Na Itália, a produção de espumantes e frisantes estende-se por todo o território. Mas as regiões com maior tradição e raiz são as do Norte, principalmente Piemonte; Lombardía; Trentino; Veneto e Emilia-Romagna. Onde tradicionalmente se elaboram estes vinhos e onde seu consumo é muito frequente entre os habitantes. Nos últimos anos, o vinho espumante italiano substituiu outros espumantes e conquistou muitas mesas, pois o Prosecco, o mais conhecido da Itália, conquistou com seu frescor e delicadeza não apenas as mesas da Itália, mas também de todo o mundo. Assumindo a liderança que, durante anos, pertenceu ao Champanhe e à cava.

O sucesso deste vinho espumante reside, entre outas coisas, na sua simplicidade. No consumo fácil e adaptado a qualquer momento. Não é um vinho somente relacionado a festas, como outros. Os habitantes de Veneto bebem vinho espumante há centenas de anos para acompanhar todo o tipo de menus e a quase qualquer hora do dia.

Mas os espumantes italianos começaram a avançar fronteiras e conquistar países como o Reino Unido, Alemanha e Estados Unidos. Que são responsáveis pelo crescimento do consumo deste vinho, atraídos pelo gosto suave e preço econômico em comparação com seu irmão mais velho, o Champanhe. Mesmo que se trate de um espumante, não se pode considerar uma alternativa ao Champanhe, pois não tem sutileza nos matizes, característica que deriva de seu método de elaboração.

Os “spumantes” são elaborados mediante o método “Charmat”. Onde sua segunda fermentação, para aquisição de espuma, realiza-se em um tanque selado e pressurizado. Enquanto no método “Champenoise” isso acontece diretamente na garrafa.

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De qualquer modo, não podemos confundir seu sucesso recente com o fato de ser um produto novo. O Prosecco e outros espumantes italianos são consumidos há décadas, principalmente na Itália, onde sempre foram valorizados. Já na Antiga Roma era apreciado o aroma da uva Glera, da qual obtinham o vinho “Puccino”, o antepassado mais remoto do espumante italiano.

Foi no Século XVIII, quando os avanços técnicos permitiram criar a “spumantizzazione”, que se conseguiu a textura espumosa do Prosecco, tão apreciado hoje – e que continua utilizando como segredo do seu sucesso, o mesmo tipo de uva branca com toques dourados. Mas, por sorte, este sucesso abriu a porta para outras variedades, como esta que estamos apresentando, a Durello. Uma variedade pouco cultivada dada a sua alta acidez, que não permitia a elaboração de vinhos brancos, mas que, devido ao auge dos vinhos espumantes na região, mais especificamente o já citado Prosecco começou a ressurgir com força, graças a alguns produtores que apostaram em experimentar com ela, comprovando que seus altos níveis de acidez permitiam a elaboração de vinhos espumantes de qualidade.

A uva Durello
A região montanhosa entre Verona e Vicenza é a origem da Durello. Uma variedade desconhecida, mas que fica, a cada dia, mais popular entre os vinhos de Verona, como os famosos Valpolicella e Soave. Durello também é conhecida popularmente como Durella, e cobre as ladeiras das colinas de Lessini entre Verona e Vicenza, desde que seu cultivo se difundiu na região, em 1700.

Trata-se de um vinhedo vigoroso, capaz de se adaptar a vários tipos de solo calcário ou vulcânico, que são característicos da região. Os cachos de uva são de tamanho mediano, têm uma forma cônica e geralmente compacta. A pele é grossa, o que lhe aporta uma característica tanicidade. A região de vinhedos encontra-se nas montanhas Lessini e também nas colinas próximas de Pontremoli em Alta Lunigiana. Também é encontrada na província de Massa Carrara. A uva Durello atualmente supera os 500 hectares, com uma produção superior a 10 milhões de garrafas.

Seu alto conteúdo em acidez total faz ideal sua utilização para a elaboração de espumantes, fermentando bem na garrafa, no “método Champenoise”, ou em autoclave, no “método Charmat”.

Texto: Alberto Pedrajo
Tradução: Paula Taibo

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