A água fervente do sol nascente

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Um punhado de grãos lavados e água medida. Tampa fechada, start iniciado, e pronto. Sem óleo, sem sujeira e com precisão. Interior antiaderente e tranquilo de limpar. Para grande parte dos japoneses, a maior invenção não foi o trem-bala ou o DVD, não foi o pen drive nem a filmadora portátil. Tampouco o karaokê, o sushi ou o Pokémon GO. Foi a panela elétrica de arroz, a chamada “suihanki”.

Como trabalha essa panela, em geral constituída de cuba interna, resistência, termostato, temporizador, alguns botões e às vezes chips? Bem, por ser pequeno e duro, o arroz pede muita água e muito calor para cozinhar. Então, a “suihanki” executa o processo em 4 estágios básicos: arroz de molho na água, fervura, vaporização e descanso.

Nascida entre os anos 1940 e 1950, das mãos e mentes dos designers e engenheiros da Mitsubishi e da Toshiba, a panela elétrica de arroz juntou-se ao tsunami que varreu o mundo com produtos “Made in Japan”. Mas só a partir dos anos 1960 é que o utensílio revolucionou os lares nipônicos, ao substituir as pesadas panelas de barro e de ferro no preparo do arroz. Em 1964, já ocupava 88% dos endereços.

Tornou-se tão comum na cozinha japonesa quanto a panela de pressão na cozinha brasileira. A feliz união de uma cultura e uma tecnologia. De praticidade incrivelmente adequada à vida acelerada dos cidadãos e trabalhadores japoneses. No paralelo, preservando, facilitando e requalificando uma tradição familiar presente no café da manhã, almoço e jantar: comer “gohan”, o arroz. “Sem arroz não dá pra viver”, diz um ditado local. E agora, sem necessidade de deixá-lo de molho e vigiá-lo para não queimar, graças à panela elétrica de “gohan”.

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PLUGUE E USE
Do Japão, a “suihanki” viajou para Hong Kong, China continental e Coreia do Sul, onde adquiriu mais pressão para elaborar um arroz mais macio. Em diversas cozinhas rurais chinesas, até assumiu o papel de fogão, dando conta do arroz diário cozido no vapor e do “congee”, mingau de arroz glutinoso. No entanto, não pegou nos países do arroz basmati, como Índia e Paquistão: grãos alongados ficam empapados nela, e não soltinhos como deve.

As primeiras versões eram simples e exigiam atenção. Depois, veio a automatização total. Nos anos 1980, com a produção em larga escala, migraram para outras nações e regiões asiáticas. Em 1988, o sistema de aquecimento por indução favoreceu a uniformidade e o sabor final. No ano passado, uma gigante chinesa do setor de dispositivos móveis lançou sua panela inteligente de arroz: funciona por indução de calor e controle de pressão, conservando melhor os nutrientes do alimento; ainda, pode ser comandada por smartphone, tem 2.450 combinações de cozimento, e descobre a origem do arroz lendo o código de barras da embalagem.

Só nos últimos anos o Brasil parece ter despertado para o aparelho, cujo preço está mais acessível. Havia o mito de que ele só fazia arroz papa, como o japonês gosta. Da mesma forma, faz arroz soltinho, além de mantê-lo aquecido por várias horas. Além de cozinhar macarrão. E fazer sopas, pães, bolos, ovos, pudins, carnes e legumes, entre outras receitas. No vapor e sem gordura.

A panela elétrica de arroz faz um ótimo feijão também.

Texto: Fábio Angelini

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