A lichia faz jus à sua linhagem. Coincidência ou não, como
boa oriental, esta pequena fruta também é milenar. Seu
cultivo tem relatos que datam de 1500 a.C. e tem uma
longevidade espantosa – há lichieiras que chegam a durar
até 1200 anos, ainda florescendo e dando frutos, do alto
de sua estatura nada modesta, que vai de 10 a 20 metros
de altura, no caso das mais antigas. Curiosamente, no
Brasil a lichia é uma fruta relativamente nova: seus
primeiros registros em nossas terras foram feitos por
volta da década de 1800. Antes tarde do que nunca, pois a
Litchi chinensis Sonn, prima não tão distante da pitomba na família sapindaceae, é repleta de benefícios.

Mesmo assim, ainda não é uma unanimidade como outras frutas mais comuns em nosso País. Plantada em poucos estados brasileiros, como Minas Gerais, São Paulo e Paraná, ela costuma ser mais presente entre novembro e janeiro, daí o fato de ser mais comum nas mesas de festas de fim de ano. Sua aparência é rústica. A cor vermelha, puxada para um rosa por vezes pálido, faz com que a lichia até passe despercebida na hora das comprinhas na feira, quitanda ou supermercado. Sua polpa, para muitos, também não é das mais atraentes. Talvez até por isso, a sensação de experimentá-la seja tão surpreendente: a lichia é extremamente saborosa e suculenta, com gosto que lembra a delicadeza da uva moscatel, além de seu perfume ser um verdadeiro presente para o olfato.

Na mesa, a lichia também não fica devendo: são centenas de preparos possíveis, elaborados com a fruta em suas versões fresca, seca, enlatada ou desidratada. E nem sempre são doces. Ela vai bem no peruano ceviche, por exemplo, e como ingrediente principal (!), com um resultado deliciosamente refrescante. O tradicional frango feito no forno também pode ser inovado com a adição da fruta, trazndo um sabor extra ao prato. Pode-se também retirar o caroço e rechear a lichia com diversos ingredientes, como uma ampla variedade de queijos.

sociedade-da-mesa

E por falar neles, há quem diga que canapés com lichia e gorgonzola são verdadeiras preciosidades gastronômicas. Nas compotas, doces, sorvetes, tortas e gelatinas a lichia também marca presença, podendo ser protagonista ou coadjuvante. No campo das bebidas, encontramos sucos, doces, aguardentes, licores, caipirinhas (frutas vermelhas com lichia ou só de lichia são espetaculares) e até vinhos que contam com a fruta em sua elaboração.

A Litchi chinensis Sonn faz mais bonito ainda no campo das benesses. Ela contém poderosos antioxidantes, ajuda a reduzir problemas do coração, diminui o colesterol ruim, contribui para a beleza da pele, fortifica cabelos e unhas, tem vitaminas, micronutrientes como minerais e nutrientes essenciais para a saúde, como pode-se constatar em sua composição.

Vitamina C (ácido ascórbico): a lichia é rica nesta vitamina, tão essencial para nosso sistema imunológico e para regular os radicais livres.
Colina: nutriente das vitaminas do Complexo B, muito importante na proteção do fígado e redução de sua gordura.
Vitamina K: ajuda na coagulação do sangue e protege as artérias da calcificação.
Fibras: colaboram para a boa digestão e saúde intestinal, além de trazerem sensação de saciedade.
Potássio: ajuda a controlar a pressão arterial e faz muito bem para o coração.
Cálcio: bom pra proteger e deixar os ossos fortalecidos.
Magnésio: mais uma mão na roda contra os radicais livres.
Fósforo: uma ótima contribuição para a boa memória.

E como se tudo isso não bastasse, a lichia ainda traz o que todos nós queremos: além de ser saborosa, é pouco calórica: só 65 calorias, em média, a cada 100 gramas. Isso para a grande maioria de suas espécies, que somam por volta de duas mil. Lichia no dia a dia. Já.

Texto: Renato Soares

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