Adjetivos de dar gosto

Um vinho pode ser aveludado, floral, intenso, amadeirado, adstringente, estruturado, herbáceo, complexo, elegante, frutado, doce e muito mais. O que ele não deve é personificar a chatice, abusando de classificações quando elas são desnecessárias, redundantes, fora de contexto ou emotivas. Foi assim que cunharam o termo “enochato”.

A indústria e o comércio de alimentos que o digam. Normalmente, eles não poupam elogios rasgados e vibrantes aos seus produtos maravilhosos, para temperar textos e aumentar rendimentos. Esta é uma das discussões que rola no meio publicitário: adjetivos em excesso poderiam atrasar e reduzir a compreensão do leitor. “Embromation”, você sabe.

Uma das palavras que mais circula entre os profissionais de planejamento, marketing e startups é “conteúdo”, seguida de “relevância”, “identidade”, “engajamento”, “fidelização”. Que seriam mais facilmente conquistados com mensagens mais verdadeiras, diretas e enxutas, sem tantas firulas de linguagem.

Nomes técnicos são importantes na degustação e no estudo, sem dúvida. Na taça e no prato do dia a dia não é tão diferente assim, pois compreender e expressar nossos sentidos está intimamente conectado ao mundo da cozinha, à arte de satisfazer, surpreender, confortar, regalar nossa fome.
Com iguarias suculentas salgadas, cremosas, divinas, picantes, frescas, deliciosas, agridoces
e por aí vai dicionário afora.

sociedade-da-mesa

É impossível dissociar o prazer da mesa, essa experiência do provar, de termos que procuram descrever as sensações, boas ou não. Elas quase sempre têm origem na boca, mas a percepção do sabor não se limita ao paladar. De acordo com a neurogastronomia, o gosto está ligado a todos os sentidos, e mais fortemente ao olfato. Os especialistas da ciência dizem que não dá pra separar
o olfato retronasal do paladar, porque ambos ocorrem ao mesmo tempo e no mesmo lugar,
além de terem a mesma origem, no alimento que comemos.

Cor e aparência (visão), consistência e temperatura (tato), e até um determinado som produzido na mastigação (audição), também afetam nossos sentimentos em relação à comida e bebida. O sabor amendoado da torta, a crocância de um talo de aspargo, o rubro vívido do morango, a maionese geladinha… Tudo é codificado pelo cérebro, traduzido em sensações, depois qualificado e categorizado em um dos cinco sabores conhecidos: amargo, ácido, salgado, doce e umami.
Ou “sem-sabor”, esse adjetivo insosso e aborrecido, só almejado na água.

No que depender dos pesquisadores da Universidade do Estado de Oregon, um sexto sabor logo vai engordar a lista: é o “starch”. O gosto de carboidratos em geral, que sentimos do pão à batata,
das massas à aveia. Gosto “starch”. Amido, em inglês.

Texto: Fábio Angelini

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