Manchuela, vinhedos de Altitude

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Fomos até os vinhedos mais altos de Castilla La Mancha em busca de frescor, e chegamos às bodegas Altolandon. Administradas por Manolo e Rosalia. Dois empreendedores entusiastas que dedicam suas vidas ao cultivo do vinhedo e à elaboração do vinho.

Iniciaram o projeto com as primeiras vinhas em 1999 e cinco anos mais tarde, em 2004, elaboraram suas primeiras 5.000 garrafas. Mas o que eles têm de diferente, entre tantos outros da região? A altitude na qual cultivam seus vinhedos, que crescem em torno dos 1.000 metros em uma das regiões de maior extensão vitivinícola do mundo, a uma média de 450 metros sobre o nível do mar.

A bodega está situada dentro da D.O. Manchuela. Uma das Denominações de Origem mais jovens do território espanhol, mas que já percorreu um longo caminho para ser reconhecida. Situada no sopé das serras que separam as províncias de Cuenca e Albacete da vizinha Comunidade Valenciana, onde a paisagem apresenta uma suave orografia.

Com essas videiras e a aplicação de técnicas mais avançadas sobre um importante substrato de tradição vinhateira na região, os lagares antigos e as adegas domésticas, hoje em dia são obtidos excelentes vinhos, como o desta seleção. São vinhos brancos de cor amarela pálida, aromáticos, frutados, de uma viva acidez e frescor. Vinhos tintos elaborados principalmente com a uva Tempranillo, conhecida na região por Cencibel ou Bobal. Com intensa cor, aromas frutados e taninos persistentes, e vinhos rosados também elaborados com Bobal e Tempranillo, por vezes monovarietais e por outras mesclados. Obtendo-se delicadas cores rosas muito brilhantes, com intensidade aromática de frutas e leve acidez. Mas se tem algo que nos surpreende nesta Denominação de Origem, é a diversidade de solos e orografia.

Emoldurada entre os vales dos rios Júcar e Cabriel, a Manchuela é favorecida por condições edafoclimáticas muito particulares. Os solos argilosos com base calcária dos sedimentos de ambos os rios recolhem e mantêm a água da chuva que cai, enquanto a uva não cresce. A escassa umidade, a ausência quase total de chuvas entres os meses de maio e setembro, e a grande quantidade de horas de sol recebidas durante o amadurecimento, fazem com que o risco de doenças seja ínfimo. E, portanto, sua qualidade não é afetada por tratamentos fitossanitários. A maior parte da Denominação de Origem é cultivada através da agricultura ecológica.

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Os vinhedos, cultivados em uma superfície aproximada de 72.000 hectares, situam-se a uma altitude entre 600 e 1.100 metros sobre o nível do mar. Em um clima continental influenciado pelos ventos úmidos do Levante. As altas temperaturas diurnas produzidas pelo vento do oeste e a frescura noturna da brisa mediterrânea favorecem um amadurecimento lento e uma perfeita formação dos polifenóis da uva.

As terras altas reúnem as condições ideais para a produção de vinhos de grande qualidade, e conferem aos vinhos características únicas e especiais. O vinho nasce da uva, mas a altitude na qual é cultivado é fundamental para sua qualidade final. Por conta da altura maior, da maior e melhor incidência de radiação solar e da amplitude térmica.

Quanto maior a altura, mais polifenóis há. Portanto, ela aporta um efeito refrescante ao incrementar os índices de acidez, graças à amplitude térmica. Ao mesmo tempo, há uma riqueza maior nos aromas, sabores e polifenóis. Pela colaboração entre o aumento de radiação solar e a amplitude térmica. Estas condições climáticas fazem com que, durante os últimos meses de desenvolvimento da uva, ela faça uma maturação lenta e prolongada. Formando frutos de menor tamanho, com mais peles do que polpa. Aportando uma maior proporção de taninos ao vinho, por se encontrar, principalmente, na casca da uva.

Os vinhos provenientes destas uvas oferecem uma grande intensidade de cor; amplitude e profundidade de aromas. Grande complexidade na boca, além de serem muito mais aptos para a crianza em barril, já que a maior acidez e proporção de taninos aumenta a possibilidade de obtenção de vinhos de guarda.

Texto: Alberto Pedrajo
Tradução: Paula Taibo

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