O Alentejo, o Tejo e o Algarve

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Entre o Tejo e o Algarve, ao sul de Portugal, está o Alentejo, uma região linda que ocupa aproximadamente um terço do país. Nas suaves colinas e planícies estão plantados 20.000 hectares de vinhedos, bosques de pinheiros, oliveiras e muitos sobreiros, que rodeiam povoados cheios de história com pessoas amáveis e acolhedoras, além de uma cultura gastronômica que encanta o apreciador da boa comida, da cultura e do vinho, é claro!

Alentejo significa “além do Tejo” e não era exatamente uma região conhecida pela elaboração de bons vinhos. Aliás, durante anos, para grande parte dos consumidores de vinhos, as referências para o vinho português eram Porto e Douro. O Alentejo, assim como outras regiões, teve seus vinhos relacionados com vinhos a granel e de mesa. Mas nos últimos anos, não somente percebeu seu potencial, como também investiu em tecnologia e conhecimento, apostando em uma nova geração de enólogos para produzir vinhos de qualidade e, consequentemente, expandir as fronteiras de seu reconhecimento.

As uvas tradicionais portuguesas que dominam a região são Trincadeira, Castelão, Touriga Nacional, Aragonez (Tempranillo), Alicante e Bouschet. E há alguns anos começaram a ser plantadas nos vinhedos a Syrah e a Cabernet Sauvignon, para fazer parte de coupages com variedades locais. Mesmo que na região se elaborem principalmente vinhos tintos, os brancos vêm ganhando lugar com variedades como Roupeiro, Rabo de Ovelha, Arinto e a Antão Vaz, cujos aromas tropicais e flores brancas são tremendamente sedutores.

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Há muitos microclimas e terrenos diferentes na região, mas o clima predominante é uma mistura de influência continental e mediterrânea, que produz verões cálidos com pouca chuva e invernos longos e frios. As sub-regiões são mais cálidas e têm menor pluviometria, de forma mais intensa no interior. As altas temperaturas da primavera ao outono resultam em uma maturidade precoce dos vinhedos, produzindo vinhos muito alcoólicos. Mas graças à evolução nas técnicas de cultivo, como a utilização de sistemas de irrigação, os resultados no desenvolvimento e maturação dos vinhedos, que antes estavam completamente subordinados ao clima, estão mudando. Já os solos da região são principalmente de granito com xistos, argila e pedras calcárias.

Também não podemos falar desta região sem mencionar a cortiça, que é produzida pelos sobreiros. Hoje Portugal é responsável por quase 65% das exportações mundiais de cortiça, produzindo 44 milhões de unidades por dia. A exploração acontece no auge do verão, entre julho e setembro, quando as cascas soltam-se mais facilmente e, assim não se prejudica a cultura. Aliás, essas árvores são protegidas por uma lei que, entre outras coisas, especifica um tempo de recuperação para o sobreiro, após o descortiçamento.

Texto: Paula Taibo

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