Prato e tato

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Para agregar novas experiências sensoriais à mesa, a alta gastronomia atual tem resgatado um hábito ancestral: comer com as mãos. Deselegante? Para a maioria da população mundial, não mesmo. Índia, Sudeste Asiático, Oriente Médio e boa parte da África servem-se muito pouco ou nada de garfos e facas. Acreditam que as energias conectam o ser aos alimentos. Os gestos são simbólicos e reverentes, um rito próprio.

Napolitanos antigos atacavam seus espaguetes com as mãos, e cozinheiros medievais vetavam o uso de qualquer instrumento metálico, porque interferiria no sabor dos alimentos. Claro, ninguém vai se atirar numa feijoada ou T-Bone de mãos abanando. Mas é possível manipular respeitosamente alguns petiscos sem passar vergonha.

Pães, canapés, espigas de milho, cerejas, salgadinhos de festa (finger food), frango à passarinho, caldeirada de marisco. Sanduíches também, a não ser que venham acompanhados de talheres; caranguejo e lagosta, se oferecidos na própria casca; mais tortillas, tacos e burritos, esfihas e quibes, wraps e ribs. No sushi, o polegar deve tocar o peixe, e o indicador ou dedo médio, o arroz. Mas não se preocupe: esses quitutes não costumam comparecer a jantares cerimoniais, justamente para evitar constrangimentos desnecessários. São sinônimos de momentos descontraídos.

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A alcachofra pede mais atenção, ainda mais porque seu modus operandi não é intuitivo: inteira em flor, é desgustada folha a folha, mergulhando-se a parte carnuda no molho, levando à boca e raspando com os dentes; o coração da alcachofra, ou miolo, normalmente exige garfo e faca.

E para lavar os dedos, guardanapos, lenços umedecidos ou potes de água perfumados. Afinal, somos todos civilizados.

Texto: Fábio Angelini

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