Punch, o primeiro coquetel

0

Há milhares de anos o homem fermenta, destila e prepara
infusões. Boa parte de sua motivação teve caráter medicinal,
mas certamente não deixou de lado o prazer de sorver essas bebidas.

Porém, o coquetel, tal qual concebemos hoje, tem raízes
modernas. A maioria dos livros sobre o assunto indica seu
nascimento nos Estados Unidos a partir da palavra “punch”,
pois o termo em inglês “cocktail” só apareceria nos registros
impressos no século 19. O americano David Wondrich,
talvez a maior autoridade na história da coquetelaria,
localiza a primeira menção ao punch em documentos ingleses de 1632.

A receita mais antiga de punch foi encontrada por Johan Albrecht de Mandelslo, um aventureiro alemão, ao visitar uma fábrica da Companhia das Índias Orientais inglesa em Surat, na Índia, em 1638. Há quem afirme, assim, que a bebida não foi propriamente inventada, mas adotada pelos mercadores ingleses.

O punch que se bebia na Índia levava cinco ingredientes, cozidos: arrack (um álcool obtido a partir da fermentação do açúcar extraído das flores do coqueiro), açúcar, suco de limão, especiaria, água ou chá.

Em meados do século 17, o punch espalhou-se pelas docas de Londres e alcançou a elite inglesa. Numa época de invernos muito rigorosos – ainda sem eletricidade ou aquecedor a gás -, a bebida parecia uma ótima saída para aquecer o corpo, e muitas receitas deste proto-coquetel surgiram.

Entre os séculos 17 e 18, também, os navios ingleses espalharam o punch por diversos países, já que a bebida, diferentemente do vinho e da cerveja, não estragava durante as longas viagens. Além disso, era fornecida aos marinheiros para combater o escorbuto.

sociedade-da-mesa

No século 18, as tavernas deram lugar a um novo ambiente, as coffee houses (casas de café), nas quais o punch virou uma bebida da classe média. Um desses populares estabelecimentos foi o London Coffee and Punch House, aberto em 1731. De propriedade de James Ashley, a casa tornou-se local de encontro de vários artistas, políticos e poetas da época. Foi Ashley que começou a servir doses individuais da bebida, anteriormente apresentada numa grande vasilha.

Em 1733, o Molasses Act, um ato inglês que protegia o açúcar de suas 13 colônias ao taxar o melaço, o rum e o açúcar de outras origens, ajudou a popularizar o punch na América. O melaço era utilizado pelos destiladores da Nova Inglaterra, no novo continente, para fazer o rum.

Sua evolução, a partir de então, passou da mistura de cinco ingredientes para um aromático sherbet – uma espécie de limonada concentrada, feita com óleo de limão, suco de limão e açúcar – misturado a licores. Ao longo do tempo, o punch deixou de ser a bebida favorita: precursora da dose individual, ela abriu espaço para uma miríade de subcategorias, como sours (álcool, cítricos e um adoçante), daisies (álcool, cítrico e licores) e rickeys (álcool, cítricos e soda), ou seja, para o início da coquetelaria moderna.

Texto: Cristiana Couto

Faça parte do nosso clube: vinhos selecionados por uma rede mundial de especialistas, entregues na porta de sua casa, por preços até 40% abaixo dos praticados no mercado! Associe-se!

 

Deixe um comentário