Três anos atrás, o chef espanhol Juan Mari Arzak, em pessoa, implorava para que os clientes não ficassem intimidando seus pratos com closes e travellings. Nesta altura, ele talvez já tenha desistido.

A mania de clicar comidas e publicá-las praticamente varreu as redes sociais. Muitos parecem nutrir mais apetite por “curtidas” do que pela refeição. Primeiro, a imagem é escolhida, filtrada e compartilhada. A boca vem só depois.

Tema polêmico quando se trata de etiqueta. Hoje, há restaurantes que proíbem celulares e câmeras à mesa, e outros que chegam a oferecer cursos de fotografia gastronômica aos frequentadores; há chefs inconformados que sobem nas tamancas e estabelecimentos que aplaudem a boa publicidade gratuita na internet.

Glória Kalil diz que usar smartphones em almoços de negócios, até que passa. Agora, dar uma de paparazzi compulsivo, que posta até imagem de torradinha com patê colorido, é expôr-se ao ridículo em público, incomodar quem está em volta e desrespeitar o acompanhante. Espera-se um mínimo de atenção para desfrutar o momento em conjunto. É, ainda, correr o risco de ser taxado de inconveniente, boêmio, boa vida, “gastroesnobe”.

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Segundo Valerie Taylor – chefe de psiquiatria do Hospital da Universidade de Toronto –, tal comportamento pode ser indicativo de algum distúrbio alimentar. Às vezes, a cegueira causada pela tecnologia desvia a atenção e acabamos comendo mais (ou menos) do que deveríamos. Bom senso é o ingrediente. Lembrar que a maioria das iguarias é bem melhor apreciada quando aquecida. Mas não aquecida pelo flash.

Texto: Fábio Angelini

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