Vinos Sanz, uma bodega histórica de Rueda e um novo projeto em Madri

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Fazia tempo que não nos aproximávamos de uma das regiões vitivinícolas mais prósperas da Espanha: Rueda. Onde a variedade Verdejo é, sem dúvida, a rainha dos vinhos. E para acompanhar o aromático e surpreendente vinho branco Montesol Rueda 2016, selecionamos outro vinho, um tinto da D.O. Vinos de Madrid. É a primeira vez que a Sociedade da Mesa traz ao Brasil um vinho desta Denominação de Origem, de uma das bodegas históricas da Espanha – Vinos Sanz.

Denominação de Origem Rueda
O desenvolvimento da viticultura na região de Rueda iniciou-se no Século XI, depois da Reconquista, graças a Alfonso VI, que ofereceu plena propriedade da terra para os povoadores, provenientes, em sua maioria, do norte da Península Ibérica. Algumas ordens monásticas aceitaram de bom grado a oferta e construíram mosteiros, utilizando os vinhedos pra prover a região de vinho e abastecer a corte castelhana. No Século XVIII, a área de vinhedos era mais extensa que hoje e estava exclusivamente plantada com a variedade Verdejo.

Os vinhos brancos de Rueda foram adquirindo fama por seu perfil frutado e sua longevidade. Seu sucesso comercial estendeu-se até a chegada da filoxera, que destruiu dois terços dos vinhedos entre 1909 e 1922. Após o desastre, a região foi replantada com vides escolhidas utilizando critérios de produtividade e não exatamente de qualidade. Por isso, a variedade Verdejo foi substituída pela Palomino, que naquela época era predominante. Foi na década de 1970 que a Verdejo retomou sua fama e, progressivamente, seu protagonismo.

A primeira tentativa de criar uma D.O. surgiu em 1935, mas seu reconhecimento como tal não aconteceu antes de 1980, quando, por ordem do Ministério de Agricultura, foi a primeira Denominação de Origem a ser reconhecida na Comunidade Autônoma de Castilla e Leon, após vários anos trabalhando pelo reconhecimento e proteção de sua variedade autóctone – a Verdejo. Esta variedade branca é acompanhada, em menor proporção, pela Sauvignon Blanc, Viura e Palomino fino. A Verdejo é a que maior fama conquistou nos últimos anos, originando vinhos brancos muito frescos e frutados, do tipo que estão em alta atualmente.

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Seu aroma e sabor têm matizes de erva do campo, com toques de fruta e uma excelente acidez que, junto com o volume, extrato e seu característico toque amargo, aportam-lhe originalidade e expressão de fruta. As variedades brancas acompanham as tintas: Tempranillo, Cabernet Sauvignon, Garnacha e Merlot. A vindima de 2016 na D.O. Rueda resultou em 108.812.763 quilos. Deste montante, 99,02% (107.747.261 quilos) correspondiam a uvas brancas. A variedade autóctone Verdejo representava 85,08 % da produção total, com 93.368.169 quilos.

Denominação de Origem Vinos de Madrid
Mesmo que os primeiros dados sobre a presença de vinhedos atuais nos limites de Madri datem do Século XIII, é certeza que já existiam muitos séculos antes. O primeiro documento que nos falava da existência de vinhedos em Madri, tratava de uma disputa pela posse de um deles, entre monges e um senhor feudal. A contenda foi finalmente solucionada pela arbitragem da lei.

No entanto, foi no Século XVI que os vinhos da região viveram sua primeira época dourada. A eleição de Madri como capital do reino, por Felipe II em 1561, resultou em um notável crescimento na demanda e, ao mesmo tempo, na produção de vinhos no lugar. Madri chegou ao Século XX com mais de 60.000 hectares de vinhedo. Porém, em 1914 apareceu a primeira filoxera em San Martín de Valdeiglesias. A praga estendeu-se rapidamente, arruinando os vinhedos de Madri e provocando uma mudança grande em seus vinhos. A recuperação foi lenta e se fez com variedades estrangeiras, especialmente a Garnacha. A verdadeira recuperação deu-se nos anos 1950, após a Guerra Civil que devastou Madri.

Os anos 1980 marcaram uma mudança espetacular no panorama vinícola espanhol, e o vinho de Madri não ficou de fora. Sua história voltou a tomar rumo em 1984, com a tramitação da nova Denominação Específica – Vinos de Madrid. O conselho regulador de tal denominação enfrentou uma tarefa complicada, por conta do setor paralisado e dos poucos recursos para investir. Apenas duas entre as três bodegas que elaboravam seus vinhos vendiam sua produção engarrafada. É lógico que, inicialmente, ninguém esperava muito desta denominação, criada em 1990, mas nos últimos anos, os vinhos de Madri conseguiram reconhecimento e prestígio pela sua variedade e qualidade.

Em 2013 Vinos Sanz empreendeu seu próprio projeto na D.O. Vinos de Madrid. Para essa aventura, contou com a colaboração de uma das bodegas mais antigas da região. Seus vinhedos situam-se na Comarca de Las Vegas do sudeste de Madri. Em maio de 2015, veio à luz o primeiro de seus vinhos, o Sanz La Capital, com uvas de cepas velhas de Tempranillo de Madri. Um tinto frutado cuja excelência na juventude desponta para um projeto de passado, presente e futuro.

Vinos Sanz
Antigamente conhecida como Bodegas Sanz, Vinos Sanz é uma bodega com longa tradição, na qual o respeito pela terra vem passando de pai para filhos desde 1870. Trata-se de uma bodega referência – seis gerações dedicadas ao cuidado com o vinho, à paixão pelo trabalho bem feito e à vigilância próxima do vinhedo. Uma longa história para a bodega mais antiga de Rueda, que soube adaptar-se aos novos tempos respeitando o legado cedido por mais de um século de experiência, e que também nos apresenta um projeto na capital da Espanha, na Denominação de Origem Vinos de Madrid, ampliando assim sua gama de produtos com vinhos tintos desta região vitivinícola tão promissora.

Vinos Sanz é uma bodega com história, mas que soube adaptar-se e evoluir com os novos desafios do Século XXI. Para enfrentá-los, a bodega realizou diferentes avanços e modificações, tanto em produtos, quanto na imagem e instalações. E atualmente está envolvida na construção de uma nova bodega, no coração de Rueda. Um projeto que juntará o sabor da tradição com a mais nova arquitetura, tecnologia e estrutura para seus visitantes.

Vinos Sanz tem extremo cuidado com a elaboração de seus vinhos desde o vinhedo, onde a uva é a protagonista do esplendor. Este cuidado e zelo, a espera paciente do broto, e a terra sã, forte e ao mesmo tempo dura com a cepa, são seus fatores de diferenciação. São vinhos da terra, que nascem do esforço do clima, do solo e do homem, para brilhar com elegância na taça, como os selecionados neste mês: Montesol – Rueda 2016 e Sanz La Capital – Tempranillo 2016.

Vinos Sanz conta com aproximadamente 100 hectares de vinhedos próprios. Quase todos situados na finca la Colina, no coração da Denominação de Origem Rueda. Verdejo, Viura e Sauvignon Blanc são as principais variedades plantadas.

Texto: Alberto Pedrajo
Tradução: Paula Taibo

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