Sai a fumaça, entra a corrente

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A pizzaria Bráz Elettrica abriu suas portas em São Paulo. As portas de dois fornos elétricos importados de Nápoles, que alcançam 600 ºC e assam pizzas individuais com perfeição em 90 segundos. Tal equipamento existe, em primeiro lugar, graças aos conhecimentos somados de um dream team de cientistas: Alessandro Volta, Michael Faraday, Thomas Edison, Nikola Tesla, André Ampère, George Ohm, Benjamin Franklin e Hans Oersted. Cujos trabalhos colocaram a eletricidade em nossas vidas, casas e eletrodomésticos. Uma força-tarefa de massa cinzenta também deu origem ao forno elétrico.

Os egípcios ateavam fogo dentro de fornos cônicos, e faziam o inverso do que imaginamos: os pães, de massa mole e achatada, eram assados nas paredes externas da instalação. Vieram fornos de barro, pedra, tijolos e cerâmica.

Em 1767, Horace de Saussure criou um surpreendente forno solar com abas refletoras, que atingia 150ºC. E não podemos falar do forno sem falar do fogão, inventado pelo norte-americano Benjamim Thompson na década de 1790. Uma fonte de calor direta com um topo achatado e forno reunido. Fogão e forno, aliás, quase inseparáveis. Quase.

Em 1860, o fogão a gás já era usual na Inglaterra. Pensando em como a lenha e o carvão empesteavam o ambiente, e nas próprias limitações do gás, ideias pulularam de vários cantos do planeta.

  • 1859: George B. Simpson dos EUA patenteou uma superfície aquecida por bobinas de platina alimentadas por bateria.
  • 1890: O inglês Rookes Bell Crompton concebeu um ancestral do forno elétrico, eletrificando uma placa de ferro, espécie de chapa de aquecimento rudimentar.
  • 1892: Utilizando um aparato que convertia eletricidade em calor, o canadense Thomas Ahearn cozinhou uma refeição completa no hotel Windsor, de Ottawa.
  • 1896: William Hadaway recebeu a primeira patente de um forno elétrico nos EUA. Ao fim dos anos 1920, seus fornos começaram a peitar as versões a gás. O impulso maior viria somente após a Segunda Guerra, quando as redes de transmissão adentraram territórios e o custo da energia elétrica caiu.
  • 1905: O australiano David Curle Smith patenteou um dispositivo seguindo o design dos fogões domésticos a gás – um forno encimado por chapa elétrica com um grill entre eles. A configuração seria seguida pela maioria dos fornos elétricos. Para dar uma força, sua esposa Nora escreveu um livro com 161 receitas (só para fornos elétricos).
  • Lloyd Groff Copeman teve quase 700 invenções registradas. Em 1912, a Copeman Electric Stove Company obteve sua primeira patente de fogão elétrico, conhecido como o “fogão sem fogo”. A empresa foi comprada pela Westinghouse em 1917.
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CALOR SOB CONTROLE
O sistema mais antigo, e que ficou consagrado, foi aquele que valeu-se das resistências elétricas. Os fios de níquel-cromo ajudaram a melhorar a relação custo e durabilidade dos elementos de aquecimento. Mas a evolução ficou quente de fato quando o forno emancipou-se do fogão.

Surgiram os fornos elétricos com grill, cozimento lento e autolimpeza. Em 1952, a Western-Holly Company lançou o teleforno, com tela de TV: a dona de casa cozinhava enquanto via seus programas favoritos. Em 2011, a empresa eslovena Gorenje apresentou o iChef+, primeiro forno elétrico com touchscreen. Chegou o forno elétrico de indução, no qual uma corrente alternada induz um campo eletromagnético que aquece com grande eficiência energética. Veio o incrível forno elétrico com calor infravermelho, que cozinha alimentos de dentro para fora, assa, tosta, grelha e não exige preaquecimento. Só falta falar. E há fornos multifuncionais com vários tipos de cozimento: elétrico com convecção, grill, micro-ondas, função combinada e vapor.

Mesmo ainda preso ao convencional fogão a gás com forno, o brasileiro parece familiarizado com as vantagens do forno elétrico individual na cozinha, embutido ou de mesa. Nele, tudo fica pronto mais rápido e a precisão é maior, por mostrar temperaturas bem mais próximas do real – coisa que nem sempre acontece com o forno do fogão. Pode fazer toda a diferença no preparo de uma receita. Além disso, é uma solução mais “natural” que o micro-ondas, pois preserva melhor as texturas dos alimentos. E desligado, mantém o calor por mais tempo.

Porém, a tecnologia abocanhou fogão, forno, micro-ondas, cooktop. E a escolha tornou-se praticamente uma questão estética. Só não vá escolher por engano o denominado forno elétrico de Moisson: esse marca até 4100ºC, e cozinha exclusivamente urânio, vanádio, molibdênio e outras iguarias metálicas.

Texto: Fábio Angelini

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