O vinho na Hungria. Uma trajetória de sobressaltos

A vinicultura húngara conheceu altos e baixos através dos séculos. Suas videiras existem desde
a época dos romanos e sua fama no mundo do vinho variou entre a produção de bons vinhos e a produção de vinhos para serem exportados em grandes quantidades, em detrimento da qualidade.

Assim como em outros países, na Hungria os cristãos foram, em grande parte, responsáveis pela implantação da cultura do vinho, através da construção de mosteiros cercados de vinhedos para garantir produção suficiente para o consumo dos religiosos. Com o advento da invasão otomana,
no ano de 1526, muitos hectares de terra produtiva foram abandonados em razão das fugas temendo ataques invasores.

Após o império otomano, o setor conheceu uma boa recuperação e foi criado o primeiro sistema de classificação de vinhedos. A Hungria recuperou seu posto e, no final do Século 19, voltou a ser um dos principais exportadores para a Europa Central e Oriental. Mas ainda havia muito por vir.
A Primeira Guerra Mundial, o fim do Império-Húngaro e a invasão das terras derrubaram mais uma vez a economia do país. Anos depois viriam ainda as revoluções comunista e fascista. E em 1920,
com o Tratado de Trianon, perdeu dois terços de seu território, incluindo parte de Tokaji. Anos depois, com o final da Segunda Guerra, o país enfrentaria ainda as ocupações alemã e russa, e a chegada
do comunismo, quando seus vinhedos foram divididos e redistribuídos, acabando com qualquer chance de produzir bons vinhos. recuperação veio após o fim do comunismo e até hoje a Hungria trabalha e investe em tecnologia para reconquistar seu prestígio internacional.

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Villány e o vinho
Os frutos do trabalho com vinhos vêm se mostrando satisfatórios. Hoje, o país possui nada menos que 22 regiões vitivinícolas. Entre elas, Villány, de onde procede a Seleção Mensal deste mês, Ördög Cuvée 2015, é uma das mais importantes. A região tem fama de produzir excelentes vinhos tintos
em seus mais de 2.483 hectares de vinhedos, que se desenvolvem em um terroir único.

Esses vinhedos são protegidos dos ventos do Norte pelas montanhas e contam com mais horas de sol por ano, além das temperaturas mais temperadas do país. Além disso, o solo de calcário rochoso e argiloso é uma ótima base para a produção de vinhos com personalidade.

E personalidade é o que não falta neste Ördög Cuvée 2015, um blend de variedades locais com vivacidade, forte estrutura, frutado e maduro.

Texto: Paula Taibo

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