Douro, o rio poderoso

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O vinho é parte da paisagem do Douro há mais de 2.000 anos. Mas seu verdadeiro desenvolvimento e apogeu aconteceram a partir do Século XVIII, graças ao sucesso de seu principal produto – o vinho do Porto. Esta longa tradição vitivinícola desenvolveu-se em uma paisagem de enorme beleza, que cativa pelos vales profundos e estreitos cânions, que serpenteiam acompanhando o rio e criando uma imagem única, fruto da comunhão entre a natureza e o trabalho do homem.

A região vitivinícola do Douro estende-se por 250.000 hectares ao longo da bacia do rio Douro. Um rio poderoso, com 927 km desde sua nascente nos Picos de Urbión (Espanha) até o encontro com o Oceano Atlântico na cidade de Oporto, em Portugal. Em seu caminho, passa por várias regiões vitivinícolas, sendo a região do Douro a mais espetacular de todas elas.

O Douro é um vestígio vivo da história agrícola de uma terra que foi moldada ao longo do rio, pela mão de viticultores que se aliaram à natureza para dar vida a uma paisagem quase impossível. Foram esculpidas ladeiras em terraços, para desenvolver uma viticultura dramática pela extrema dificuldade de cultivo. Um gigantesco monumento ao esforço de seus viticultores, uma obra épica em um solo de ardósia, cujo principal valor está na capacidade de armazenar o calor do sol que permite o crescimento das vinhas que dão origem a seus vinhos.

A região tem invernos muito frios e verões muito quentes e secos. Mas o singular é a grande variedade de microclimas, graças à complexa orografia, que divide a região em três sub-regiões, todas muito diferentes entre si em relação à temperatura, à precipitação e dimensão das propriedades, variedades etc.: Baixo-Corgo, Cima-Corgo e Douro Superior. O número de variedades aceito pela D.O. é simplesmente espetacular – são mais de 100 e a maioria delas são autóctones. Somente com isso já podemos dimensionar a enorme riqueza vinícola destas terras.

Os vinhedos estão distribuídos em terraços com marcos muito estreitos nas plantações mais tradicionais, e aproveitando a orografia do terreno, o que dificulta bastante o trabalho e a vindima, que acontece de setembro até meados de outubro, em pequenas caixas que são levadas ladeira acima e abaixo.

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Antigamente, o cultivo da vinha era praticado apenas no Alto Douro. Este era o nome usado naquela época para se referir à região vitivinícola que hoje compreende o Baixo e o Cima-Corgo. O limite que separava o Alto Douro do Douro Superior, na região do “Cachão da Valeira” era um acidente geológico
(um grande monólito de granito existente no leito do rio, que impedia a navegação do rio Douro para cima). Posteriormente, com a eliminação do bloco de granito no reinado de D. Maria II de Portugal, o cultivo da vinha estendeu-se para o leste, mesmo que continuasse sendo menos importante no Douro Superior que no Alto Douro.

A particularidade do Douro reside em sua localização geográfica: nessa região há grande influência das serras do Marão e de Montemuro, servindo como barreira contra os ventos úmidos do oeste, provenientes do Oceano Atlântico. Situada nos vales profundos e protegidos por montanhas,
a região caracteriza-se por invernos muito frios e verões muito quentes e secos, com uma precipitação muito irregular ao longo do ano: maior em dezembro, janeiro e março; e menor em julho e agosto, antes da vindima.

A exposição ao sol é um fator de grande relevância na caracterização climática de qualquer região. E no Douro ganha interesse duplo, já que nos permite entender o comportamento da vinha nas diferentes situações. A margem norte do rio é influenciada pelos ventos secos do sul e a margem sul encontra-se exposta aos ventos do norte do país (mais frios e úmidos) e a uma maior insolação. A temperatura do ar é mais alta nos lugares orientados ao Sul do que nos orientados ao Norte. Com as temperaturas médias anuais oscilando entre 11,8 e 16,5ºC.

Os valores máximos das temperaturas médias anuais distribuem-se ao longo do rio Douro e seus afluentes. Especialmente os da margem direita (especificamente os rios Tua e Ribera de Vilariça). Com relação às amplitudes térmicas diurnas e anuais, verifica-se que são mais elevadas na Barca d’Alva
e menores em Fontelo, fato que se explica pela distância do mar. Esta temperatura vai aumentando quando nos aproximamos da fronteira espanhola, ao passo que as precipitações vão diminuindo.

Esta é uma das regiões que todo aficionado ao vinho deve visitar em algum momento. O Douro tem uma beleza e força insuperáveis, que o levaram a ser classificado pela UNESCO como Patrimônio da Humanidade. O que permite que, não somente a nossa geração, mas também as próximas,
possam continuar admirando sua beleza a partir dos mirantes das Quintas; pelas janelas dos trens na passagem pelos cânions; ou a partir dos barcos que navegam pelo rio, em uma travessia que se converte em uma lembrança inesquecível.

Texto: Alberto Pedrajo
Tradução: Paula Taibo

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