A seleção, no entanto, depende da ocasião. Cores neutras e tecidos nobres (como seda e organza) têm a ver com reuniões formais. Momentos descontraídos ou ao ar livre são mais flexíveis: cores alegres, estampas modernas, motivos geométricos e tecidos mil, do poliéster ao algodão, do plástico ao TNT.

Independentemente da escolha, uma mesa bem posta e vestida expressa o carinho e a alegria em acolher gente querida. É importante que a toalha de mesa esteja em sintonia com todo o aparato que vai sustentar.
A harmonia e o bom aproveitamento do espaço transmitem aconchego. Que seja atentamente passada e esticada, com meio metro de barra caída no máximo. Providencial um forro impermeável e fofo por baixo dela: deixa o contato mais agradável e protege o tampo do calor das travessas.

Opções não faltam. Quadradas, ovais, retangulares, redondas. Térmicas, perolizadas, de tule ou papel crepom, de fino artesanato ou de super-heróis. Na Amazon tem uma toalha de mesa desenhável para crianças, acompanhada por canetinhas de tinta lavável. O povo infantil (e adulto) também deve agradecer à toalha, porque serviu de instrumento para a concepção do “Monopoly”, o “Banco Imobiliário”. Foi sobre uma delas, em casa, que o engenheiro desempregado Charles Darrow esboçou o jogo para distrair os filhos da Crise de 1929. Crise, que crise? A família Darrow e suas futuras gerações apagaram a palavra das suas vidas e mesas.

Texto: Fábio Angelini

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