É preciso ter um certo conhecimento sobre o mundo dos vinhos para saber o que é um Master of Wine (MW). Mas também é cada vez mais comum que os meios de comunicação façam referência a essa espécie de “jedis” do vinho, que parecem saber tudo sobre o assunto. Conheçamos um pouco mais do que há por trás desse inalcançável título. Que cada vez mais adquire prestígio e reconhecimento no setor vitivinícola, e tem sua origem na Inglaterra.

Para muitos de nós, parece curioso que um país como o Reino Unido, sem ser produtor de vinhos, apenas elaborando alguns hectolitros no sul da Inglaterra, fosse o criador de um título de tanto peso, mas devemos entender que o Reino Unido é, historicamente, o país mais importante no que diz respeito a comércio de vinho e educação sobre o setor. Além de também ser o país onde estão alguns dos escritores e críticos vinícolas mais influentes do mundo.

A fama e prestígio desta instituição vêm, em primeiro lugar, dos membros que atualmente estão ativos. Referências internacionais como Jancis Robinson ou Sarah Jane Evans são muito conhecidas nos meios de comunicação, e outros dedicam-se à elaboração de seus próprios vinhos. Mas a maior parte dos MW trabalha no comércio, sendo responsáveis pelas compras e distribuição do vinho nas maiores empresas, como é o caso de Dirceu Vianna Jr., que em 2008 foi o primeiro Master of Wine brasileiro. E, na atualidade, é o diretor de Enotria & Coe; uma referência na importação de vinhos no Reino Unido.

ORIGEM
Após a Segunda Guerra Mundial, dois dos mais importantes agrupamentos do setor vitivinícola inglês, “The Vintners Company” e “Wine and Spirit Association” decidiram promover uma titulação que ajudasse a promover o comércio de vinhos. O objetivo principal era melhorar a formação de seus membros e criar um título que representasse a máxima excelência na educação do vinho. Ao mesmo tempo que criasse uma organização que promovesse o mais alto profissionalismo na indústria vinícola. A primeira prova aconteceu em 1953. Apresentaram-se 21 candidatos, dos quais somente 6 obtiveram o crédito do MW. Dois anos mais tarde, em 1955, aqueles 6 primeiros “Masters of Wine” que haviam passado pelo exame original criaram o “Institute of Masters of Wine”. Com o objetivo de organizar e profissionalizar o setor.

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QUERO SER MASTER OF WINE
O primeiro passo para se matricular no Instituto MW é solicitar a admissão ao programa. Mas para isso é necessário demonstrar que você tem educação de alto nível em enologia; é engenheiro agrônomo ou tem um título do nível 4 do WSET; (Wine & Spirit Education Trust). Também é preciso conseguir que dois Masters of Wine ou pessoas de reconhecido prestígio no setor apoiem sua solicitação de entrada. Por último, você tem que passar nos exames de admissão prático e teórico. Um comitê vai avaliar sua solicitação e o comunicará se foi admitido ou não. Até aqui é fácil. A dificuldade começa com a entrada nas primeiras provas.

O preparo é intenso. Focado em uma exaustiva formação em mercados, tipos e variedades de vinhos do mundo; áreas geográficas; regiões e processos de elaboração; e análises sensoriais. Toda esta dificuldade garante que, ao conseguir o título, a pessoa esteja entre uma extrema minoria: a elite de conhecedores de vinhos do mundo que assusta o resto dos mortais pelo altíssimo preparo. Aqueles que superam os exames e passam a fazer parte do Instituto Masters of Wine assinam um código de conduta, no qual o que prima é a honestidade e a integridade. O que, aliás, não é nenhuma novidade no mundo anglo-saxão, de onde originalmente vem o conceito de “compliance”, no qual os códigos éticos são considerados fundamentais. Atualmente, há 356 Masters of Wine trabalhando em 29 países.

Quer encarar este desafio? Informe-se em www.mastersofwine.org

Texto: Alberto Pedrajo
Tradução: Paula Taibo

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