Valorizando o Valle del Maule

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O Valle del Maule encontra-se na região mais austral do prolongado e
fértil Valle Central chileno. Este vergel, localizado a 260 Km ao sul da
capital Santiago, é considerado o de maior tradição vitivinícola do Chile,
sendo na atualidade o motor de desenvolvimento desta indústria,
concentrando 45% dos vinhedos cultivados no país. A região conta com
aproximadamente 52.000 hectares, onde as variedades tintas, com mais
de 70% de superfície, são as mais cultivadas.

Nas últimas décadas, o Chile teve uma vocação para a exportação de
seus vinhos, sendo o mercado internacional o principal foco. O vinhedo
do Maule, assim como os do resto do país, vem se adaptando ao ritmo de
desenvolvimento do mercado internacional. Isso refletiu na expansão
que a superfície de vinhedo teve nos anos 1980 e parte dos 1990,
atenuando-se no início deste milênio. Esta evolução do mercado dos
vinhos e de vinhedos obrigou o cultivo e o negócio a se orientarem para
uma produção mais qualitativa.

Mesmo sendo uma região com grande tradição vitivinícola, até há pouco tempo seus vinhos eram menosprezados, por serem destinados ao consumo a granel, onde parecia mais importante o volume de produção do que a qualidade da mesma. Mas assim como aconteceu em outras regiões vitivinícolas, a exportação e a incorporação de novos viticultores e produtores, fez com que o Valle del Maule mudasse sua orientação enológica. E a mudança, neste caso, foi bastante ágil.

Foram múltiplas as razões que produziram esta evolução, e a mais relevante foram os investimentos que a indústria vitivinícola realizou nas últimas décadas. A solidez e maturidade dos vinhos engarrafados têm sido o veículo para melhorar a rentabilidade dos vinhedos e bodegas, a imagem da marca e o produto.

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Para obter este salto qualitativo, não encontramos somente a explicação no trabalho feito na bodega com seus vinhos, a comercialização e o marketing. Também foi decisivo um trabalho minucioso nos vinhedos, uma compreensão maior das variedades cultivadas, dos solos e de todas as variáveis que definem um “terroir” e o posicionam como singular. Nisto, os viticultores do Maule avançaram muitíssimo, e sua estratégica localização, entre a Cordilheira dos Andes e a Cordilheira da Costa, colocou à disposição uma grande diversidade de solos e climas que permitem produzir vinhos de qualidade.

São solos que se caracterizam principalmente pelo importante conteúdo de argila e granito, que, junto com o clima temperado de tipo mediterrâneo, dotaram a região com vinhedos de muita personalidade. Esta é a grandeza da região: sua diversidade de “terroirs”. Por isso o Valle del Maule demonstrou, nestes anos, que está apto para o cultivo tanto de brancos de reconhecimento internacional como o Sauvignon Blanc e o Chardonnay, como para excelentes tintos como Cabernet Sauvignon, Merlot, Carmenére, Malbec e Syrah, entre outros que geralmente surpreendem por apresentar um bom equilíbrio entre fruta e acidez.

O trabalho na região não se concentrou somente em
potencializar aqueles vinhedos plantados nas últimas
décadas com crescimento descontrolado, utilizando
variedades com prestígio internacional. Também
conseguiram tirar partido de uma variedade de “suposta”
baixa qualidade – a rústica País, introduzida pelos
espanhóis há séculos, que encontrou neste vale a
oportunidade que não teve em outras regiões do planeta.

O Maule procura com intensidade seu espaço de
reconhecimento, valorizando, antes de mais nada, o seu
vinhedo, e isto já é um bom motivo para celebrar, já que nos oferece grandes surpresas na hora de
degustar seus vinhos.

Texto: Alberto Pedrajo
Tradução: Paula Taibo

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