Walt Disney – Chili com feijão

Diane Disney Miller, a filha única de Walt, achou dentro de uma antiga revista Life um manuscrito que continha, entre vários itens, filé de frango frito empanado, patê e ovos com biscoitos e mel, costeletas de vitela, cenoura com passas, tomates com pepinos, gelatinas (todas) com pedaços de frutas, abacaxi fresco ou de lata, e chili com feijão.

Walt Disney preparou essa lista para a nova cozinheira da casa, a recém-chegada Thelma. Não que fosse muito exigente, tinha gostos relativamente simples, mas tinha rotinas. Não queria se preocupar com detalhes gastronômicos, só com as animações, os estúdios, a construção da Disneylândia.

Desde os 7 anos, Disney revelou talento para o desenho, aos 14 ingressou no Kansas City Art Institute, e aos 18 iniciava sua carreira de cartunista e ilustrador. Bem antes do sucesso, Disney passou poucas e boas. Chegou a catar comida no lixo, dormir de favor e se alimentar com ração canina para economizar. Praticamente um “vagabundo” sem a sua “dama”.Ela chegaria em 1925: Lillian Bounds, uma de suas primeiras funcionárias, agora sua mulher, ambos já em Hollywood.

Mais ou menos a partir daí, começou a revolução na história da animação infantil. Em 1927, nasceu Mickey; em 1929, Pato Donald, Pateta e Pluto; em 1939, o primeiro longa-metragem animado, “Branca de Neve e os Sete Anões”.

Disney produzia sem parar e geralmente carregava para o estúdio frutas secas e cream cracker se a fome apertasse. Não gostava muito de doces nem de legumes, apreciava macarrão com queijo, fígado de galinha e as mesmas comidas rápidas da juventude, como batatas fritas, hambúrgueres, sanduíches de rosbife, panquecas e picadinhos.

Era fã do “Shrimp Linguini Alfredo”, camarões assados mergulhados em molho cremoso, servidos sobre uma camada de pasta. Porém, a refeição querida do homem de 22 Oscars era algo mais trivial: chili com feijão. Quando viajava, Disney levava consigo uma lata de “Gebhardt’s” (mais carne e menos feijões) e outra de “Dennison’s” (menos carne e mais feijões), que costumava misturar.

sociedade-da-mesa

A paternidade do chili com carne é controversa. Pela crença popular, o criador seria o México. Porém, os especialistas dizem que o prato nasceu no Texas, na cidade
de San Antonio, e aí sim, talvez, sob a influência de imigrantes mexicanos. Isso na segunda metade do século XIX. Originalmente, era composto por carne seca, gordura, condimentos e pimenta chili, popular entre os cowboys e aventureiros do oeste americano. Para os conservadores, o verdadeiro chili deve ter apenas carne e quantidades intoleráveis de pimenta. Hoje, as versões mais populares trazem feijão na receita, além de carne e tomate.

Podem dizer que Walt Disney não era tão imaginativo à mesa. Deixou a criatividade para as telas, os parques e sonhos que legou ao mundo. Se você por acaso estiver no Magic Kingdom, dê um pulinho na atração “Piratas do Caribe”. Segundo a lenda, Disney está congelado abaixo do brinquedo, esperando o dia em que a ciência o trará de volta.

O chili de Walt Disney
Ingredientes
• 1kg de carne moída
• 2 cebolas fatiadas
• 2 dentes de alho picados
• 1kg de feijão mulatinho
• ½ xícara de aipo picado
• 1 colher de chá de pimenta-malagueta em pó
• 1 colher de chá de páprica
• 1 colher de chá de mostarda em pó
• 1 lata de tomates pelados, sem líquido
• sal a gosto

Preparo
Deixar cozinhar os feijões durante a noite em água fria. Escorrer. Acrescentar água até cobrir os feijões – mais ou menos dois ou três dedos. Ferver os feijões com as cebolas em fogo baixo até amaciar (cerca de 4 horas). Enquanto isso, preparar o molho dourando a carne e o alho picados em óleo. Acrescentar os outros ingredientes
e deixar o molho cozinhar em fogo baixo durante uma hora. Quando os feijões estiverem bem macios, adicionar o molho e deixar fervendo durante 30 minutos. Rende de
6 a 8 porções.

Texto: Fábio Angelini

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