História do Châteauneuf du Pape

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As primeiras videiras em Châteauneuf-du–Pape foram plantadas pelos antigos romanos, que deixaram no sul do Vale du Rhône, ruínas que nos contam um pouco da história desse povo na região. Inclusive, um dos anfiteatros romanos mais antigos e bem preservados do mundo fica em Orange, que está a uma distância, de carro, de 17 minutos de Châteauneuf. O anfiteatro é parte do Patrimônio Mundial da UNESCO, com um cenário impressionante, de 103 metros de largura por 37 metros de altura, e está muito bem preservado.

Mas o nome Châteauneuf-du-Pape nos leva para outra época. Mais especificamente para 1309, quando o Papa Clemente V mudou-se para Avignon. Foram oito papas que serviram na região, e esse
período foi muito importante para o lugar, não somente porque as plantações de vinhedos e a produção de vinhos ganharam importância, mas também porque houve uma evolução na cultura geral.

Naquela época, a maior parte do vinho local era produzido pela Igreja ou para a Igreja e suas atividades religiosas. Clemente V interessava-se tanto pela gestão dos vinhedos e pela produção de vinhos,
que fazia contribuições e os promovia. O próximo papa, João XII, também trabalhou para melhorar
as práticas vitícolas da região e para os vinhos, que passaram a ser chamados “Vin du Pape”. E assim prosseguiu durante a estadia do papado em Châteauneuf-du-Pape.

Em 1344, quase a metade das terras de Châteauneuf-du-Pape já eram vinhedos, enquanto as terras dos futuros vinhedos da Europa ainda eram ocupadas por cereais. Naquela região, muitos cidadãos dedicavam ao menos uma parcela de suas pequenas terras ao cultivo de uvas para a produção de vinho. E mesmo com a localidade perdendo a prosperidade com a volta do Papa para Roma décadas mais tarde, o vinho continuou sendo importante na região. De fato, por volta de 1700, os vinhos de Châteauneuf-du-Pape ganharam status com os críticos da época, pois combinavam as melhores qualidades do Languedoc
e de Bordeaux. Esse progresso foi interrompido com a chegada da filoxera em 1860. A praga destruiu grande parte dos vinhedos e os produtores locais perderam seu sustento, deixando então a área.

A região vinícola levaria décadas para se reerguer. Quase 60 anos mais tarde, e já com a produção recuperada, por volta de 1919 os limites oficiais da denominação de Châteauneuf-du-Pape foram estabelecidos. Em 1924, Châteauneuf-du-Pape solicitou o status de denominação oficial e, em 1932,
o primeiro grande proprietário de terras na denominação – o Barão Le Roy – que esteve envolvido
na criação das regras para a denominação, já possuía vários nomes famosos, incluindo: Fortia, Rayas,
La Nerthe, Vaudieu e outros.

Em 1936, o “Institut National des Appellations d´Origine” criou a denominação oficial de Châteauneuf-du-Pape, a primeira denominação francesa, estabelecendo as regras e leis a serem seguidas por quem ali desejasse produzir vinhos. Entre as regras estabelecidas, estão os limites geográficos, a especificação de
15 diferentes variedades, a densidade de plantio, que inclui no mínimo 2.500 e no máximo 3.000 vinhas por hectare; vinhedos com no mínimo 4 anos de idade e colheitas manuais, além de grau alcoólico mínimo
de 12,5 e proibição da chaptalização (correção da quantidade de açúcar no mosto).

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A região é composta por 5 municípios: Châteauneuf-du-Pape propriamente dita, no lado ocidental,
com 1.706 hectares de vinhedo ocupando 53% da denominação. Courthezon, na parte nordeste da região,
com 663 hectares de vinhedo e 20% da denominação; Orange, no extremo norte e oeste da região, ocupando 398 hectares de vinhedos cobrindo 12% da denominação; Bedarrides, ao sudoeste, com 353 hectares de videiras e 11% da denominação, e Sorgues, situada no extremo sul da região, com 128 hectares de videiras, ocupando 4% da denominação.

Nos anos 1990, o reconhecido crítico Robert Parker apaixonou-se pelos Châteauneuf e levou sua opinião para o mundo, o que rapidamente aumentou a procura por aqueles vinhos, resultando em uma disparada nos preços, uma vez que a produção não era suficientemente grande para atender à alta demanda
de amantes do vinho sequiosos por desfrutá-los.

Os solos e o clima
Os solos de Châteuneuf-du-Pape são muito pobres e, portanto, perfeitos para uvas. São compostos de rochas, areia, calcário, argila e pedras (seixos) de vários tamanhos. Dentro da D.O. encontram-se combinações diferentes dessas matérias, criando terroirs diversos e únicos. As pedras que cobrem os solos dos vinhedos são importantes para os resultados da produção, pois refletem a luz para as plantas (folhas e uvas), absorvem o calor
durante o dia e à noite dispersam-no, regulando as temperaturas e ajudando no desenvolvimento da fruta. O clima de Châteauneuf-du-Pape é mediterrânico, com verões quentes, secos e ensolarados e invernos frios, mas não ao extremo.

Ao Sul, o rio Rhône tem um papel importante e a região recebe a ação do vento Mistral, que é forte, frio
e seco, soprando de norte a sul. Estes ventos ajudam a manter o ar e as frutas limpos, enquanto retiram o excesso de água, ajudando a reduzir doenças, pragas e insetos. Há um lado negativo, pois os ventos podem também quebrar brotos e videiras mas, em anos mais quentes, ajudam a regular as temperaturas,
e quando atingem a região, podem durar até três dias.

Além dos solos e clima, outro fator importante que influencia na qualidade dos vinhos é que a maioria
das videiras de grenache é antiga e tem baixo rendimento, o que proporciona níveis intensos de concentração da fruta, profundidade de sabor, caráter e complexidade aos vinhos. As vinhas também são mantidas perto do chão, o que as protege dos ventos fortes.

Texto: Paula Taibo

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