Carlos Magno

Com a queda do Império Romano, a Europa inicia a Idade Média bagunçada. Quem chega pra botar ordem na cozinha é Carlos Magno, entre 768 e 814. O Rei dos Lombardos, dos Francos e primeiro imperador do Sacro Império Romano-Germânico. Uma figura de quase 2 metros de altura que adorava banquetes, carnes de caça e fazia pelo menos 4 refeições diárias.

Seu apetite por conquistas era ainda maior. Ao longo de 54 guerras, reuniu as terras do antigo império e acrescentou novas, unificou moedas e reinos sob a bandeira do catolicismo, como estratégia para assegurar a perenidade. Ao juntar e manter pulso firme sobre lombardos, saxões, bávaros, francos
e aquitânios, o soberano conseguiu constituir uma identidade comum na Europa Ocidental – uma espécie de união europeia medieval.

Apesar de submeter os vizinhos pela força bruta e também pela fé, Carlos Magno, que era analfabeto, não era bobo. Além de criar eficientes mecanismos descentralizados de controle sobre os territórios, cercou-se dos maiores sábios da época e incentivou a educação. Estendeu escolas a todas as classes, com o objetivo de formar uma elite religiosa e administrativa. Essa retomada da promoção intelectual ficou conhecida como o Renascimento Carolíngio – semente da Renascença que viria 5 séculos depois.

Carlos Magno foi o cara da Idade Média, e boa parte das histórias medievais que nos chegam vêm da época do seu reinado, quando o vinho já corria solto pelo Velho Continente. Bebia-se mais que nos dias de hoje, por prazer, para comemorar ou seguindo recomendações médicas.

Quanto ao nosso imperador, grande apreciador de vinho, diz-se que nunca ficou bêbado por causa da sua constituição física. Talvez. Uma coisa é certa: os vinhos franceses e alemães devem muito, muito mesmo, a “Charlemagne”, seu nome em francês.

IMPÉRIO VINÍCOLA
Uma história conta que, por recomendação da esposa Luitgard, Carlos trocou o vinho tinto pelo branco, para não manchar sua barba que se tornara alva. Assim, ordenou ao Colegiado Saint-Andoche de Saulieu (a quem doara terras) que cultivasse uvas brancas em uma colina específica: surgia assim a denominação Corton-Charlemagne, ícone entre os vinhos brancos franceses da Borgonha. Onde mais ele botou a mão? Em regiões da Alsácia e Anjou.

Outro branco exclusivo, o Château de La Rivière A.O.C. Bordeaux Blanc, provém da maior propriedade vinícola de Fronsac, que pertenceu a Magno no século 8, onde se produz ainda o tinto Château de La Rivière A.O.C. Fronsac. As primeiras vinhas da ilustre e tradicional região alemã de Rheingau foram plantadas a mando dele também, a exemplo do atual vinhedo Schloss Johannisberg, que fornece um dos mais famosos Riesling do mundo.

“O Grande” não só englobou e semeou terras como promulgou leis agrárias e instituiu rígidas normas de produção e comércio, específicas para a viticultura e vinicultura. Por trás da paixão natural, havia a motivação política, ligada à expansão do Cristianismo e ao vinho como elemento sacro, que servia, adicionalmente, para amaciar os contatos diplomáticos com ingleses e alemães.

Para monitorar tudo isso, Magno contava com centenas de administradores, que lhe passavam anualmente a quantidade e qualidade dos produtos. E era melhor apresentar bons resultados, porque o
homem levava o negócio do vinho a sério.

O Palácio Imperial Hofburg, de Viena, abriga a coroa imperial de Carlos Magno. De suas 144 pedras preciosas incrustadas, aquela que ocupava posição central e principal na placa frontal da peça, perdeu-se. Era conhecida como “waise”, ou órfã, por se tratar de uma joia singular. Segundo registros antigos, uma pedra rubra, um fogo tinto esfuziante que caía muito bem na cabeça de seu dono.

Texto: Fábio Angelini

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