Entre no espírito

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Está sentindo o ar diferente? A gente está. Este é nosso último número de 2017. Climão de festa, de alegria, de brinde. De mais um ano de trabalho, de dever cumprido. Como o seu e o de todo mundo, aliás. A energia desta época do ano é especial. E não é só quem trabalha com gastronomia, vinho ou qualquer outro tipo de bebida, que fica feliz. O Espírito de Festa conquista tudo e todos.

Soa até estranho, não é? Afinal, racionalmente, nada muda, além do calendário. Então, por que as perspectivas do ano que vem chegando têm o poder de modificar até o ar que a gente respira? Vamos responder com outra pergunta: quem foi que declarou que Espírito de Festa, Espírito de Natal, felicidade, alegria e esperança têm algo de racional? Não tem explicação. Não dá pra dizer “o que é”. Mas dá pra perceber – e principalmente sentir – “o que faz” com a gente.

Você muda e nem percebe. Surpreende a si mesmo sorrindo mais. Sim, a gente fica mais amoroso. Até quem se diz durão é pego de calças curtas e fica meio emotivo, meio manteiga derretida, como dizia vovó. A gente fica até mais condescendente e tolerante, já percebeu? As ruas ficam apinhadas, o trânsito parado, os shoppings lotados, os restaurantes abarrotados. E a gente ali: sorriso de Poliana e paciência quase monástica. Até olhar para o outro de um jeito diferente, a gente olha. Quem tem mais, fica mais bondoso. Quem tem menos, fica mais esperançoso.

Não se pode negar: a coisa contagia. Não importa a nação nem a crença. Mesmo quem não comemora, ou o faz em outras datas por um motivo ou outro, sente a diferença. Pode ser um sentimento de fraternidade mais à flor da pele, uma proximidade maior com o que é divino ou com o nosso próprio interior. Também pode ser pela pausa, pelo merecido descanso, seja apenas nas datas festivas e no dia seguinte a elas, ou nas férias coletivas que algumas empresas dão. Ou simplesmente pelo prazer de curtir a mesa farta e especial das festas.

E por falar em mesa, o Espírito de Festa também provoca na gente a vontade de ver (ou rever) a família reunida em volta dela. O ritual começa bem antes de todo mundo chegar. Semanas e às vezes até meses antes, com o planejamento e os preparativos da ansiada reunião. O que fazer? O que comprar? O que vestir? O que servir? Preparar a ceia, contratar alguém para fazer ou comprar pronta? Com tudo definido e preparado, o grande dia promete. E rende. Altas conversas, gargalhadas e boas histórias para relembrar no ano seguinte. Inclusive daquele parente mal-humorado que sempre dá as caras e coloca pelinho até no ovo do peru de Natal. E que, secretamente, tem gente na família que torce pra aparecer. Seja para participar da discussão ou assistir de camarote. Ops! Isso aí no canto da sua boca é um sorrisinho disfarçado?

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O ESPÍRITO DE FESTA ESTÁ EM TODAS
E ele tem rituais que vão do guarda-roupa à cozinha, passam pela sala, invadem as ruas, pulam ondas na praia, assistem aos fogos de artifício, à Missa do Galo e fazem a festa com inúmeras simpatias.

No armário, não pode faltar aquela roupa ou peça branca, de preferência nova, pra gente inaugurar no réveillon. Ano novo, tudo novo.

Na sala, é de bom tom dar um enfeite novo de presente pra árvore de Natal usar até o 6 de janeiro, Dia de Reis, quando ela entra em férias de novo.

Já na cozinha, o Espírito de Festa é personificado pela mesa, protagonizada por pratos e iguarias não muito comuns de se comer no dia a dia, como peru, pernil, leitão assado e peixes como bacalhau, além de salpicão, rabanadas, frutas da época, panetones e as imprescindíveis frutas secas. Sem falar nos vinhos e espumantes, é claro. Se você já ficou com água na boca, não deixe de conferir – e quem sabe até adotar como sua – a ceia de Natal criada e proposta pelo chef João Belezia nesta edição, para harmonizar com nossos vinhos.

O fim do ano e as expectativas de renovação também são acompanhados de simpatias, rituais e crenças que talvez a gente não leve muito a sério nos outros meses do ano.

Para o réveillon, a tradição do Espírito de Festa inclui ainda as folhas de louro, pra você guardar na carteira e atrair dinheiro no ano vindouro. Sementes de romã têm a mesma função, então é bom juntar o útil ao agradável. Ah, sim, se ainda tiver as folhas de louro do ano anterior na carteira, dispense em água corrente. Diz a simpatia que o louro tem de ser trocado ano a ano, senão…

Se desejar mesa farta o ano todo, não se esqueça de comer um generoso bocado de lentilha.

Está na praia? O Espírito de Festa recomenda que você pule sete ondinhas, para, de antemão, deixar pra trás os problemas do próximo ano.

Mesmo que você não acredite em nada disso, não faz mal. O Espírito de Festa traz uma coisa em comum a todos: essa vontade de dar uma respirada mais profunda. De refletir. De sentir o novo. Acreditar de novo. E, cá entre nós, a gente bem que podia fazer isso todo dia. Principalmente as partes da fraternidade e de sorrir mais.

Boas festas!

ESPÍRITO DE PROMESSA

Passagem de ano sem promessa não tem a mínima graça. Todo mundo já fez e continua fazendo. Por isso, fizemos aqui uma lista das mais comuns. Entre no espírito da brincadeira e faça a sua. Cumprir? Bom, a gente pode falar disso no ano que vem?

• Guardar dinheiro, nem que seja embaixo do colchão
• Fazer dieta (essa é clássica)
• Ter mais paciência
• Mudar de emprego e de cidade
• Fazer exercícios físicos (a clássica número 2)
• Fazer uma longa viagem
• Tirar férias de verdade
• Parar de fumar (a clássica das clássicas)
• Reclamar menos
• Casar

Texto: Paulo Samá

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