SOCIEDADE DA MESA 15 ANOS

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O novo CEO, Stéphane Kaloudoff, compartilha, é claro,
de nosso amor ao vinho. A bebida que tanto nos apaixona está
presente na história dele, assim como na nossa, desde sempre.
Saiba mais e descubra as expectativas do Stéphane nesta
entrevista.

Consegue se lembrar da exata ocasião em que surgiu a paixão por vinhos?
Sim, lembro-me. Eu tinha 25 anos e era estudante de Direito
e Ciências Políticas na cidade de Aix, em Provence [França]. Costumávamos reunir um grupo de amigos para almoçar ou jantar juntos, e poupar recursos. Era uma época romântica, porque não havia o conceito de restaurante por quilo.
Mas era como se tivéssemos inventado um, compartilhando poucas coisas, mas com um prazer incomensurável. E
obviamente, tinha vinho. Embora não tivéssemos muito dinheiro, a escolha do vinho era uma etapa delicada, porque a comida podia até ser ruim, mas o vinho tinha que ser bom.
E naturalmente existia o ritual de degustar o vinho e comentá-lo.

Rapidamente, fomos “impressionados” pela grandeza do assunto, porque a cultura do vinho não tinha limites, além de cruzar a história da França e do mundo. Todos opinavam, e saíamos ganhando em “cultura geral”. Ou seja, a paixão surgiu aos poucos, mas foi rápida, ajudada pelo fato de que tínhamos milhares de opções baratas. O grupo de 10 amigos permaneceu em Aix durante três anos, para cumprir a formação
em Ciências Políticas. Depois, fomos para Paris compartilhar um apartamento, onde repetíamos os mesmos rituais. Aliás, um de nós foi estudar “le droit de la vigne et du vin” na Faculdade de Uzes e ainda hoje permanece na região, a qual visito ao menos uma vez por ano.

Qual é a sensação de “estar do lado de cá do balcão”? Ou seja, de trabalhar com venda de vinhos?
É muito gratificante, porque o produto é nobre e a Sociedade da Mesa tem este espírito de trazer vinhos de qualidade para qualquer mesa. Ou seja, os contatos são bons, as pessoas são boas, e cada momento é uma aprendizagem da cultura, que é, como já disse, infinita. Eu não só escolho os vinhos com os nossos profissionais, mas tenho o privilégio de apresentá-los e degustá-los, o que me faz compartilhar momentos únicos.

Definitivamente, o vinho permitiu-me encontrar pessoas incríveis, e sou grato ao destino por ter me oferecido a oportunidade de trabalhar neste mundo. O grande desafio não é tanto de buscar um vinho
de qualidade, mas tentar agradar o máximo de pessoas. Porque há também uma infinita variedade
de gostos, e fico preocupado quando trazemos um vinho do Velho Mundo, por exemplo, e alguns associados preferem os vinhos do Novo Mundo, e vice- versa.

Sabemos que é um estudioso do nosso mercado. Quais são as mudanças principais do mundo do vinho nos últimos 15 anos?
Acho que a principal mudança é relativa à ascensão dos vinhos do Novo Mundo. Quando a gente pensa que 3 países europeus estavam dominando 90% da produção nos anos 1960 e agora representam menos de 50%, é impressionante ver como o vinho, bebida ancestral, muda tanto de origens (até na China, agora), de modo de produção e de horizontes – No nosso País, por exemplo, o vinho rosé começa a aparecer de maneira mais frequente nas praias do litoral.

Outro fator que me impressiona é a qualidade dos vinhos: é muito melhor hoje do que 15 anos atrás. Consequentemente, o consumidor torna-se mais exigente, e a busca de um bom vinho exacerba a concorrência, fenômeno amplificado com o aparecimento das novas tecnologias e da área digital. Por último, uma outra mudança que me chama a atenção é a causada pelas mudanças climáticas. Existem projeções que apostam que a Inglaterra será um grande produtor de vinho no futuro. E isso me faz pensar: e o Brasil, como será daqui 20 anos, nesta corrida vitícola?

Quais são suas expectativas para o mundo do vinho a médio e longo prazo?
Em nível internacional, sem dúvida, o contínuo surgimento de novos produtores em lugares inusitados. Acho que o Velho Mundo vai manter sua posição de legitimidade, porque a cultura do vinho é ancestral na Europa. Mas a difusão e a interconexão do mundo de profissionais (a Argentina tem alguns exemplos de produtores locais extremamente influenciados por enólogos europeus, por exemplo), vai permitir manter um alto nível da qualidade dos vinhos. Nacionalmente, creio que o aumento da penetração do vinho acabou de começar.

Acredito que a democratização pode ser lenta em alguns estados, mas a magia da bebida, os momentos que ela provoca e onde está presente, faz com que cada vez mais os brasileiros optem por tomar mais vinho e deixar as outras bebidas. Por último, vejo com muito interesse as mudanças da distribuição
do vinho, com o surgimento da plataforma digital, que favorece também a troca, a “bolsa” de vinhos.
E algumas experiências interessantes já testadas em alguns países, como a venda de taças “tampadas” em supermercado. Ou seja, minha expectativa é de ver este mundo mudar em proporções até difíceis de imaginar.

Dê sua visão de futuro para a Sociedade da Mesa para os próximos cinco anos.
A Sociedade da Mesa nasceu como Clube de Vinhos há 15 anos. Agora, sem perder o seu foco e a sua missão, está evoluindo com as demandas do mercado, e tem um plano estratégico para os cinco próximos anos. Primeiro, temos muitas demandas de clientes pontuais que querem comprar um vinho, sem se associarem imediatamente, mas desejam ter, em
poucos minutos, a bagagem que vem com a garrafa (ou seja, a ficha técnica, para poder saber tudo sobre o vinho ao bater os olhos). Temos que atender este público mais volátil, mas que também deseja a experiência de degustar um vinho de excelente custo e qualidade. Temos algumas vantagens com a nossa experiência em buscar e trazer vinhos únicos para o Brasil.

Este diferencial pode ser alavancado, na medida que a Sociedade da Mesa pertence a um grupo internacional, VinoSelección, que tem 45 anos de experiência em vários países. Agora, mais do que nunca, temos a capacidade de trazer muito mais vinhos (não obstante a volatilidade do câmbio) e abrir uma loja online. Do lado do Clube, ela trará uma opção de vários rótulos para quem quer iniciar a sua jornada, ou para um público conhecedor.

Mas sempre favoreceremos o Clube, com as vantagens associadas, como preço, revista, degustação, informações… Nosso espírito não mudará e iremos introduzir só vinhos muito qualitativos, dentro de uma faixa de preço razoável, sem enganar o público – porque um vinho abaixo de 30 reais raramente é qualitativo. Outra evolução na qual queremos investir: hoje a Sociedade da Mesa disponibiliza uma revista mensal de mais de 60 páginas aos associados, com um conteúdo rico sobre vinho, vinhedos, gastronomia etc., mas existe também uma demanda por “educação” e “formação” sobre vinho, vinda dos associados e outros amantes do vinho.

Temos que evoluir para difundir este conteúdo a quem quiser. É uma missão gratificante, onde podemos contribuir muito. E por último, teremos mudanças em nosso relacionamento com o público, considerando as evoluções da plataforma da Sociedade da Mesa. Queremos ficar mais perto de todos e poder bater um papo, mesmo tendo 45.000 associados! Queremos reforçar, ao longo dos próximos anos, a nossa presença “física”, o que não significa abrir uma loja fisica, mas sim poder ter a oportunidade de encontrar os nossos associados e clientes, através de eventos ao redor do vinho!

Texto: Paula Taibo

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