No Século I, já tinha gente conscienciosa pensando em reaproveitar sobras, como o gastrônomo Marcus Gavius Apicius. Em seu livro de receitas “De Re Coquinaria”, o romano dizia para imergir fatias de pão velho em leite e ovos, fritá-las no óleo e depois servi-las cobertas com mel. A iguaria ainda não possuía nome, mas é essa mesmo que você provavelmente está visualizando na mente ou nas papilas gustativas: rabanada. Talvez com um toque de canela em pó, por cima do açúcar ou do leite condensado.

No Minho português, o pão dormido é mergulhado em vinho; no nosso Nordeste, em leite de coco; em Honduras, a rabanada é feita com leite aromatizado no sumo e nas raspas de frutas; na Hungria, ela é salgada, não doce. Embora seja mais presente no Natal brasileiro – e existam hoje versões light, assadas, sem lactose e glúten, integrais, sem ovo –, parece que o costume vem esfriando aos poucos. No próprio Mediterrâneo, sua terra natal, a rabanada tornou-se inexplicavelmente rara. Estaria o Velho Mundo sofrendo de escassez de pão velho?

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Texto: Spartaco Rodrigues

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