Nesta edição, o Chef Mochileiro nos leva à encantadora e surpreendente Fortaleza. Uma cidade com muito para se ver, curtir, fazer e, é claro, comer. Tanto que é bom já sair passeando logo de início. De cara, já vemos os contrastes entre a beleza simples de alguns bairros e a elegância da orla, pontuada por belos hotéis e edifícios onde vivem os mais “endinheirados”. E falando em praia, uma caminhada à beira-mar é superindicada pra iniciar os “trabalhos turísticos”. A orla é maravilhosa, tem calçadões enormes e extremamente limpos, impressionando pelo cuidado e pela organização.

Para ficar, uma boa opção de hotel é o Bristol Jangada, no Meireles, um dos bairros mais desejados. É aconchegante, perto da praia e tem valores bem justos pelo que oferece: boa infraestrutura, limpeza e um café da manhã gostoso e muito bem servido, onde uma das estrelas é o bolo chamado Luíz Felipe, nome que homenageia um senhor de engenho pernambucano, Luíz Felipe de Souza Leão. Pernambucano, dissemos? Não, não é engano. O Ceará tem muitas particularidades como esta, como veremos mais adiante.

O PECULIAR MERCADO DOS PEIXES
Visitar este mercado no Mucuripe é vivenciar experiências gastronômicas inusitadas com peixes e frutos do mar. Nele, você escolhe o que quer comer, entre polvos, peixes diversos, lagostas, camarões… tudo sempre fresquinho. Só que a escolha é feita num lugar, e preparada em outro. Isso mesmo: você seleciona a comida, pesa de acordo com o número de pessoas e depois escolhe a cozinha na qual deseja comer. Por exemplo, 2kg de camarão para duas pessoas. Recomendamos o Box 11 do mercado para comprar e, por influência do vendedor do box, a cozinha da Ana e do Luís, conhecida popularmente por “Barraca do Rei dos Cornos”, para preparar os camarões. Ok, ria do nome, mas não deixe de ir. A experiência só não é única porque você vai querer repeti-la. Depois de entregar o que comprou para ser preparado, a espera para comer é por volta de 40 a 50 minutos. E vale a pena: o sabor é delicioso e a simpatia do pessoal, ímpar. Procure ir à noitinha e se sentar de frente para o mar, para apreciar os camarões preparados pelo Luís, sequinhos, crocantes e suculentos, bebericando uma cerveja bem gelada.

Com sorte, você topará com outra figura bastante conhecida no local. Ou melhor, se ela estiver por lá, provavelmente encostará na sua mesa. É a simpaticíssima (como todo nordestino, aliás) Flávia Ostras, uma das melhores vendedoras de ostras da região. Profissional gabaritada, ela não apenas vende seu produto, mas também dá uma aula de seriedade ao servi-lo. Ao bater nas conchas na frente do freguês, por exemplo, ela constata, através do barulho, se a ostra está viva e fresca, pois como sabemos, a ostra pode ser bem perigosa se não estiver nestas condições.

Se tiver tempo para retornar ao mercado em outros dias, experimente também as lagostas do Box 11. Preparadas no Rei dos Cornos, é claro, e acompanhadas pelas ostras da Flávia, é óbvio. As lagostas são imperdíveis. Fritas, macias, a carne úmida, no ponto certo. Dica: dispense o garfo e a etiqueta, e use as mãos, no melhor estilo culinária de rua.

ALEISON E ALEX
Em viagens gastronômicas, não pode faltar uma visita ao mercado municipal da cidade, sempre uma atração à parte. Mas em Fortaleza, até isso é singular: o Mercado Central de lá não é voltado ao hortifrúti, mas sim ao artesanato. No entanto, vale explorar bem o lugar, que curiosamente foi fundado em 1809 para venda de carne, frutas e verduras. Ao longo dos séculos, passou por reformas até atingir o formato atual, no qual conta com mais de 550 boxes em 5 pavimentos, vendendo roupas, artigos de cama, mesa e banho, doces, bebidas e outros produtos artesanais.

Entre os muitos boxes, destaca-se a loja do “Aleison das Castanhas”, onde você é apresentado aos mais diversos tipos de castanhas, cachaças e à famosa cajuína, refrigerante de caju sem gás. Não saia de lá sem provar as castanhas-de-caju. E deguste uma (ou mais) cachaças da loja. Uma das mais saborosas é a Cedro do Líbano, muito conhecida na região, produzida em barris de carvalho, engarrafada e lacrada com rolha. A experiência é inesquecível, afinal o Ceará é um dos maiores produtores de cachaça do Brasil, com 7 marcas que se destacam bastante: a já citada Cedro do Líbano; Chave de Ouro; Ypióca; Gole de Ouro; Patativa; A Rapariga, e Colonial. Caso não resista e queira provar todas, beba um litro de cajuína na sequência, pra equilibrar e rebater um eventual hangover.

Aleison é bom de conversa, e se você tiver tempo sobrando, vai gostar de ouvir seus “causos” e cases. Sim, cases. Segundo se diz na região (e ele próprio não desmente), a família é uma das maiores fornecedoras de castanha para diversas regiões do País. Além disso, seu irmão Alex tem um quiosque na Avenida Beira-Mar, que também vende, entre outras coisas, castanhas e cachaças. Uma curiosidade é que muita gente chama os dois de Aleison, por causa das castanhas. E como ambos são parecidos, de acordo com a quantidade de cachaça ingerida, a confusão é mais do que justificada.

