A rolha de cortiça e suas variações

Há anos, a rolha de cortiça é o vedante tradicional dos vinhos, utilizada por mais de 70% dos produtores mundiais da bebida. Na edição anterior, falei sobre sua origem, seu processo de produção, suas qualidades e prognóstico de futuro, mas não posso encerrar o assunto sem entrar em outro detalhe. Você, apreciador de vinhos, já notou que há uma certa variedade de rolhas de cortiça e deve ter ficado curioso sobre como são produzidas e a que tipos de vinhos se adequam. É isso que pretendo esclarecer agora. Vamos lá?

Rolha Natural
É produzida por brocagem (tipo de corte através de uma broca apropriada) a partir de uma peça única de cortiça, geralmente com forma cilíndrica ou cônica, e com medidas diferentes. As de formato mais longo são indicadas para vinhos que possam passar por um estágio médio ou grande em garrafas (vinhos de guarda). Existe uma classificação comercial que as divide em categorias de qualidade segundo critérios visuais, cuja nomenclatura é: Flor, Extra, Superior, 1°, 2°, 3°, 4°, 5°.

Rolha Colmatada
É uma rolha de cortiça natural cujos poros (lenticelas) são preenchidos com pó de cortiça (resultante da retificação de rolhas naturais), num processo que utiliza colas à base de resina natural, borracha natural ou água. Tem o objetivo de melhorar o aspecto visual e a performance das rolhas naturais. É produzida em variadas formas e dimensões e considerada uma alternativa às rolhas naturais para vinhos de consumo rápido.

Rolha Técnica
Composta por um corpo muito denso de cortiça aglomerada, com discos de cortiça natural colados em ambas as extremidades. A que possui apenas um disco em cada extremidade é chamada de 1+1, e a que tem dois discos em apenas uma extremidade é chamada de 2+0. Foram criadas para garrafas cujos vinhos sejam de consumo rápido, em cerca de 2 a 3 anos. Para colar os discos no corpo de cortiça aglomerada, são usadas colas aprovadas para contato com alimentos.

Rolha Aglomerada
É composta por granulados de cortiça originados como subprodutos da produção das rolhas naturais, os quais são unidos por uma cola aprovada para entrar em contato com alimentos. Pode ser fabricada por moldagem individual ou por extrusão. Essa rolha é recomendada para vinhos de consumo rápido, de menor preço e alta produção.

 

Rolha Multipeça
Fabricada a partir de pedaços menores de rolha de cortiça natural, podendo ser composta por duas metades ou por mais pedaços, extraídos de uma peça de cortiça mais delgada, que não servia para fazer a rolha de cortiça natural de uma só peça. A cola que se utiliza para unir as partes é certificada para entrar em contato com alimentos. São utilizadas em garrafas grandes, cujo formato exige rolhas de maior calibre, difíceis de fabricar a partir de uma única peça.

Rolha Capsulada
É uma rolha de cortiça cujo topo tem uma cápsula feita de materiais como PVC, madeira, metal, vidro, porcelana, entre outros. Pode ser reutilizada, por isso é recomendada para bebidas cujo conteúdo não é consumido de uma só vez, como alguns vinhos fortificados (Porto, Madeira, por exemplo), alguns vinhos doces (como o Moscatel de Setúbal), bebidas destiladas, licores etc.

Rolha de Espumante
É especialmente concebida para vedar bebidas com grande concentração de gás, como os espumantes, as sidras, algumas cervejas etc. Tem maior diâmetro que as rolhas comuns para aguentar a pressão interna das garrafas de bebidas gasosas. Guarda semelhança com as rolhas técnicas, pois pode ser composta de cortiça aglomerada com um ou dois discos de cortiça natural em uma extremidade (0+1 e 0+2).

Agora que conhecemos os diversos tipos de rolhas, sei que você irá olhar para elas com outros olhos, já que passou a entender sua composição e utilidade. Um brinde à cortiça e sua longa história com o vinho!

Texto: Lucas Cordeiro

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