Nas garras da funcionalidade

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Aaron Rouse gostava tanto de répteis que possuía uma píton de
estimação de 2 metros. Em maio de 2015, ele a alimentava usando um pegador de alimentos, quando o bicho guloso
engoliu tudo junto, comida e peça metálica. A cobra foi operada
e ficou bem.

Os pegadores de alimentos normalmente não são de natureza
agressiva. Oriundos da pré-história, não passavam de duas
meras varas de madeira improvisadas unidas como pinça para
travar e pegar objetos perigosos e itens da fogueira.

Ou seja, são mais ou menos contemporâneos à descoberta do
fogo pelo homem. A madeira cedeu lugar ao metal por volta do
ano 3 mil a.C.. A versão teológica sobre seu surgimento estampa
um texto judaico clássico, onde se reza que o artigo foi criado
por Deus pouco antes do descanso do sétimo dia.

Ao lado da faca e da colher de pau, o pegador figura entre os instrumentos manuais mais úteis da cozinha doméstica ou profissional. Há pegadores de brasas e de gelo, de aspargos e de escargot. Suas duas partes paralelas alcançam, agarram, reviram e servem uma variedade infinita de comestíveis, com delicada precisão e garras à prova de calor. Firmeza e exatidão que aumentam a nossa destreza à beira do fogão.

Pode erguer coxas de frango estalando ou catar cápsulas individuais de cardamomo de um prato. Ajudar a transformar um pedaço de carne em churrasco, pinçar desde saladas e torrões de açúcar até cubos de gelo, frios e petiscos. Aquele tipo com extremidades dentadas abraça com segurança os alimentos mais volumosos e escorregadios, como o macarrão.

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Muitas variações de tamanho e finalidades, mas tal especialização é cada vez menos frequente; a tendência, desde os anos 1990, voltou-se para os modelos mais curtos, versáteis e genéricos, na faixa dos 24 centímetros de comprimento.

O preferido parece ser o de inox (com bordas recortadas), mas são comuns os pegadores de plástico, silicone, nylon antiaderente e bambu. Alguns apresentam trava automática, outros, uma paleta inteira de cores psicodélicas. O velho pegador do tipo tesoura, lembra? Aquele que se fechava sem dar aviso e às vezes estraçalhava a comida, está praticamente extinto, graças aos bons deuses da santa cozinha imaculada.

No começo do Século XX, as famílias norte-americanas usavam grandes tenazes para agarrar os blocos de gelo destinados às chamadas “ice boxes”, as precursoras da geladeira. Pois que o gelo virou cubo no dispenser, e a tenaz transformou-se em pinça.

Uma teoria diz que os pegadores modernos – existe até pegador de churrasco que imita sabre de luz – são evoluções dos alicates antigos.

O essencial é que, tecnicamente falando, ninguém precisa de escorredor ou talheres para servir uma massa, quando empunha um pegador “pegajoso”. Em inglês, o objeto é chamado de “tong” (do remoto “tange” ou “tang”), que significa “o que morde”. Ele nasceu para agarrar mesmo.

Texto: Fábio Angelini

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