CULTURA, DESCONTRAÇÃO E SORVETE
A noite de Fortaleza tem opções para casados, solteiros, famílias, crianças, jovens, adultos… O Centro Cultural Dragão do Mar é uma atração a ser visitada, com ótimos bares e atrações culturais, musicais, exposições e até espetáculos teatrais. Na gastronomia, há opções bem gostosas, como a coxinha de siri do Bar do Bixiga, que é gostosa até no preço. Caso não seja um fã de forró, contente-se com a coxinha. O estilo musical predomina no lugar (você está no Ceará, lembre-se), apesar de haver bares mais ecléticos. De qualquer forma, o Dragão do Mar é visita obrigatória.

Caso queira se refrescar e levar a família a um programa menos musical, não muito longe do centro cultural fica a Sorveteria 50 Sabores, onde o nome já diz tudo. Ou quase. O povo diz que às vezes vira 49 ou 48 sabores, pois a procura é muita. Lugar agradável, preço justo e sabores de sorvetes variados. Vale experimentar muitos, mas o de doce de leite com coco é espetacular.

PRAIA DO FUTURO, PREÇOS QUE NÃO SÃO BEM UM PRESENTE

Reserve também um tempo para visitar esta praia. Mas prefira os locais mais movimentados, para se divertir em segurança. O lugar é um verdadeiro paraíso: limpo, repleto de coqueiros, palmeiras imperiais e gente bonita. A bola da vez por lá é o Complexo CrocoBeach, um resort que tem de tudo: hotel, restaurante, spa e até uma piscina no meio da areia, pra quem não é chegado em água do mar. Há disponibilidade de cardápios à la carte para bolsos mais abastados e também buffet de comidas variadas, caso o dinheiro esteja um pouco mais curto. Mas não espere nada muito barato. O preço para comer no paraíso é um tanto salgado. O calor escaldante, no entanto, pode ajudar você a economizar alguns trocados e muitas calorias (e também a queimá-las).

Mais adiante, com menos jovens, mais sossego e mais famílias, fica a Barraca do Pipoca, onde a comida também é boa e todos indicam o caranguejo como a estrela do cardápio da região, apesar de não ser “da região”. Sim, os caranguejos do Pipoca vêm do Maranhão e parecem supernutridos, pois são maiores do que a média.

A SIMPLICIDADE DA VILA DE CUMBUCO
Famosa por ter uma das praias mais bonitas da região, a Vila de Cumbuco fica aproximadamente a 30km de Fortaleza, e é um ótimo programa para o dia todo. A praia é limpa, linda, muito espaçosa e, por conta dos ventos mais fortes, é frequentada pelos descolados do kitesurf. Não há aluguel de cadeiras ou guarda-sóis, mas os barzinhos e quiosques oferecem mesas e cadeiras para você se acomodar confortavelmente na areia – consumindo algo, é claro.

Já a Vila de Cumbuco, em sua simplicidade, tem ótimas opções de restaurantes e bares, com preços mais católicos que a Praia do Futuro. A Barraca Cumbuco Beach tem um ótimo atendimento e serve peixes como o pargo, muito apreciado na região. Vale pedi-lo assado, acompanhado por batatas fritas, arroz e salada de tomates e cebola.

Outra opção em Cumbuco é o passeio de buggy nas dunas, que pode ser feito com ou sem emoção, como eles dizem por lá. O freguês é quem manda. Mas se escolher com emoção, almoce depois do passeio, para evitar algo pior que o friozinho na espinha.

Até a próxima!

sociedade-da-mesa

VIAJANDO NA RECEITA
Camarão ensopado com leite de coco

INGREDIENTES:
• 1kg de camarões frescos
• 2 limões
• 6 tomates maduros
• 2 cebolas médias picadas
• 500ml de leite de coco
• Salsa, coentro e cheiro-verde a gosto
• 2 folhas de louro
• Sal a gosto
• Pimenta-do-reino a gosto

MODO DE PREPARO:
Limpe bem os camarões e marine com limão, tomates picados, cebola verde, salsa, temperos verdes, louro, sal, pimenta-do-reino e óleo. Depois de uma hora, leve tudo ao fogo brando, deixando até os tomates ficarem completamente desmanchados e o molho grosso. Retire do fogo quando estiver quase sem molho, acrescente o leite de coco e misture bem. Sirva na hora.

LOCAIS E ENDEREÇOS

Hotel Bristol Jangada Avenida da Abolição, 3.035, Meireles
Sorveteria 50 Sabores Avenida Dom Manuel, 65, Centro
Barraca do Pipoca Avenida Zezé Diogo, 5.765, Praia do Futuro
Quiosque do Alex Avenida Beira-Mar, 2.959, Meireles
Mercado Central de Fortaleza Avenida Alberto Nepomuceno, 199, Centro
Centro Cultural Dragão do Mar Rua Dragão do Mar, 108, Praia de Iracema
Praia do Futuro Avenida Clóvis Arrais Maia, Fortaleza
Mercado dos Peixes – Mucuripe Avenida Beira-Mar, 4.670, Meireles
Praia do Cumbuco Município de Caucaia, a 45km de Fortaleza

Texto: Eugenio Lorainev

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